Resumo
👉 Blockchains analisadas: A comparação foca nas redes Ethereum, Solana, Tron, BNB Chain, Near e TON, que se destacam pela maior usabilidade;
👉 Endereços ativos: A Solana lidera com uma média de 3,8 milhões de endereços ativos diários, seguida por Near (3,2 milhões) e Tron (2,1 milhões);
👉 Número de transações: Solana é a blockchain com maior número de transações nos últimos 30 dias, registrando quase 1,5 bilhão. Tron, Near e BNB Chain vêm logo atrás;
👉 Total de Valor Bloqueado (TVL): Ethereum domina esse indicador com US$46 bilhões em TVL, muito à frente da segunda colocada, Tron, com US$8,2 bilhões;
👉 Volume em corretoras descentralizadas (DEXs): Ethereum também lidera o volume negociado em DEXs com US$64,5 bilhões, mas Solana está se aproximando, com US$50 bilhões;
👉 Desempenho da TON e Near: Apesar do crescimento recente, a TON e a Near ainda apresentam métricas on-chain relativamente baixas, especialmente no TVL e volume em DEXs;
👉 Desafios de escalabilidade da Ethereum: A Ethereum está se tornando mais escalável por meio de soluções de segunda camada, mas a rede principal ainda enfrenta altos custos de transação;
👉 Foco da Solana em escalabilidade: Solana priorizou a escalabilidade desde o início, resultando em mais transações a baixo custo, mas enfrentou falhas de segurança e interrupções na rede.
Entre as maiores blockchains do mercado de criptomoedas, podemos observar alguns dados on-chain que mostram quais são as redes mais utilizadas nos últimos 30 dias. Para isso, é possível analisar métricas como número de transações diárias, valor total bloqueado (TVL), número de endereços ativos, volume nas corretoras descentralizadas e nível de descentralização. Esses dados ajudam a identificar as blockchains que vêm se destacando e aquelas que estão perdendo relevância ao longo do tempo.
Neste relatório, o Bitcoin foi excluído, por ser a criptomoeda mais descentralizada, possuir características particulares e ser o maior ativo do mercado. A blockchain da Cardano também foi retirada da análise por apresentar um desempenho inferior em relação às demais blockchains, mesmo estando entre as 12 maiores criptomoedas do mercado.
A comparação será feita entre Ethereum, Solana, Tron, BNB Chain, Near e Ton, redes que atualmente se destacam pelo maior nível de usabilidade. Os dados a seguir refletirão o desempenho dessas blockchains.
Qual a blockchain com maior número de endereços ativos?
Atualmente, a Solana é a maior blockchain em termos de endereços ativos, com uma média diária de 3,8 milhões, demonstrando uma ampla utilização da rede. A segunda maior é a NEAR, que conta com uma média de 3,2 milhões de endereços ativos por dia. Em seguida, temos a Tron, criada por Justin Sun e amplamente utilizada na China, com 2,1 milhões de endereços.
A BNB Chain, usada para projetos de Web3 pela Binance, registra cerca de 840 mil endereços ativos diariamente. A TON, impulsionada por um forte movimento de airdrops, está em franco crescimento, chegando a 786 mil endereços ativos. Por fim, a rede principal da Ethereum, excluindo as soluções de segunda camada, possui 351 mil endereços ativos diários.
Qual a maior blockchain em número de transações?
A Solana se destacou nesse indicador também, como a rede mais utilizada no mercado cripto, registrando quase 1,5 bilhão de transações nos últimos 30 dias. Em segundo lugar ficou a TRON, criada por Justin Sun, com 296 milhões de transações, seguida pela NEAR, com 268 milhões, e pela BNB Chain, com 138 milhões de transações.
A TON também apresentou um volume expressivo, com 70 milhões de transações, enquanto a Ethereum, ficou com 45 milhões.
Qual a blockchain com maior TVL?
O Indicador de Total de Valor Bloqueado (TVL) é um dos mais importantes do mercado de criptomoedas, pois mostra quanto capital está alocado em uma rede, permitindo que o investidor ou participante atue como validador. Nesse aspecto, a Ethereum está muito à frente das outras blockchains, principalmente por ser uma das criptomoedas que mais se provaram ao longo do tempo. Sua rede é considerada mais segura do que as demais, e no contexto do trilema das blockchains – que envolve segurança, escalabilidade e descentralização – a Ethereum prioriza a segurança e a descentralização. No entanto, o ponto fraco acaba sendo a escalabilidade, já que um dos três elementos do trilema tende a ser menos robusto.
