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Macro retorna aos holofotes

Com uma dinâmica mista de novas injeções de liquidez na China e uma inflação crescente nos EUA, cenário macro se torna o principal driver no Bitcoin

Resumo

  • 👉 O mercado global enfrenta um cenário de forças econômicas conflitantes, influenciado por liquidez na China e pressões inflacionárias nos EUA;
  • 👉 O Banco Popular da China realizou em janeiro de 2025 uma injeção recorde de 958,4 bilhões de yuans para estabilizar sua economia e lidar com desafios como a crise imobiliária e a desaceleração do consumo;
  • 👉 Essas injeções de liquidez na China historicamente beneficiaram ativos alternativos como o Bitcoin, impulsionando valorização durante períodos de alta liquidez global;
  • 👉 Nos EUA, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu para 2,9% em dezembro de 2024, enquanto o Índice de Preços ao Produtor (PPI) indicou moderação, criando um cenário misto para decisões do Federal Reserve;
  • 👉 Políticas monetárias mais rígidas nos EUA podem restringir a liquidez, afetando o desempenho do Bitcoin, embora o ativo tenha mostrado resiliência em períodos de escassez de liquidez;
  • 👉 O Bitcoin permanece correlacionado à base monetária global (M2), com períodos de expansão monetária historicamente associados à valorização do ativo;
  • 👉 Entre 2023 e 2025, o BTC/M2 Ratio subiu consistentemente, indicando maior relevância do Bitcoin como reserva de valor no cenário econômico global;
  • 👉 O indicador SOPR mostra capitulação entre investidores de curto prazo, enquanto holders de longo prazo estão reduzindo vendas, sugerindo um mercado em transição para acumulação;
  • 👉 Dados on-chain apontam para uma diminuição significativa na pressão de venda, favorecendo uma possível reversão de tendência positiva no curto prazo;
  • 👉 O Bitcoin Horizon Model projeta um preço potencial de US$ 153.000, indicando espaço para crescimento e possibilidade de atingir o topo do ciclo em 2025;
  • 👉 A nova administração Trump pode trazer um ambiente regulatório mais favorável, impactando positivamente a estrutura de mercado do Bitcoin;
  • 👉 O comportamento on-chain combinado com fatores macroeconômicos sugere que o Bitcoin está bem posicionado para capturar fluxos de capital quando a liquidez global estabilizar.

Introdução

O mercado financeiro global encontra-se em um momento decisivo, onde forças econômicas conflitantes moldam o cenário de liquidez e os impactos nos ativos alternativos, como o Bitcoin. A intensificação das injeções de liquidez pelo Banco Popular da China (PBoC), em conjunto com as pressões inflacionárias nos Estados Unidos e as respostas do Federal Reserve, estão redesenhando as dinâmicas de alocação de capital.

Os dados on-chain do Bitcoin, aliados às tendências macroeconômicas, oferecem uma perspectiva única sobre como esses fatores estão interligados. Enquanto a liquidez chinesa alimenta um ambiente global mais favorável, a possível restrição de liquidez nos EUA pode agir como um contraponto, testando a resiliência de ativos especulativos e a confiança dos investidores.

Neste relatório, exploramos como essas variáveis se entrelaçam, avaliando não apenas o impacto direto da liquidez global no Bitcoin, mas também como indicadores on-chain, como o SOPR e a distribuição de lucros por idade, apontam para uma possível transição de mercado.

Vamos lá!

 

Banco Central chinês “desesperado” por mais liquidez

O Banco Popular da China (PBoC) tem intensificado suas operações de liquidez por meio de instrumentos como reverse repos e empréstimos de médio prazo (MLF). Em janeiro de 2025, o PBoC realizou uma das maiores injeções de liquidez da história, alcançando 958,4 bilhões de yuans (US$ 131 bilhões). Essa operação teve como objetivo combater a maturidade de instrumentos financeiros anteriores, reequilibrar a alta demanda por liquidez antes do feriado de Ano Novo Lunar e lidar com os desafios econômicos internos.

