Resumo
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👉 A demanda de curto prazo do Bitcoin continua fragilizada, especialmente no varejo, o que tem dificultado o rompimento da máxima histórica;
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👉 A demanda aparente líquida apresentou queda de 308 mil BTCs ao excluir ETFs e Strategy, indicando saída líquida de investidores menores;
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👉 Mesmo com essa saída, os fluxos institucionais têm neutralizado a pressão vendedora e mantido os preços em patamares elevados;
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👉 A capitalização do USDT cresceu mais de US$ 9 bilhões nos últimos 30 dias, sugerindo entrada de liquidez externa no mercado cripto;
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👉 Apesar da leve desaceleração desde junho, a tendência de médio prazo nas stablecoins ainda é de crescimento;
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👉 O indicador MVRV Momentum mostra perda de força relativa no ciclo atual, reforçando necessidade de cautela;
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👉 Já nos afastamos das zonas ideais de acumulação, o que eleva o risco de exaustão sem um novo catalisador de demanda;
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👉 As reservas de baleias cresceram mais de 108 mil BTCs no último ano, sinalizando forte acúmulo por parte de players institucionais;
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👉 O perfil das baleias mudou, atuando agora como entesouradores com horizonte de longo prazo, reduzindo liquidez do mercado;
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👉 A redistribuição de oferta está ocorrendo das mãos de pequenos investidores para grandes detentores entre 1.000 e 10.000 BTCs;
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👉 Em 2025, já foram adicionados mais de US$ 13,7 bilhões até julho, com possibilidade de encerrar o ano em patamar similar a 2024;
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👉 O comportamento do varejo segue descolado da realidade institucional, realizando lucros enquanto o capital estratégico acumula;
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👉 A assimetria entre quem compra e quem vende pode estar moldando silenciosamente a base para o próximo movimento de preço;
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👉 Mesmo com sinais de maturação no ciclo, os fundamentos seguem construtivos e não indicam um topo macro imediato;
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👉 Ainda falta um gatilho claro de demanda especulativa para retomar a tendência de alta de forma mais expressiva.
Introdução
O ciclo atual do Bitcoin apresenta uma dinâmica complexa, onde fundamentos de longo prazo seguem robustos, mas o comportamento da demanda de curto prazo levanta sinais de alerta. Este relatório explora em profundidade como diferentes classes de investidores — de baleias a usuários de varejo — estão se posicionando neste momento-chave do mercado.
Ao analisar uma série de métricas on-chain e dados de fluxo de capital, incluindo a atuação dos ETFs spot, reservas de grandes carteiras e sinais de liquidez via stablecoins, buscamos entender se o mercado está construindo uma nova base de valorização ou apenas atravessando uma pausa antes de uma exaustão.
Vamos lá!
Preço de mercado é um produto da demanda on-chain
O cenário atual de preços do Bitcoin reflete uma tensão entre fundamentos sólidos de longo prazo e uma fraqueza estrutural na demanda de curto prazo, especialmente no varejo. Embora as bases do ciclo continuem intactas, a ausência de maior participação desse segmento tem dificultado a construção de uma tendência de alta mais robusta, impedindo o rompimento da máxima histórica até o momento.
Como temos enfatizado em nossas análises, é apenas uma questão de tempo até que o Bitcoin registre uma nova máxima histórica. No entanto, a neutralidade na demanda no curto prazo limita a força do movimento de alta, criando um ambiente de consolidação prolongada.
A demanda on-chain observada nas últimas semanas tem sido majoritariamente impulsionada por compras institucionais, em especial via ETFs e pela própria Strategy. A leitura do gráfico de demanda aparente revela que, ao excluir esses agentes, houve uma redução líquida de aproximadamente 308 mil BTCs nas carteiras, indicando uma saída líquida do varejo e de pequenos investidores.
Ainda assim, o fluxo comprador por parte dos ETFs e da Strategy tem sido suficiente para neutralizar grande parte dessa pressão vendedora, sustentando os preços em patamares elevados.
Recentemente, contudo, a demanda total na rede passou a mostrar sinais de melhora. Os fluxos on-chain vêm se recuperando, ainda que de forma tímida, e seguem em patamar inferior ao ideal para sustentar um movimento de alta mais explosivo. Essa dinâmica pode evoluir de forma mais favorável caso o capital represado em stablecoins seja, de fato, convertido em BTC nas próximas semanas.
A capitalização das stablecoins, especialmente o USDT, cresceu mais de US$ 9 bilhões nos últimos 30 dias, o que representa uma entrada significativa de capital no ecossistema cripto. Historicamente, períodos de expansão na oferta de stablecoins antecedem movimentos de valorização do Bitcoin, já que estas funcionam como uma ponte de entrada de liquidez externa para dentro do mercado.
Apesar da leve desaceleração desses fluxos desde o final de junho, a tendência de médio prazo ainda é de crescimento. Esse comportamento pode ser interpretado como um catalisador estruturalmente positivo, embora insuficiente, por si só, para desencadear uma tendência explosiva de alta. Ainda é necessário um aumento mais expressivo na demanda líquida para que os ciclos de reflexividade do Bitcoin sejam reativados plenamente.
