Resumo
- 👉 A aprovação de ETFs de Bitcoin à vista pela SEC em janeiro de 2024 foi um marco regulatório e de validação institucional para o mercado;
- 👉 Em poucos meses, os ETFs alocaram mais de US$ 36 bilhões, absorvendo mais de 500.000 BTC;
- 👉 O volume diário de negociações no mercado atingiu recordes históricos, impulsionado pela liquidez trazida pelos ETFs;
- 👉 O Bitcoin alcançou um novo recorde histórico de US$ 70.000 em março de 2024 devido à entrada de capital, adoção institucional e afrouxamento monetário;
- 👉 A narrativa do Bitcoin como “ouro digital” consolidou-se, destacando suas vantagens sobre o ouro tradicional;
- 👉 O quarto halving, em abril de 2024, reduziu a emissão de BTC pela metade, reforçando sua escassez como ativo;
- 👉 O impacto do halving foi moderado, mas contribuiu para a pressão de alta nos preços e ajustes na eficiência de mineradores;
- 👉 A atualização contábil da FASB permitiu que empresas relatassem Bitcoin como ativo de valor justo, incentivando maior adoção corporativa;
- 👉 Entre junho e setembro, o mercado enfrentou uma pressão vendedora de 230.000 BTC, que foi absorvida sem colapsos significativos;
- 👉 A eleição de Donald Trump e promessas de políticas favoráveis ao Bitcoin impulsionaram o mercado para além de US$ 100.000;
- 👉 A estratégia de acumulação corporativa liderada pela MicroStrategy consolidou o papel do Bitcoin como reserva de valor institucional;
- 👉 A autorização para opções de ETFs em novembro trouxe maior sofisticação e volume ao mercado;
- 👉 O CME consolidou-se como o maior mercado de derivativos de Bitcoin, com posições em aberto superando US$ 21 bilhões;
- 👉 Em dezembro, os ETFs de Bitcoin ultrapassaram os ETFs de ouro em ativos sob gestão, marcando uma mudança paradigmática nos mercados financeiros.
Introdução
O ano de 2024 foi um período decisivo e transformador para o Bitcoin, marcado por eventos de grande magnitude que moldaram sua trajetória e reforçaram sua relevância no cenário financeiro global. Desde avanços regulatórios e adoções institucionais até marcos históricos de preço e mudanças estruturais no mercado, o Bitcoin consolidou seu status como uma classe de ativo essencial.
Neste relatório, exploramos os principais acontecimentos que definiram o ano, analisando como eles impactaram o preço, a estrutura do mercado e a percepção global sobre o Bitcoin. Com um olhar detalhado sobre eventos como a aprovação dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos, o quarto halving e a expansão de instrumentos financeiros avançados, discutimos as forças que impulsionaram o ativo a novos patamares.
À medida que 2024 chega ao fim, as lições e transformações desse ano preparam o terreno para 2025, um período que promete ser igualmente dinâmico e crucial para o ecossistema do Bitcoin.
Aprovação dos ETFs de Bitcoin nos EUA
A aprovação de ETFs de Bitcoin à vista pela SEC, anunciada em janeiro de 2024, marcou o início de um ano histórico. Esse evento não foi apenas uma mudança regulatória; foi uma validação institucional sem precedentes para o mercado de Bitcoin. A decisão foi precedida por anos de debates e recusas, tornando-a ainda mais significativa. ETFs como os da BlackRock e Fidelity atraíram investidores institucionais que anteriormente consideravam o mercado cripto como arriscado ou pouco estruturado. Em poucos meses, mais de US$ 36 bilhões foram alocados nesses fundos, absorvendo mais de 500.000 BTC.
Esse movimento não apenas impulsionou a demanda por Bitcoin, mas também aumentou a liquidez do mercado, com volumes diários de negociações subindo para novos recordes. Para muitos investidores, os ETFs representam uma forma segura e regulada de acessar o mercado, eliminando riscos associados à custódia e à segurança de ativos digitais. A aprovação também gerou uma corrida por produtos similares em outros mercados, com países como Hong Kong e Alemanha lançando seus próprios ETFs à vista ao longo do ano.