Entre esses desafios estão a desaceleração do consumo, a crise no setor imobiliário e as pressões deflacionárias, algo que já abordamos anteriormente no BlockTrends PRO. Essas ações refletem a preocupação das autoridades chinesas em estabilizar o sistema financeiro e sustentar a atividade econômica, em um contexto de crescentes pressões geopolíticas e dificuldades estruturais.

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Em março de 2020, durante o início da pandemia de COVID-19, o PBoC realizou uma injeção massiva de liquidez, que ultrapassou US$ 100 bilhões. Esse período foi marcado por uma recuperação significativa no preço do Bitcoin, que saltou de menos de US$ 5.000 para mais de US$ 20.000 ao final do ano. Este evento destacou a conexão indireta entre liquidez global e ativos alternativos, como o Bitcoin, que se tornaram atrativos para investidores buscando proteção contra instabilidades financeiras.

Nos anos seguintes, entre 2021 e 2023, houve uma frequência elevada de injeções, refletindo os desafios econômicos enfrentados pela China. Durante esse período, o setor imobiliário chinês, que inclui casos como o da Evergrande, enfrentou crises severas que levaram a uma retração no investimento e ao enfraquecimento do consumo interno. As injeções do PBoC, muitas vezes entre US$ 80 e 100 bilhões, sustentaram a liquidez no sistema financeiro, mas também demonstraram os limites de sua eficácia em revitalizar o crescimento econômico.

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Em dezembro de 2023 e janeiro de 2025, as injeções de liquidez atingiram volumes significativos, acompanhando o Bitcoin em sua trajetória de alta, com o preço do ativo alcançando valores próximos a US$ 97.000. Esse movimento reforça a tese de que, em um ambiente de alta liquidez global, ativos alternativos como o Bitcoin se beneficiam diretamente, mesmo em mercados com regulações severas contra criptomoedas, como a China.

As políticas de liquidez do PBoC têm efeitos globais indiretos, influenciando significativamente o comportamento dos mercados de ativos alternativos. A expansão de liquidez global estimula a busca por proteção contra instabilidades econômicas e desvalorizações de moedas fiduciárias, fazendo do Bitcoin um destino atrativo para capital especulativo.

Historicamente, períodos de alta liquidez, como em 2020 e 2023, coincidiram com ciclos de valorização no mercado de criptomoedas. Isso sugere que o aumento da disponibilidade de recursos financeiros cria um ambiente favorável para ativos como o Bitcoin, que são percebidos como reservas de valor e proteção contra riscos sistêmicos.

Embora o governo chinês tenha proibido oficialmente o uso e a negociação de criptomoedas desde 2021, a influência das políticas monetárias do país no mercado global permanece evidente. A interconexão entre a economia chinesa e os mercados globais torna impossível dissociar os impactos das decisões do PBoC sobre o desempenho de ativos financeiros em outras regiões, incluindo o mercado de criptomoedas.

A economia chinesa, enfrentando desafios estruturais como a crise imobiliária e a desaceleração do consumo interno, tem exigido intervenções cada vez mais frequentes do PBoC. Empresas do setor imobiliário, como a Evergrande, continuam em dificuldades, gerando um efeito cascata que afeta a confiança do mercado e reduz o apetite por crédito. Apesar de cortes nas taxas de juros e aumento da oferta de crédito, a demanda reprimida indica que medidas fiscais adicionais podem ser necessárias para estimular a economia real.

 

Temores de inflação nos EUA dificulta maior liquidez, mas CPI alivia

Em dezembro de 2024, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou um aumento anual de 2,9%, superior aos 2,7% observados em novembro, marcando o maior incremento desde julho. Por outro lado, a inflação subjacente (Core CPI), que exclui os voláteis preços de alimentos e energia, apresentou uma leve desaceleração, passando de 3,3% para 3,2%.

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Paralelamente, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) aumentou 0,2% em dezembro, abaixo da previsão de 0,4%, indicando uma moderação nos custos de produção. No acumulado de 2024, o PPI registrou uma inflação de 3,3%, comparada a 1,1% em 2023.

