Resumo
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Guerra tarifária dá sinais de encerramento, favorecendo uma recuperação inicial dos ativos de risco após meses de receios econômicos;
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Retomada do varejo no mercado cripto já começa a ser percebida, com destaque para os fins de semana, quando o investidor individual costuma ser mais ativo;
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ETFs de Bitcoin registraram mais de US$ 2 bilhões em entradas na última semana — parte significativa desse fluxo veio do varejo;
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Bitcoin se destaca frente aos ativos tradicionais desde a volta de Donald Trump ao cenário político, acumulando mais de 40% de valorização, enquanto ouro (+20%) e prata (+1,8%) ficaram bem atrás;
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Ethereum enfrenta críticas pela complexidade de sua estratégia de escalabilidade com segundas camadas, o que vem diluindo o papel do token ETH no ecossistema;
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Vitalik propõe substituir a EVM pela arquitetura RISC-V, buscando mais eficiência para tecnologias como zk-rollups, mas a transição deve levar anos;
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Próximo corte de juros nos EUA é mais provável para junho ou julho, com o FED ainda resistente, apesar da inflação medida pelo Truflation já estar em 1,42%, abaixo da meta de 2%;
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BTCs em exchanges caem para o menor nível em anos (2,4 milhões de unidades), reforçando a narrativa de escassez e ampliando o potencial de pressão de alta no preço;
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Capital institucional é o principal responsável pela atual onda de compras de Bitcoin, mas há espaço para uma nova onda do varejo nos próximos meses;
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Sinais claros de retomada do varejo também aparecem no desempenho de altcoins como SUI e Solana, que mostram crescimento de endereços ativos mesmo em um cenário ainda cauteloso.
Visão Geral
A guerra tarifária parece finalmente estar chegando ao fim — e com isso, começamos a ver as primeiras reações positivas nos ativos de risco, após meses marcados por incertezas em torno de uma possível recessão, dos impactos das tarifas nas principais economias globais e da política monetária dos EUA, onde o FED segue sob pressão do presidente Donald Trump.
Nesse novo cenário, já é possível notar um movimento inicial de retomada do varejo no mercado de criptoativos. E vale a pena ficar de olho nas altcoins durante o fim de semana, período em que o investidor de varejo costuma ser mais ativo, especialmente quando há sinais de melhora como os que estamos vendo agora.
Só na última semana, os ETFs de Bitcoin registraram entradas superiores a US$ 2 bilhões — boa parte desse capital veio justamente do varejo. Apesar disso, o fluxo ainda é tímido e a aversão ao risco está longe de desaparecer por completo. O índice de medo do mercado tradicional continua em zona de cautela, enquanto o equivalente no mercado cripto mostra um sentimento mais neutro.
Um fato que não pode ser ignorado: desde que Donald Trump voltou ao centro do noticiário político, o Bitcoin vem se destacando de maneira impressionante frente aos ativos tradicionais. Enquanto o ouro subiu cerca de 20% e a prata teve uma alta modesta de 1,8%, o Bitcoin já acumula valorização de mais de 40% no mesmo período.
Já os principais índices do mercado americano mostraram desempenho negativo: o Nasdaq caiu 4,5%, o S&P 500 recuou 5%, e até o EWZ — ETF que representa o mercado brasileiro — teve queda de 3%.
O caminho para o Bitcoin se consolidar como uma verdadeira reserva de valor ainda é longo, mas a adoção segue crescendo dia após dia, especialmente em momentos em que os investidores buscam proteção fora do sistema financeiro tradicional.
Ethereum em nova polêmica?
Warren Buffett costuma dizer: “é quando a maré baixa que vemos quem está nadando pelado”. E, nesse momento, a Ethereum parece estar justamente nessa situação desconfortável. Enquanto redes como Solana e Sui apostaram em escalabilidade nativa, transações baratas e uma arquitetura pensada para atrair novos usuários e desenvolvedores, a Ethereum optou por escalar através de soluções de segunda camada — o que trouxe desafios adicionais para o próprio token ETH.
O problema é que essas segundas camadas costumam vir acompanhadas de seus próprios tokens, o que fragmenta a economia do ecossistema e dilui o papel do token nativo da rede principal. Quem paga essa conta, no fim das contas, é o próprio ETH, que perde parte de sua centralidade no uso e na captura de valor.
Diante desse cenário, Vitalik Buterin voltou ao centro das discussões com uma nova proposta para tentar resolver os entraves da escalabilidade. A ideia agora é substituir a Ethereum Virtual Machine (EVM) — o “motor” que roda os contratos inteligentes da rede — por uma arquitetura mais moderna: a RISC-V, um padrão de código aberto já utilizado em processadores de última geração.
A EVM funciona como o “idioma” que permite que todas as tecnologias e dApps dentro da Ethereum se comuniquem. Mas, segundo Vitalik, esse idioma se tornou primitivo diante da evolução do ecossistema. O RISC-V, por sua vez, permitiria instruções mais complexas, mais eficientes e especialmente mais adequadas a novas tecnologias como as provas de conhecimento zero (zero-knowledge proofs), fundamentais para a escalabilidade via zk-rollups.
Essas provas — que permitem verificar transações com mínima exposição de informações — são extremamente promissoras, mas hoje enfrentam limitações dentro da EVM: são lentas e caras. Vitalik acredita que o RISC-V pode aumentar a eficiência desses processos em até 100 vezes. Ou seja, seria uma evolução que não apenas melhora a performance da rede, mas também abre caminho para um Ethereum mais privado, rápido e escalável.