Bitcoin faz a primeira ATH do ciclo (e antes do Halving)
Em março de 2024, o Bitcoin alcançou um novo recorde histórico, ultrapassando os US$ 70.000 pela primeira vez. Este marco foi o resultado de uma conjunção de fatores, incluindo a massiva entrada de capital através dos ETFs, a continuação do afrouxamento monetário pelos bancos centrais e a crescente adoção institucional.
O preço do Bitcoin reagiu fortemente à demanda crescente, especialmente nos EUA, onde os ETFs absorveram uma fração significativa da emissão total de novos bitcoins. Além disso, a narrativa em torno do Bitcoin como “ouro digital” ganhou força, com muitos analistas destacando sua superioridade em relação ao metal precioso em termos de divisibilidade, transporte e armazenamento.
Outro fator crucial foi a crescente correlação do Bitcoin com os mercados tradicionais, como o S&P 500, reforçando seu apelo como diversificador de portfólio. No entanto, o recorde histórico não foi apenas um reflexo de volumes e preço, mas também um indicativo de que o mercado havia amadurecido. O ceticismo que dominava anos anteriores deu lugar a um consenso mais favorável entre investidores institucionais.
Halving do Bitcoin
O quarto halving do Bitcoin ocorreu em abril de 2024, reduzindo a recompensa por bloco minerado de 6,25 para 3,125 BTC. Este evento, previsto desde a criação do protocolo, é um dos pilares da narrativa de escassez do ativo. Diferentemente de ciclos anteriores, o impacto do halving foi mais moderado, dada a crescente participação institucional e a previsibilidade do evento.
Antes do halving, o mercado experimentou um aumento expressivo nos preços, em parte devido ao “efeito de antecipação”. Após o evento, os preços se estabilizaram, mas a redução da emissão teve um impacto estrutural. Mineradores enfrentaram maior pressão para operar com eficiência, enquanto investidores de longo prazo reforçaram suas posições, confiando na dinâmica de oferta limitada.
Atualizações da FASB trazem novo modelo de contabilidade para empresas que investem em bitcoin
No meio do ano, o Financial Accounting Standards Board (FASB) anunciou uma atualização regulatória que permitiu que as empresas relatassem bitcoins como ativos digitais mensurados a valor justo. Essa mudança representou um avanço significativo para a adoção corporativa, eliminando as desvantagens contábeis associadas ao modelo de custo histórico. Empresas que já possuíam Bitcoin em seus balanços, como a MicroStrategy, começaram a se beneficiar no início de dezembro, enquanto outras foram incentivadas a considerar o ativo como parte de suas estratégias financeiras.
A nova norma também simplificou o processo de divulgação financeira, aumentando a transparência para investidores e reguladores. Isso reforçou a confiança no Bitcoin como um ativo de longo prazo, não apenas para especulação, mas também como uma reserva de valor corporativa.
Explicamos este fenômeno através do artigo que explica como essa adoção corporativa e governamental poderá impactar o preço do Bitcoin nos próximos anos.
Pressão de Venda Generalizada causa correção de mid-cycle
Entre junho e setembro de 2024, o mercado enfrentou um período de pressão vendedora significativa. Este fenômeno foi impulsionado por eventos como a liquidação de ativos pelo Mt. Gox, o leilão de BTC apreendidos por governos e a venda de ativos por credores de falências como a Genesis. No total, aproximadamente 230.000 BTC foram despejados no mercado durante este período.
Apesar do aumento na oferta, o mercado demonstrou resiliência. Investidores institucionais aproveitaram a queda temporária nos preços para aumentar suas posições, enquanto o apetite por ETFs permaneceu elevado. Este episódio destacou a maturação do mercado, que conseguiu absorver a pressão sem colapsos significativos de preço.
Eleições Presidenciais nos EUA acordam os touros
A eleição de Donald Trump em novembro de 2024 foi um ponto de inflexão político para o mercado de Bitcoin. Durante sua campanha, Trump prometeu criar uma reserva estratégica de Bitcoin para os EUA, comparável ao uso histórico de reservas de ouro. Esta promessa gerou entusiasmo no mercado, levando a um rali que ultrapassou a marca de US$ 100.000 após o resultado das eleições.