Esses indicadores sugerem que, embora a inflação ao consumidor tenha acelerado ligeiramente, as pressões inflacionárias subjacentes estão se estabilizando. Essa dinâmica pode influenciar as decisões do Federal Reserve (Fed) em relação à política monetária. Com a inflação ainda acima da meta de 2%, o Fed pode optar por manter ou até aumentar as taxas de juros para conter a inflação, o que restringiria a liquidez no mercado.

Historicamente, o Bitcoin tem se beneficiado de ambientes de alta liquidez, onde investidores buscam ativos alternativos para diversificar seus portfólios. No entanto, com a possibilidade de políticas monetárias mais rígidas nos EUA, o fluxo de capital para o Bitcoin pode ser afetado. Além disso, a recente valorização do Bitcoin, que ultrapassou US$ 98.000, pode enfrentar resistência caso a liquidez se torne mais escassa devido a medidas do Fed para controlar a inflação.

Em resumo, os dados recentes de inflação nos EUA indicam uma possível continuidade de políticas monetárias restritivas pelo Fed, visando controlar a inflação. Essa postura pode reduzir a liquidez no mercado financeiro, impactando negativamente o desempenho de ativos como o Bitcoin, que dependem de um ambiente de liquidez abundante para sustentar sua valorização.

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Por outro lado, é importante lembrar que mesmo com a liquidez restrita desde o ano passado, o bitcoin continuou subindo. Isto nos indica que a dominância de outros fatores de liquidez permanecem de alta importância.

Como podemos ver em nosso indicador de liquidez do FED, a dinâmica permanece mista e fez uma recuperação significativa após a queda no final de dezembro. Esta dinâmica de normalização das condições de liquidez na economia norte-americana pode ter evitado um cenário de aversão ao risco maior, embora se mantenha relativamente restrita ao compararmos com os últimos 12 meses.

 

Bitcoin permanece altamente correlacionado com liquidez global

O Bitcoin apresenta uma relação interessante com a base monetária global (M2), algo já bastante discutido em nossos relatórios. Em períodos de expansão significativa do M2, como ocorreu em 2020-2021 durante a pandemia de COVID-19, o Bitcoin teve um aumento expressivo de preço.

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Essa alta, no entanto, não foi acompanhada de um crescimento tão proporcional no BTC/M2 Ratio, o que indica que o ativo não ganhou tanta relevância econômica real nesse período. O aumento foi reflexo da liquidez abundante no sistema financeiro, mostrando que o crescimento nominal do Bitcoin estava alinhado com a inflação monetária global, mas não representava uma valorização em termos de adoção.Macro retorna aos holofotes

Em contrapartida, entre o final de 2023 e 2025, o comportamento do Bitcoin mostrou sinais de crescimento real. Mesmo em um ambiente de políticas monetárias restritivas, com desaceleração do M2 global, o BTC/M2 Ratio aumentou de forma consistente, chegando a ultrapassar os 1,9%.

Esse movimento reflete um ganho de relevância do Bitcoin em relação à economia global, sugerindo que a adoção como reserva de valor e hedge contra desvalorização de moedas fiduciárias contribuiu para sua valorização além das condições macroeconômicas tradicionais.

Durante 2022, em um cenário de contração monetária com alta de juros globais, o preço do Bitcoin caiu significativamente. Esse desempenho fraco evidencia sua dependência de liquidez no sistema financeiro, levantando dúvidas sobre sua capacidade de operar como um ativo completamente desvinculado das dinâmicas macroeconômicas.

Contudo, sua recuperação em 2023, mesmo com um M2 estável, sugere uma transição para um crescimento mais fundamentado, possivelmente impulsionado por adoção institucional e maior percepção de valor intrínseco.

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O BTC/M2 Ratio é uma métrica essencial para avaliar a relevância do Bitcoin, que pode ser aplicada utilizando a variação de 30 dias na capitalização do BTC e a Oferta Monetária Global M2. Quando o rácio cresce, o ativo está capturando uma parcela maior da economia global, como foi observado em 2023-2025. Já quando o crescimento do Bitcoin acompanha o M2 de forma proporcional, como em 2020-2021, ele apenas reflete a inflação monetária sem um avanço significativo em termos de relevância econômica.