Do ponto de vista cíclico, a estrutura permanece favorável, mas já apresenta sinais de esfriamento. A métrica MVRV Momentum mostra uma perda de força relativa no bull market atual, o que exige maior cautela por parte dos investidores.
O indicador sugere que já nos afastamos das zonas de melhor assimetria de preço, aquelas associadas a fases ideais de acumulação de longo prazo. A cada novo avanço de preço sem renovação proporcional da demanda, o risco de exaustão da tendência se eleva.
Ainda não estamos em uma zona clássica de topo macro, mas a distância em relação às bases do ciclo e o aumento nos níveis de realização de lucro apontam para um estágio mais avançado da alta. Nesse ambiente, a sobriedade torna-se um diferencial. Evitar euforia e saber preservar ganhos passa a ser tão importante quanto identificar boas oportunidades.
Fluxo institucional e corporativo está sendo sobreposto por impaciência do varejo
Mesmo diante de uma postura mais cautelosa em relação ao estágio atual do ciclo, é notável que as baleias — participantes com grandes volumes de BTC — seguem reforçando suas posições no mercado. O saldo acumulado desses endereços aumentou em mais de 108 mil BTCs nos últimos 12 meses, conforme indicam os dados da variação anual em reservas. Este comportamento sugere uma convicção estrutural por parte de investidores institucionais e corporativos, que enxergam o Bitcoin cada vez mais como um ativo estratégico de longo prazo.
Ao contrário do padrão histórico, em que grandes players realizavam lucros em momentos de alta e acumulavam durante quedas, o perfil atual tem sido muito mais de entesouramento.
Com a institucionalização do Bitcoin, parte relevante da oferta está migrando para carteiras de tesouraria, com pouca ou nenhuma intenção de se desfazer dos ativos no curto ou médio prazo. Esse comportamento altera significativamente a dinâmica de liquidez do mercado, reduzindo a oferta circulante e pressionando o lado da demanda.
O que chama ainda mais atenção é a origem dos bitcoins acumulados. A análise por coortes de tamanho revela que o crescimento das reservas nas faixas de 1 mil a 10 mil BTCs coincide com saídas líquidas das carteiras menores — sobretudo aquelas com menos de 1 BTC, até mesmo na faixa entre 10 e 100 moedas.
Essa redistribuição de oferta aponta para um comportamento típico de ciclos maduros, onde participantes com menor convicção ou capacidade de manutenção de posição acabam vendendo para aqueles com horizontes mais longos e maior robustez de capital.
Paralelamente a isso, o fluxo de entrada nos ETFs spot de Bitcoin segue sólido. Em 2024, o total captado ultrapassou US$ 34 bilhões, marcando um dos lançamentos mais bem-sucedidos da história do mercado financeiro tradicional.
Em 2025, mesmo com uma menor intensidade, já foram adicionados mais de US$ 13,7 bilhões líquidos até o início de julho. Caso essa trajetória seja mantida, o ano atual pode terminar com uma captação total bastante próxima da registrada em 2024, consolidando o papel desses veículos como os principais canais de institucionalização do BTC.
Esse movimento de alocação estratégica, tanto por parte de ETFs quanto de corporações e tesourarias, parece estar passando despercebido pelo varejo, que em boa parte tem demonstrado comportamento oposto. Essa assimetria entre quem está comprando e quem está vendendo pode ser uma das principais chaves interpretativas do atual momento do ciclo. O mercado pode estar presenciando um movimento silencioso de redistribuição de oferta, com implicações relevantes para a formação de preço nos próximos trimestres.
Conclusões
Mesmo com essa dinâmica mista entre bons fundamentos de longo prazo e baixa demanda de curto prazo, continuamos otimistas para o ciclo atual do bitcoin. Os dados on-chain mostram que a queda na demanda líquida, superior a 300 mil BTCs, tem sido compensada por compras consistentes de ETFs e empresas como a Strategy.
O aumento recente de mais de US$ 9 bilhões na capitalização do USDT e a captação acumulada de US$ 13,7 bilhões pelos ETFs spot em 2025 reforçam a continuidade da entrada de capital institucional no mercado. Este fator é significativo para entendermos que ainda não é cenário total de aversão ao risco.
As baleias também seguem em movimento de acumulação relevante, com crescimento de 108 mil BTCs nas reservas em 12 meses. Essa acumulação tem ocorrido majoritariamente às custas de saídas de carteiras menores, o que indica um processo de redistribuição típico de fases mais maduras do ciclo. Além disso, a mudança de perfil das baleias, que agora atuam como tesourarias de longo prazo, contribui para uma oferta mais rígida e menor liquidez disponível no mercado.
Apesar desse fortalecimento estrutural, ainda falta um catalisador de demanda especulativa para impulsionar uma nova tendência de alta. A perda de força no MVRV Momentum e a baixa intensidade nos fluxos on-chain indicam que o varejo ainda não está completamente engajado. Com isso, o mercado segue em uma zona de equilíbrio instável, na qual a acumulação silenciosa por grandes players pode se revelar estratégica quando o próximo movimento direcional for deflagrado.
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