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Uma dívida entre amigos

Neste relatório, abordamos mais a fundo a dívida dos EUA e como um Estado soberano se tornou dependente do endividamento.

Resumo

  • Atualmente, a dívida global atingiu um recorde histórico de 324 trilhões de dólares, refletindo uma tendência de endividamento crescente desde 1971;

  • A dívida dos EUA está em aproximadamente 37,5 trilhões de dólares, com expectativa de revisão do teto da dívida para 40 trilhões até o final de 2024;

  • Apesar da implementação de tetos de gastos por vários países, esses limites frequentemente são violados em meio a crises e demandas emergenciais;

  • A dívida dos EUA cresceu 12 trilhões de dólares nos últimos quatro anos, um aumento que levou mais de 200 anos para ser alcançado anteriormente;

  • A austeridade fiscal, embora seja a solução mais direta para reduzir dívidas, enfrenta resistência política, rigidez em gastos obrigatórios e dificuldade em cortar custos consolidados;

  • A rápida elevação de impostos pode impactar negativamente a economia, desacelerando a atividade e reduzindo a arrecadação;

  • O projeto BITCOIN Act, apresentado em 2024, propõe que os EUA criem uma reserva estratégica de Bitcoin para fortalecer seu balanço e proteger a economia;

  • El Salvador é um exemplo pioneiro ao incorporar o Bitcoin como moeda legal e reserva estratégica, visando maior soberania financeira;

  • O aumento da dívida soberana tem gerado estresse nos títulos públicos de longo prazo, sinalizando possível instabilidade nos mercados globais;

  • Diante da fragilidade do sistema monetário atual, ativos escassos como o Bitcoin ganham destaque como alternativas de proteção e reserva de valor no longo prazo.

Visão Geral

Nesta semana, estamos acompanhando uma briga entre Elon Musk e Donald Trump. No meio desse conflito, podemos dizer que Elon Musk é como alguém que acredita poder curar uma doença que dificilmente terá solução, enquanto Trump precisa olhar para seu aliado e contar a história do “Prisioneiro e do Burro Falante”.

Vocês conhecem essa história?

Um homem foi condenado à morte. Antes da execução, pediu uma audiência com o rei e fez uma proposta ousada:

— Majestade, se me conceder um ano de vida, eu ensinarei seu burro a falar.

O rei, intrigado com a promessa absurda, aceitou o desafio. Afinal, se o homem cumprisse, seria um feito extraordinário. Se não, a execução seguiria normalmente. Para o rei, nada seria perdido.

Quando o prisioneiro voltou à prisão, os guardas zombaram dele:

— Você ficou louco? Acha mesmo que vai ensinar um burro a falar?

O prisioneiro respondeu calmamente:

— Eu sei que o burro não vai falar, mas em um ano muitas coisas podem acontecer. O rei pode morrer, você pode morrer ou até mesmo o burro pode morrer.

Essa parábola remete a alguém que sabe que o burro nunca falará, assim como Donald Trump sabe que a dívida dos EUA nunca será paga. No entanto, ele precisa de tempo para fechar alianças, baixar os juros e talvez entregar um governo melhor que o anterior.

Mas o objetivo deste relatório não é contar histórias, e sim ajudar você a entender como o Bitcoin se valoriza até mesmo pela inércia, enquanto o sistema fiduciário aos poucos vai caindo.

 

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A Dívida Mundial

A dívida global atingiu no último mês uma nova máxima histórica de 324 trilhões de dólares. Ou seja, não são apenas os Estados Unidos que estão se endividando. Desde 1971, entramos em uma experiência monetária na qual os países precisam aumentar seus níveis de endividamento ano após ano para se sustentarem.

Uma dívida entre amigos

 

A dívida total dos EUA está em cerca de 37,5 trilhões de dólares, embora o número oficial divulgado seja 36,2 trilhões. Isso ocorre por conta do teto atual da dívida, que deve ser revisado para 40 trilhões nos próximos meses, provavelmente entre agosto e setembro.

Nos últimos anos, vários países implementaram tetos de gastos conhecidos, mas esses limites são frequentemente contornados ou violados em meio a crises e necessidades emergenciais.

Esse cenário fica ainda mais claro ao observar um gráfico histórico da dívida dos EUA: levou mais de 200 anos para que a dívida alcançasse 12 trilhões de dólares. No entanto, esse mesmo montante foi adicionado apenas nos últimos quatro anos, entre 2020 e 2024.

 

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Austeridade Fiscal

A forma mais direta para os Estados Unidos e outros países reduzirem suas dívidas seria por meio da austeridade fiscal, ou seja, equilibrando o orçamento através da redução de gastos e aumento de impostos. Na teoria isso parece simples, mas na prática é altamente desafiador por diversos motivos.

Primeiro, as medidas de austeridade costumam ser impopulares, pois envolvem cortes em benefícios sociais ou elevação de impostos. Políticos que propõem essas ações enfrentam forte resistência tanto da população quanto do Congresso. Isso explica disputas recentes, como a que Elon Musk tem travado com Donald Trump, envolvendo debates sobre responsabilidade fiscal e intervenção estatal.