Essas análises mostram que o Bitcoin se beneficia de expansões monetárias, mas também pode crescer de forma independente, ganhando relevância no cenário econômico global. A transição do Bitcoin de um ativo dependente de liquidez para um instrumento financeiro com valor intrínseco está em curso, e os próximos anos serão cruciais para consolidar sua posição como reserva de valor global.

O acompanhamento contínuo do BTC/M2 Ratio será fundamental para distinguir crescimento real de crescimento inflacionário e avaliar a maturidade do Bitcoin como ativo financeiro.

 

Distribuição on-chain reduz e sinais de esgotamento de vendas aparecem

O indicador SOPR para holders de curto prazo traz uma leitura essencial sobre o comportamento do mercado atual. Quando fica abaixo de 1, sinaliza que investidores estão vendendo em prejuízo; acima de 1, indica realização de lucros. Atualmente, o SOPR de curto prazo caiu novamente para a faixa abaixo de 1, sugerindo capitulação entre investidores menos experientes, algo que já vimos ocorrer antes.

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Em outros momentos, capitulações como essa marcaram o final de fases de distribuição, abrindo caminho para ciclos de acumulação e posterior alta. A coincidência entre essa queda e a estabilidade recente no preço do Bitcoin sugere que o mercado está alcançando um ponto de equilíbrio após as realizações de investidores mais antigos.

Ao mesmo tempo, a distribuição de lucros realizada por idade das moedas revela um comportamento semelhante. Investidores que mantinham moedas há mais de seis meses diminuíram drasticamente suas vendas, enquanto os mais novos, com moedas mantidas por menos de seis meses, seguem capitulando.

Esse padrão é comum em ciclos de mercado: os investidores experientes vendem em alta, enquanto os novatos compram no topo e são pressionados a vender em baixa. O volume geral de realização de lucros caiu significativamente, especialmente entre as moedas mais antigas, sugerindo que as vendas de longo prazo já não exercem tanta pressão sobre o mercado.

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Esses dados apontam para um mercado em transição. A capitulação dos investidores mais novos frequentemente sinaliza que o pior da correção pode ter passado, criando condições para uma eventual reversão de tendência.

 

Conclusões

A atual redução na pressão vendedora está favorecendo bastante a tendência de preços, principalmente após dados alinhados com a expectativa do mercado em relação a inflação nos EUA. Contudo, o ambiente macroeconômico global ainda desempenhará um papel mais decisivo.

As pressões inflacionárias nos EUA, somadas às políticas monetárias mais restritivas, podem limitar a liquidez global e adicionar desafios para o resto do ano. Algo que já esperávamos ao rastrearmos a estrutura de ciclo no Bitcoin.

Mesmo assim, o comportamento on-chain sugere que o Bitcoin está bem posicionado para capturar novos fluxos de capital assim que o cenário macroeconômico estabilizar. A diminuição na pressão de venda, aliada à entrada de novos participantes durante fases de acumulação, cria um ambiente propício para uma possível reversão positiva de curto prazo.

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Além disso, o Bitcoin Horizon Model permanece indicando que temos espaço para crescer nos próximos meses e o indicador já subiu para a faixa dos US$ 153 mil, sinalizando que ainda devemos nos manter posicionados no mercado. A probabilidade para atingirmos um topo de ciclo este ano são bastante altas, embora não possamos saber com exatidão o número final para o preço do bitcoin.

Uma série de fatores poderá impactar bastante na estrutura de mercado dos próximos meses, principalmente com a nova administração Trump trazendo um cenário regulatório mais favorável. Na próxima semana avaliaremos como estes fatores políticos poderão afetar a esturutra do ciclo, mas até lá, nos manteremos focados em dados econômicos e rastreando essa tentativa de recuperação no BTCUSD.

 

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