A expectativa de um ambiente regulatório mais favorável também contribuiu para o otimismo. Trump se comprometeu a simplificar regulações, eliminar barreiras para a mineração de Bitcoin e apoiar a inovação no setor cripto. Estas medidas posicionaram o mercado para uma continuação do crescimento em 2025.
Agressiva Acumulação Corporativa faz “Saylor Playbook” se espalhar
Empresas públicas desempenharam um papel crucial no mercado de Bitcoin em 2024, lideradas pela MicroStrategy, que adquiriu 439.000 BTC ao longo do ano. Esta estratégia de acumulação foi financiada por emissões de dívida e vendas de ações, mostrando a confiança da empresa na valorização de longo prazo do ativo.
A concentração de bitcoins em carteiras institucionais ajudou a reduzir a oferta circulante, criando uma pressão de alta nos preços. Este movimento também destacou o apelo do Bitcoin como uma alternativa às reservas de caixa tradicionais, especialmente em um ambiente de inflação global elevada.
Entretanto, não foi a apenas a MicroStrategy o motor desta adoção corporativa. Diversas empresas, em 2024, passaram a adotar a estratégia de tesouraria em Bitcoin. Este movimento elevou para quase 90 empresas de capital aberto ou privadas, acumulando mais de 550 mil BTCs nos últimos anos.
Lançamento de Opções de ETFs de Bitcoin
A autorização para negociação de opções de ETFs de Bitcoin pela SEC em novembro de 2024 foi outro marco importante. Este desenvolvimento ampliou as ferramentas de gestão de risco disponíveis para investidores institucionais, aumentando a sofisticação do mercado.
As opções permitiram que investidores hedgeassem suas posições em Bitcoin com maior precisão, promovendo uma maior liquidez no mercado secundário. Este foi mais um passo em direção à maturação do mercado, atraindo novos participantes que anteriormente evitavam o setor devido à falta de instrumentos avançados.
Este tipo de avanço estrutural no mercado institucional acabou trazendo maior volume de capital de grandes players para o bitcoin, assim como o legitimou ainda mais como um ativo financeiro de expressividade global.
Domínio do CME nos Derivativos de Bitcoin
Ao longo de 2024, o CME consolidou sua posição como o maior mercado de derivativos de Bitcoin. O aumento do interesse institucional foi evidente nos volumes recordes de futuros e na crescente participação de ETFs que usam o CME para hedgear suas exposições. As posições em aberto na CME ultrapassaram os US$ 21 bilhões, indicando que a participação institucional continua bastante alta, refletindo na tendência de preço.
O CME tornou-se um ponto de referência para precificação e liquidez, com muitos investidores vendo o mercado de derivativos como um indicador-chave para o comportamento de preços no mercado à vista. Esta tendência destaca a crescente interseção entre mercados tradicionais e o ecossistema de Bitcoin.
ETFs de Bitcoin superam ETFs de Ouro e corrida pelo verdadeiro ouro (digital) começa
Em dezembro de 2024, os ETFs de Bitcoin ultrapassaram os ETFs de ouro em ativos sob gestão nos EUA. Este marco histórico simboliza a transição de preferência dos investidores, refletindo a crescente confiança no Bitcoin como uma reserva de valor moderna. O ETF de ouro da BlackRock levou 20 anos para atingir US$ 33 bilhões em AUM, enquanto seu ETF de Bitcoin quase dobrou o AUM do ouro em menos de um ano.
A superação não foi apenas quantitativa, mas também simbólica. Ela representou uma mudança paradigmática, com o Bitcoin se firmando como um ativo essencial em portfólios diversificados. Este feito consolidou o status do Bitcoin como o “ouro digital”, atraindo ainda mais investidores institucionais para o mercado.
Perspectivas para 2025 no Bitcoin
É inegável que o ano de 2024 teve bastante atividade institucional e consagrou o bitcoin como um veículo legítimo dentro do portfólio de investidores comuns. A própria BlackRock chegou a recomendar uma alocação entre 2%-5% para seus clientes, revelando que ainda não vimos todo o potencial que este mercado tem para nos mostrar.