Claro que essa transição não vai acontecer do dia para a noite. A proposta de Vitalik envolve um sistema híbrido, onde os contratos atuais da EVM continuariam funcionando, enquanto os novos contratos poderiam ser escritos diretamente na nova arquitetura. Isso preserva a compatibilidade com os milhares de dApps já existentes, mas também exige uma reconstrução profunda da infraestrutura da rede — algo que pode levar anos.
A questão que fica é: como o mercado vai precificar o token ETH nesse longo período de transição? A proposta técnica é ambiciosa e pode, de fato, resolver gargalos históricos da rede. Mas também evidencia que a Ethereum errou na estratégia de escalabilidade inicial, e agora tenta corrigir a rota no meio do caminho — enquanto concorrentes como Solana continuam entregando soluções mais diretas e usáveis no curto prazo.
Não por acaso, o reflexo já é visível no preço do ETH nos últimos meses, especialmente quando comparado com a performance de redes concorrentes. E agora, com mais uma proposta de mudança estrutural, Vitalik volta a deixar investidores inquietos, levantando dúvidas sobre o caminho da Ethereum nos próximos anos.
Cada vez mais próximo do corte de juros
Junho continua sendo, neste momento, a maior probabilidade de corte de juros no curto prazo. Caso não ocorra nesse mês, o movimento deve ficar para julho. De qualquer forma, estamos cada vez mais próximos desse momento — e isso tende a impulsionar o fluxo de capital para ativos de risco, beneficiando especialmente o Bitcoin e, em um segundo momento, o mercado cripto como um todo.
A próxima reunião de política monetária do FED acontece no dia 7 de maio, ou seja, em 12 dias. Nela, Jerome Powell pode finalmente sinalizar com mais clareza o que esperar das próximas decisões. Aqui no BlockTrends, acreditamos que o FED já está atrasado nesse movimento. No entanto, dificilmente Powell irá reconhecer isso publicamente — o mais provável é que volte a reforçar a necessidade de mais dados para avaliar o cenário econômico dos EUA.
Por ora, a chance de um corte na reunião de maio é bastante baixa. O mercado precifica 91% de probabilidade de manutenção da taxa atual.
Mas há um dado relevante fora do radar tradicional do FED: o Truflation, indicador que mede a inflação com dados em tempo real, mostra que a inflação dos EUA está atualmente em 1,42%, abaixo da meta de 2% do próprio FED. O problema é que os dados usados pelo banco central têm um atraso de pelo menos 60 dias em relação ao Truflation. Isso significa que o corte de juros está cada vez mais próximo — e pode muito bem começar nos próximos meses.
Bitcoin acabando nas Exchanges?
Atualmente, segundo dados da CryptoQuant, há cerca de 2,4 milhões de BTCs nas principais corretoras do mundo — o menor nível dos últimos anos. Esse movimento reforça a narrativa de escassez, já que a quantidade de Bitcoins disponíveis para negociação vem diminuindo de forma consistente.
Boa parte dos investidores de varejo ainda utiliza as corretoras como forma de custódia, sem recorrer à autocustódia. Ou seja, o número real de BTCs disponíveis para venda é ainda menor do que os dados on-chain sugerem.
Esse cenário de escassez está sendo intensificado pela entrada de capital institucional. A maior parte da demanda atual por Bitcoin vem de grandes players: empresas, fundos de pensão, fundos soberanos e investidores institucionais que buscam alocação estratégica no ativo. E esse movimento tende a se acelerar nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, há espaço para um novo ciclo de entrada do varejo, principalmente com a redução da aversão ao risco e o aumento da visibilidade do Bitcoin como ativo de longo prazo. Se esse movimento se confirmar, veremos ainda menos BTCs nas corretoras — o que pode pressionar ainda mais o preço para cima.
É importante lembrar que esse indicador mostra a quantidade de Bitcoin em unidades, e não em valor em dólar. Ou seja, mesmo que a demanda diminua em ritmo, a oferta restrita tende a sustentar — ou até elevar — os preços no médio prazo.
Os primeiros sinais claros do varejo
O primeiro é uma das melhores semanas de 2025 em termos de entrada de capital nos ETFs de Bitcoin, com compras sendo registradas em todas as gestoras — de BlackRock a Grayscale. Isso indica, com clareza, que parte relevante desse fluxo está vindo do investidor de varejo, que aos poucos volta a buscar exposição ao ativo.
O segundo sinal é o retorno das fortes valorizações nas altcoins. A SUI, por exemplo, voltou a ganhar tração, assim como todo o seu ecossistema. Mesmo em um mês desafiador para a atividade on-chain, o número de endereços ativos na rede continua crescendo, o que demonstra uma retomada de interesse orgânico.
No caso da Solana, também observamos uma leve recuperação no número de endereços ativos. Apesar de ainda estar distante do pico registrado durante o hype da memecoin ligada a Donald Trump, o movimento indica uma melhora gradual no engajamento da rede.
Vale destacar que, apesar desses sinais positivos, o mercado ainda não entrou em clima de euforia. Pelo contrário: a cautela permanece, o que é um ambiente saudável para ativos de risco. Esse equilíbrio entre retomada e prudência tende a favorecer movimentos de alta mais sustentáveis nos próximos meses.
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