Resumo
- A temporada atual é comparada ao último ciclo vitorioso do Chicago Bulls, sugerindo que o mercado cripto pode estar no último semestre de alta antes de uma correção significativa;
- Volatilidade Pós-Expiração: A expiração de US$ 22,6 bilhões em opções de Bitcoin e outros criptoativos aumentou a volatilidade de curto prazo e funcionou como uma “limpeza final” no mercado;
- Grandes Liquidações: O mercado enfrentou duas grandes liquidações na semana, totalizando US$ 1,1 bilhão em posições compradas, que levaram o Bitcoin a US$ 109 mil e o Ethereum abaixo de US$ 4.000;
- Retorno do Medo: O sentimento do mercado, medido pelo Índice de Medo e Ganância, atingiu a zona de “medo” (o menor nível desde abril), historicamente um momento que precede grandes altas e favorece a alocação de longo prazo;
- Sazonalidade e Trimestre-Chave: O mercado se aproxima do trimestre-chave para o Bitcoin, com expectativa de ser o melhor período do ano para os criptoativos, impulsionado pela sazonalidade;
- Fluxo Forte de Compras Corporativas: Empresas com tesouraria em Bitcoin continuam a ampliar suas posições, adicionando mais de 30 mil BTC em setembro, demonstrando confiança institucional;
- Absorção de Bitcoin em 2026: O ritmo de aquisição corporativa (cerca de 40 mil BTC/mês) aponta para uma absorção de pelo menos 480 mil BTC em 2026, reduzindo a oferta disponível no mercado;
- Ciclo de Expansão Monetária Global: Mais de 80% dos bancos centrais globais estão em modo de afrouxamento monetário, sustentando um ambiente de alta liquidez que favorece o crescimento dos ativos de risco (risk-on);
- Limite da Liquidez: O ciclo de expansão de liquidez global tem uma duração média histórica de 65 meses e é projetado para continuar até meados de 2026, quando pressões inflacionárias devem forçar uma reversão da política monetária;
- Perspectivas do Próximo Ciclo: O relatório levanta duas possibilidades para o futuro do Bitcoin: um grande movimento de alta seguido por uma queda acentuada (descolamento de preços) ou um ciclo de queda muito menor, indicando que o ativo está se tornando progressivamente menos volátil a cada ciclo.
Introdução
Na temporada da NBA de 1997-98, o técnico Phil Jackson, do Chicago Bulls, chamou aquela temporada de “The Last Dance” e já estava decidido que ele não continuaria no time, e que o ciclo vitorioso com Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman e outros estaria chegando ao fim.
Esse termo passou a ser utilizado em diversos eventos esportivos pelo mundo sempre que um jogador chegava na reta final de sua carreira, e dessa vez trouxemos esse termo para o mercado de cripto. Podemos estar próximos do último semestre de alta do mercado cripto, mas, ao contrário de Jordan, o Bitcoin sempre volta nos próximos playoffs.
No âmbito geral, estamos vendo um setembro de queda, algo que já era esperado pelo mercado, mas que, na reta final, acabou tendo duas grandes liquidações no mercado cripto, levando o Bitcoin ao preço de US$ 109 mil e o Ethereum abaixo de US$ 4.000 novamente. Mas está chegando o trimestre-chave para o Bitcoin e, com isso, poderemos ter o melhor trimestre do ano para os criptoativos.
E será sobre isso que falaremos neste relatório de hoje, tanto sobre o aspecto de sazonalidade do Bitcoin quanto sobre a chegada do fim da liquidez, que pode acontecer no meio de 2026.
Vamos lá!
Opções expiram, Volatilidade sobe
Hoje, o mercado acompanha um evento de grande relevância: a expiração de US$ 22,6 bilhões em opções de Bitcoin e outros criptoativos, uma das maiores liquidações trimestrais já registradas. Esse movimento tende a aumentar a volatilidade no curto prazo.
Na Deribit, a maior bolsa de opções cripto, o Bitcoin expirou próximo do nível considerado mais desfavorável para traders (max pain) de US$ 110 mil, sendo registrado em US$ 109 mil. Com o vencimento acontecendo hoje, o mercado inicia um novo ciclo de posicionamento, e será importante observar como os investidores se reorganizam a partir de agora.
O open interest (quantidade de contratos em aberto) caiu de 515 mil BTC para 355 mil BTC, mostrando a dimensão do evento. Nos próximos dias, será interessante acompanhar como essas posições são reconstruídas e onde os investidores concentram novas apostas.
Essa expiração pode representar um dos últimos grandes episódios de volatilidade negativa em 2025, funcionando como uma “limpeza final” que abre espaço para investidores de longo prazo reforçarem posições e para a entrada de capital de varejo no mercado.
O retorno do medo como combustível
O mercado de criptoativos registrou ontem um novo pico de liquidações, totalizando aproximadamente US$ 1,1 bilhão em posições compradas, tanto em Bitcoin quanto em outros ativos digitais. Esse foi o segundo evento consecutivo da semana, após a liquidação ainda mais expressiva observada no último domingo.