Além disso, grande parte do orçamento público é destinada a despesas obrigatórias, como Previdência Social e programas de saúde, que não podem ser facilmente reduzidas.

Outro ponto é a inércia orçamentária, já que os governos normalmente utilizam o orçamento do ano anterior como base para o próximo. Isso significa que os custos existentes raramente são cortados, mesmo quando há oportunidades claras para economizar. Por outro lado, novos gastos podem ser adicionados com maior facilidade, pois se encaixam em uma estrutura financeira já estabelecida. Essa dinâmica dificulta o controle ou a redução gradual do orçamento ao longo do tempo.

Por fim, o aumento rápido de impostos pode gerar efeitos adversos, como a desaceleração da atividade econômica e a queda na arrecadação tributária.

 

Existe uma solução?

Em julho de 2024, a senadora Cynthia Lummis apresentou o projeto de lei BITCOIN Act, propondo que os Estados Unidos estabeleçam uma reserva estratégica de Bitcoin. O objetivo é fortalecer o balanço patrimonial nacional e proteger a economia diante de eventuais crises ou perda de confiança no dólar.

O plano propõe os seguintes pilares:

Aquisição gradual de até 1 milhão de BTC ao longo de vários anos, o que representaria aproximadamente 5% da oferta total de Bitcoin.

Limite de compra anual de 200.000 BTC, com prazo mínimo de custódia de 20 anos.

Proibição de venda, salvo em casos específicos de pagamento da dívida pública.

Custódia descentralizada e segura, sob responsabilidade do Departamento do Tesouro dos EUA.

Financiamento via diversificação de recursos existentes no Federal Reserve e no Departamento do Tesouro, sem emissão adicional de dívida.

Embora o Bitcoin seja um ativo com características únicas — como escassez programada, resistência à censura e potencial de valorização —, é importante destacar que, mesmo com uma performance expressiva nos próximos anos, dificilmente ele seria suficiente para sanar a dívida pública dos EUA em sua totalidade, que já ultrapassa US$ 34 trilhões. Caso esse movimento prospere, o impacto seria mais simbólico e estratégico no curto prazo, podendo gerar efeitos mais profundos ao longo de décadas.

 

El Salvador foi o país que mais se beneficiou dessa estratégia

Atualmente, vários países já estão incorporando o Bitcoin às suas reservas nacionais, reconhecendo seu potencial como ativo estratégico de longo prazo em um cenário global de incertezas monetárias.

O exemplo mais emblemático é o de El Salvador, que iniciou esse movimento em 2021 ao declarar o Bitcoin como moeda de curso legal. Desde então, o país tem adotado uma estratégia de acumulação sistemática, com o objetivo de aumentar sua soberania financeira e reduzir a dependência do dólar — especialmente relevante para um país que não emite sua própria moeda.

Mais recentemente, os Estados Unidos também passaram a sinalizar avanços nessa direção. Em 2024, foi apresentado no Congresso o BITCOIN Act, propondo a criação de uma reserva estratégica nacional de Bitcoin. Além disso, vários estados norte-americanos já iniciaram iniciativas próprias, adotando o BTC como ativo de reserva em suas tesourarias estaduais ou por meio de legislações locais.

Esse movimento marca uma mudança estrutural importante: o Bitcoin deixa de ser visto apenas como um ativo especulativo e passa a ser considerado uma ferramenta de política econômica e geopolítica, tanto por economias emergentes quanto por grandes potências.

À medida que mais governos adotam essa abordagem, o Bitcoin tende a se consolidar como uma nova camada de reserva de valor global, coexistindo com o sistema tradicional baseado em moedas fiduciárias — e, possivelmente, redefinindo os pilares do sistema financeiro internacional.

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O Reflexo do endividamento

Com o avanço contínuo das dívidas soberanas em diversas economias desenvolvidas, já começamos a observar sinais de estresse nos títulos públicos de longo prazo, especialmente os de 30 e 40 anos emitidos por países como os Estados Unidos e o Japão.

Esses papéis, que antes eram considerados porto seguro de longo prazo, vêm sofrendo com quedas nos preços e alta nas taxas de juros, refletindo a perda gradual de confiança dos investidores na capacidade desses governos de manterem suas dívidas sob controle.

Esse cenário levanta o alerta para a possível formação de uma nova bolha no mercado de dívida pública de longo prazo — uma bolha que, quando estourar, pode gerar ondas de instabilidade nos mercados globais.

 

Uma dívida entre amigos

Diante disso, é plausível imaginar que, em algum momento, os bancos centrais — especialmente o Federal Reserve dos EUA — recorrerão novamente à impressão de dinheiro (afrouxamento quantitativo) como forma de sustentar o sistema, resgatar ativos e tentar evitar um colapso da confiança no mercado de títulos.

Esse possível novo ciclo de liquidez artificial reforça o papel de ativos escassos, como o Bitcoin, como alternativas de proteção diante da fragilidade estrutural do sistema monetário atual.

Sobre o autor
BlockTrends
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