Atualmente, a Ethereum possui cerca de US$46 bilhões bloqueados, enquanto a segunda maior rede, a Tron, tem apenas US$8,2 bilhões. A Solana, por sua vez, possui um TVL que representa pouco mais de 10% do total da Ethereum, com aproximadamente US$4,7 bilhões. Em seguida, vem a BNB Chain, com US$4,1 bilhões. Já a TON e a Near, somadas, não chegam a US$500 milhões em TVL, sendo redes com relevância bem menor nesse indicador.

Qual rede tem mais Volume em Corretoras Descentralizadas?
Esse indicador revela o volume em dólares negociado dentro de corretoras descentralizadas (DEXs), como Aave, Uniswap, Pancakeswap, Raydium, entre outras. Durante anos, a Ethereum dominou o setor de DeFi, mas já é possível observar que a Solana está competindo de forma agressiva e ganhando cada vez mais participação de mercado.
Nos últimos 30 dias, a Ethereum registrou um volume negociado de US$64,5 bilhões, enquanto a Solana alcançou US$50 bilhões, evidenciando o crescimento acelerado dos protocolos DeFi e o aumento de sua usabilidade. A terceira maior blockchain em volume nas DEXs foi a BNB Chain, com US$25 bilhões, seguida pela Tron, com US$4,2 bilhões, e pela TON, com US$1,7 bilhões.
No entanto, a Near apresenta um volume relativamente baixo, com menos de US$210 milhões, e seus protocolos DeFi não são amplamente conhecidos, além de sua rede não ser compatível com os principais protocolos do mercado.

O Trilema das blockchains dentro da Ethereum
Ao analisar essas principais métricas, fica claro que as grandes protagonistas do mercado atualmente são a Ethereum e a Solana. Embora a Near e a TON estejam registrando um crescimento significativo, suas usabilidades ainda são limitadas em comparação, embora possam continuar se expandindo nos próximos meses. A BNB Chain se destaca principalmente por sua ligação com a Binance, enquanto a Tron mantém uma forte presença no mercado oriental e apresenta consistência em suas métricas on-chain.
A principal questão gira em torno de Ethereum e Solana, que adotam abordagens completamente diferentes em relação ao trilema das blockchains. Cada uma explora esse equilíbrio entre segurança, escalabilidade e descentralização de maneira única. Atualmente, a Ethereum está se tornando mais escalável por meio de suas soluções de segunda camada, mas a rede principal ainda enfrenta desafios de escalabilidade e altos custos de transação, embora esses problemas sejam menos acentuados em comparação aos anos anteriores.
O ponto forte da Ethereum continua sendo sua segurança, com um histórico de pouquíssimas falhas desde sua criação, em 2013. No conceito geral, a Ethereum prioriza a segurança em detrimento da escalabilidade, permitindo que suas redes de segunda camada absorvam o tráfego transacional, enquanto mantém a rede principal segura.
O Trilema das blockchains na Solana
A Solana adota uma abordagem diferente das demais blockchains. Seu maior ponto fraco ainda é a segurança, pois, ao longo dos anos, sofreu 11 interrupções na rede, além de bugs corrigidos por atualizações. Essas falhas estão relacionadas, principalmente, à sua alta escalabilidade. O volume excessivo de transações na rede resultou em instabilidades, que a levaram a sair do ar.
Com o tempo, a Solana corrigiu esses problemas e aprimorou sua rede, mas é evidente que seu foco inicial não foi a segurança, e sim a escalabilidade—priorizando um grande número de transações a um baixo custo. No futuro, é possível que a Solana se torne mais segura do que a Ethereum, embora essa ainda não seja a percepção dominante.
Nesse cenário, as principais blockchains do mercado continuarão a ver grandes movimentações. A questão central será se a rede líder no mercado Web3 será a mais segura ou a mais escalável, uma disputa que poderá se estender por anos. No entanto, a adoção de redes já está em curso, e a Solana oferece, no momento, uma melhor relação custo-benefício.




