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Inflação, Tarifas e os últimos suspiros de queda

Tanto o Bitcoin quanto o mercado de criptoativos estão fortemente influenciados pelo cenário macroeconômico e devem permanecer assim nas próximas semanas.

Resumo

  • O mercado de criptomoedas está fortemente influenciado pelo cenário macroeconômico, com altcoins em queda desde dezembro;
  • O S&P 500 e o Nasdaq também operam em baixa, indicando um possível fundo de mercado para o Bitcoin e as altcoins;
  • O Truflation aponta uma inflação de 1,34% nos EUA, abaixo da meta do FED, o que pode levar a cortes de juros nos próximos 90 dias;
  • O mercado tende a antecipar cortes de juros, tornando as próximas semanas cruciais para a mudança de sentimento dos investidores;
  • Indicadores tradicionais como CPI e PPI não refletem com precisão a inflação real, afetando a percepção do poder de compra;
  • A queda nos preços do petróleo (WTI) e de alguns alimentos nos EUA reforça a validade dos dados do Truflation;
  • O Índice de Medo e Ganância atingiu nível de extremo medo, o que historicamente representa uma oportunidade de compra no longo prazo;
  • Todos os setores das criptomoedas sofreram quedas, incluindo RWA, com ativos como MakerDAO e Solana atingindo preços atrativos;
  • O risco de recessão nos EUA é um fator crítico para o mercado, podendo gerar volatilidade extrema no curto prazo;
  • No longo prazo, a melhor estratégia continua sendo maior exposição ao Bitcoin e menor alocação em altcoins.

Visão Geral

É impossível, neste momento, abordar o movimento das criptomoedas sem falarmos de macroeconomia. As altcoins vêm sofrendo desde dezembro, quando atingimos o último pico de euforia no mercado. Ativos do mercado tradicional, como o S&P 500 e o Nasdaq, também estão operando em queda.

O cenário atual aponta que estamos muito próximos de um fundo de mercado, tanto para o Bitcoin quanto para as altcoins. Por isso, é importante entender os próximos passos da política monetária dos EUA e até que ponto o risco de uma recessão pode impactar o mercado.

Estamos em um cenário muito parecido com o de agosto de 2024, porém com uma estrutura de mercado que pode levar um pouco mais de tempo para ser ultrapassada. Tudo isso dependerá dos juros nos EUA, da inflação e, claro, das tão citadas tarifas de Donald Trump.

Inflação, Tarifas e os últimos suspiros de queda

 

Truflation

Enquanto os recentes dados apontaram abaixo da expectativa do mercado, o Truflation mostrou ser o indicador que conseguiu captar esse reflexo com antecedência.

Atualmente o Truflation aponta para uma taxa de inflação nos EUA de 1,34%, o que estaria bem abaixo da meta do FED (sim, um orgão governamental tem uma meta para desvalorizar o seu dinheiro), se esse movimento continuar poderemos ver os dados de Abril e Maio já vindo mais em linha e Jerome Powell será obrigado a cortar juros dentro dos próximos 90 dias.

Com isso, o mercado caminha para suas últimas semanas de sentimento negativo, tendo em vista que a liquidez virá para o mercado de ativos de risco e isso já pode ser antecipado ou na próxima semana no dia 19 de Março ou no dia 07 de Maio que será a próxima reunião de Política Monetária do FED.

O mercado costuma antecipar esse movimento, então antes de termos um corte de juros, o sentimento já começa a se modificar e os ativos já começam a ser precificados tendo em vista esses fatores.

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A Inflação dos EUA realmente está caindo?

Um ponto que precisa ser abordado é que tanto o CPI quanto o PPI não representam a inflação real dos EUA. Eles são cestas de ativos que refletem, de forma pouco precisa, o quanto a população de um determinado país perdeu de poder de compra.