Com isso, poderemos esperar que o próximo ano ainda mantenha uma janela de oportunidade importante para os investidores que estiverem posicionados. Aqui vão alguns pontos que poderão ocorrer em 2025, mas que não devem ser considerados como previsões, apenas perspectivas que poderão se concretizar ou não:
- O início da administração Trump promete trazer um impacto positivo ao sentimento de mercado em relação aos ativos digitais. Espera-se que avanços regulatórios significativos ocorram, contribuindo para o crescimento e amadurecimento do setor cripto.
- Embora haja grandes expectativas para a adoção do Bitcoin como parte de uma estratégia de tesouraria nacional, é improvável que esse movimento ganhe forma nos primeiros meses do novo governo.
- Por outro lado, mais empresas de capital aberto listadas nas bolsas norte-americanas devem anunciar a adoção do Bitcoin como ativo estratégico em suas tesourarias, possivelmente superando o ritmo observado em 2024.
- Michael Saylor continuará sua agressiva estratégia de acumulação de Bitcoin, com novas captações via notas conversíveis previstas para o início de 2025. Essa abordagem deve consolidar ainda mais sua posição como um dos maiores defensores institucionais do ativo.
- A atividade on-chain também deve registrar um novo salto no começo do ano, indicando maior participação e volume no ecossistema. Contudo, essa movimentação pode se aproximar de zonas “perigosas”, alertando para possíveis excessos especulativos.
- O preço do Bitcoin tem potencial para superar os US$ 150.000 ainda no primeiro semestre de 2025, mas sinais de alerta sobre superaquecimento do mercado podem surgir em nossos modelos de análise. É esperado que o topo do mercado seja alcançado durante o ano de 2025, com os primeiros indícios de um ciclo de bear market emergindo no final do mesmo ano.
- No contexto global, a China deverá implementar uma política monetária expansiva com uma injeção significativa de liquidez ainda nos primeiros meses de 2025. Essa medida deve impulsionar a última grande corrida dos touros no mercado de Bitcoin.
- Por outro lado, o Federal Reserve pode ser forçado a adotar uma postura de liquidez mais restritiva caso os índices de inflação de preços apresentem uma nova alta ao longo do ano. Essa dinâmica poderá intensificar a correlação entre o ciclo de preços do Bitcoin e fatores macroeconômicos globais, ressaltando a dependência crescente do ativo em relação à liquidez global e às condições monetárias.
Conclusões
Este ano trouxe uma série de novos desafios para os estudiosos e investidores de Bitcoin, em grande parte devido às diversas evoluções que o mercado apresentou. No entanto, é inegável que recompensou aqueles que conseguiram compreender profundamente suas propriedades fundamentais.
Com uma rentabilidade extraordinária, o Bitcoin mais uma vez se consolidou como um investimento e uma ferramenta eficaz de preservação de capital e liberdade financeira. Essa perspectiva positiva deve se estender em 2025, à medida que mais empresas, instituições e estados compreendem o verdadeiro potencial do ativo.
Apesar do crescente otimismo, é necessário cautela diante de um cenário que pode indicar uma reversão de tendência em algum momento de 2025. Mesmo assim, as propriedades fundamentais do Bitcoin permanecem intactas, posicionando-o como um verdadeiro “buraco negro de liquidez”.
O Bitcoin continuará a atrair o prêmio monetário de diversos outros ativos, consolidando sua posição como a principal reserva de valor digital. Isso será sustentado pelo crescimento exponencial em sua adoção e utilização, enquanto o mercado global reconhece cada vez mais suas vantagens competitivas.
Por esse motivo, mantemos uma visão otimista para o futuro do ativo e de sua rede. Os investidores que ampliarem sua exposição ao Bitcoin e adotarem uma abordagem de baixa preferência temporal estarão bem posicionados para capturar os maiores benefícios dessa tendência. É importante lembrar que o Bitcoin é, acima de tudo, uma ferramenta de liberdade financeira, e que ainda está em seus estágios iniciais de adoção global, que devem se expandir de forma significativa nas próximas décadas.
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