No Índice de Medo e Ganância, o sentimento do mercado atingiu a zona de “medo”, alcançando o menor nível desde abril. Esse efeito pode ser o grande combustível junto com os próximos cortes de juros para que o mercado assuma novos patamares de topo histórico. Períodos como o atual costumam ser os melhores momentos para alocar em criptoativos, pois o varejo costuma estar com medo.
Empresas seguem com forte fluxo de compra
Empresas com tesouraria em Bitcoin continuam ampliando suas posições, com mais de 30 mil BTC adicionados em setembro. Apenas seis empresas contribuíram com +12.741 BTC adicionais às suas tesourarias:
➤ Strive: +5.816 BTC, total 5.885 BTC
➤ Capital B: +551 BTC, total 2.800 BTC
➤ Strategy: +850 BTC, total 639.835 BTC
➤ DDC Enterprise: +50 BTC, total 1.058 BTC
➤ Metaplanet: +5.419 BTC, total 25.555 BTC
➤ The Smarter Web Co: +55 BTC, total 2.525 BTC
Enquanto o rendimento em Bitcoin (Bitcoin Yield) dessas empresas continua crescendo, observamos atualmente uma queda significativa no mNAV das tesourarias, o que pode representar uma oportunidade estratégica, considerando que esse indicador esteve em níveis mais esticados nos últimos meses.
Esse cenário também aponta para uma possível grande absorção de Bitcoin pelo mercado em 2026, dado que as empresas de tesouraria em Bitcoin estão adquirindo, em média, 40 mil BTC por mês. Se mantido esse ritmo, isso representaria uma aquisição de pelo menos 480 mil BTC a mercado, somados aos 1,03 milhão de BTC que já estão entesourados atualmente.
Ciclo de Expansão Monetária Global e Perspectivas de Reversão em 2026
Mesmo após a recente correção que levou o Bitcoin a $109 mil, os dados indicam que o movimento de alta ainda não se esgotou. Essa interpretação é consistente com os padrões históricos de ciclos de liquidez e com os indicadores on-chain, que não mostram sinais de exaustão no topo.
O cenário macroeconômico reforça essa visão: mais de 80% dos bancos centrais globais estão atualmente em modo de afrouxamento monetário, uma das taxas mais altas deste século, indicando que a criação de liquidez segue ativa, sustentando o ambiente de alta para ativos financeiros.
A redução de juros vai além de um simples ajuste de política monetária. Ela diminui o custo de captação de recursos para governos, empresas e consumidores, estimulando a oferta de crédito. Como os bancos comerciais geram moeda ao conceder empréstimos, cortes de juros ampliam o efeito multiplicador do sistema bancário, fortalecendo a base monetária global.
Esse processo cria um ciclo de maior liquidez, no qual o excesso de crédito disponível gera demanda por ativos financeiros e alimenta o movimento de “risk-on” nos mercados. No entanto, essa expansão não é ilimitada: a própria liquidez excessiva provoca pressões inflacionárias, que eventualmente exigirão uma reversão do ciclo.
Nos Estados Unidos, a trajetória de liquidez projetada pelo Federal Reserve indica continuidade positiva até 2026, apoiada por cortes de juros e emissões de títulos curtos do Tesouro. Esse fluxo favorece a valorização dos ativos financeiros, mas também aumenta o risco de um aumento da inflação na economia real.
Quando essa pressão inflacionária se intensificar, a autoridade monetária americana precisará ajustar sua política, como ocorreu em 2022. Esse “choque de liquidez” tende a ser acompanhado por outros bancos centrais desenvolvidos, amplificando os efeitos globalmente.
Historicamente, os ciclos globais de liquidez apresentam, em média, 65 meses entre picos, segundo séries de dados desde a década de 1970. O ciclo atual segue próximo desse padrão, indicando que ainda há espaço para valorização, embora já estejamos nos aproximando da fase final do ciclo.
The Last Dance
No todo, podemos estar nos últimos meses de crescimento de liquidez e para o fim desse ciclo poderemos ter um impacto que tende a ser dúbio, o Bitcoin teve menos volatilidade nesse ciclo e também menos upside, e aí podemos estar dentro de 2 problemáticas para o próximo ciclo.
Ou teremos um grande movimento de alta no Bitcoin e nos criptoativos nos próximos meses e teremos um descolamento de fundamentos/preços e depois disso a queda fará esse mesmo movimento ou teremos um ciclo de queda muito menor nesse ciclo e isso fará com que o Bitcoin a cada ciclo que passe se torne menos volátil.
As 2 visões colocam o Bitcoin ainda como grande oportunidade se você olhar em um horizonte temporal maior, mas daqui pra frente a cautela será fundamental para investidores que buscam ter grande rentabilidade com esse ativo.
HODL