Um exemplo que pode ser citado para os brasileiros é a questão do Big Mac. Se analisarmos o aumento de preços do Big Mac de 1998 até 2025, teríamos uma inflação acumulada de aproximadamente 778%, enquanto a inflação do IPCA no mesmo período foi de 385%.

Somente esse fato já demonstra que a inflação medida pelo governo (CPI, PPI, IPCA) não é a mesma inflação que impacta diretamente o bolso da população. Além disso, há outros fatores a serem considerados, como a queda na qualidade dos alimentos utilizados no Big Mac, a diminuição do tamanho do sanduíche e assim por diante.

Inflação, Tarifas e os últimos suspiros de queda

Por outro lado, alguns itens que compõem a cesta de consumo da população dos EUA realmente mostram uma queda no momento atual, como o próprio petróleo e a dúzia de ovos. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), um dos principais tipos usados como referência no mercado global, é um exemplo disso.

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O WTI é um petróleo leve, com baixo teor de enxofre, tornando-o ideal para a produção de gasolina e outros produtos refinados de alta qualidade. Com a queda no preço do WTI, há um efeito secundário que reduz o preço da gasolina, o que, por sua vez, impacta o custo dos alimentos nos EUA.

Portanto, neste momento, a queda nos preços de alguns alimentos e do WTI reforça a precisão dos dados apresentados pelo Truflation.

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O Índice de Medo e Ganância

Pela primeira vez desde a criação do gráfico de Fear and Greed pelo CoinMarketCap, em junho de 2023, o mercado atingiu o nível de extremo medo. Esse fator reflete tanto a atual aversão ao risco quanto a falta de previsibilidade gerada pelas novas medidas econômicas de Donald Trump.

Até que ponto as tarifas podem impactar o mercado?

Esse é um tema que provavelmente será bastante discutido na próxima reunião do FED, adicionando ainda mais incerteza ao cenário atual. No entanto, uma coisa é certa: no médio e longo prazo, sempre que o índice de medo e ganância atinge a faixa laranja — e, desta vez, até a faixa vermelha —, isso historicamente tem representado uma oportunidade para investidores com um horizonte temporal mais amplo.

Inflação, Tarifas e os últimos suspiros de queda Inflação, Tarifas e os últimos suspiros de queda

Os setores do mercado de criptomoedas

Atualmente, todos os setores do mercado de criptomoedas vêm sofrendo um movimento de queda, tanto no gráfico de 3 meses quanto no gráfico de 1 mês. O setor de RWA, que por muito tempo foi um dos poucos a se manter positivo, também entrou em queda, com ativos como MakerDAO, Ondo e Mantra.

Esse cenário evidencia o impacto que o mercado vem sofrendo nos últimos meses. No entanto, os preços desses ativos entram em uma faixa atrativa para quem tem uma visão de médio prazo. A própria Solana continua sendo a principal blockchain em número de transações e endereços ativos e, no preço atual de 125 dólares, se torna um ativo interessante para quem busca posicionamento estratégico.

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O Risco de Recessão

Um dos maiores riscos do mercado hoje é o risco de recessão, o que pode impactar ainda mais o mercado de criptomoedas. Se a recessão nos EUA realmente acontecer, veremos um dos mercados mais irracionais no curto prazo, e esse é o grande risco que o investidor de criptomoedas enfrenta atualmente. Por outro lado, se o cenário for o oposto e a economia evitar a recessão, haverá uma redução nas posições vendidas e no vencimentos de PUTs no mercado tradicional (que estão no maior volume dos últimos anos), impulsionando uma reação positiva.

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No patamar atual, já se configura uma grande janela de oportunidades. Se o seu foco for o longo prazo, a estratégia ideal é manter uma exposição maior ao Bitcoin e uma parcela menor em altcoins.

Sobre o autor
BlockTrends
A BlockTrends e a edtech de criptoativos do grupo QR Capital. Produz analises sobre mercado cripto, financas, tecnologia e economia, conectando dados a contexto editorial.