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Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

A redução de incertezas econômicas renovou a demanda compradora no bitcoin, mas grandes players são os verdadeiros catalisadores da alta atual.

Resumo

  • 👉 A inflação nos EUA desacelerou significativamente, com o CPI em 2,31% e o núcleo em 2,78%, abrindo espaço para flexibilização monetária;
  • 👉 A atividade econômica americana mostra sinais de estagnação, com crescimento real próximo de zero e consumo em desaceleração;
  • 👉 Indicadores como Redbook, OpenTable e Box Office reforçam o comportamento mais cauteloso do consumidor;
  • 👉 O mercado de trabalho segue estável, mas com queda nos anúncios de vagas e enfraquecimento da arrecadação de impostos, sinalizando desaquecimento no emprego;
  • 👉 A expectativa de corte de juros pelo Fed cresce diante do cenário de inflação controlada e atividade moderada;
  • 👉 Juros mais baixos tendem a beneficiar ativos de risco e impulsionar a busca por alternativas como o Bitcoin;
  • 👉 A alta do Bitcoin em 2025 é puxada principalmente por empresas e fundos institucionais, não pelo varejo;
  • 👉 Dados da River mostram que indivíduos venderam 247 mil BTCs, enquanto empresas compraram 157 mil e fundos adicionaram 49 mil;
  • 👉 O volume nas exchanges está em tendência de queda, mesmo com o preço do Bitcoin próximo da máxima histórica;
  • 👉 O MVRV de holders de curto prazo mostra que ainda não houve realização significativa de lucros;
  • 👉 A demanda on-chain do varejo continua fraca, sem sinais de euforia ou comportamento especulativo em massa;
  • 👉 A estrutura atual do mercado é mais madura, com menor volatilidade e maior participação de investidores estratégicos;
  • 👉 O Bitcoin se consolida como reserva de valor institucional, ganhando papel estrutural em portfólios de longo prazo;
  • 👉 A ausência de exuberância especulativa sugere que o ciclo atual ainda pode ter fôlego de alta;
  • 👉 O alinhamento entre fundamentos macroeconômicos, monetários e on-chain indica um cenário construtivo para o Bitcoin nos próximos meses.

Introdução

O mercado de Bitcoin atravessa uma fase decisiva em 2025, marcada por transformações profundas tanto no ambiente macroeconômico quanto no perfil dos participantes que impulsionam sua demanda. Em meio a expectativas de mudança na política monetária dos Estados Unidos, indícios de desaceleração econômica e uma nova postura institucional frente aos ativos digitais, surgem elementos que estão redesenhando a estrutura do ciclo atual.

Neste relatório, conectamos dados on-chain, indicadores macro e comportamento de mercado para entender o que realmente está por trás do movimento do Bitcoin, e o que isso pode sinalizar para os próximos meses.

Vamos lá!

 

EUA e China entram em acordo

A recente trégua comercial firmada entre Estados Unidos e China marca um ponto de inflexão importante para os mercados globais. Após meses de escalada tarifária que culminaram com alíquotas de até 145% sobre produtos chineses por parte dos EUA e 125% sobre mercadorias americanas pela China, o recuo parcial das tarifas sinaliza uma reavaliação diplomática e um movimento em direção à estabilidade. Essa trégua de 90 dias, com redução significativa das tarifas (EUA de 145% para 30%, China de 125% para 10%), provocou uma reação imediata nos mercados financeiros, refletida em expressivas valorizações dos índices acionários globais.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

A expectativa de retomada do fluxo comercial e a diminuição da incerteza econômica resultaram em uma rota de fuga dos ativos de proteção e um movimento de rota para ativos de risco. Setores como tecnologia, varejo e bens de consumo duráveis foram diretamente beneficiados. No entanto, essa janela de alívio também abre espaço para a valorização de ativos alternativos que dependem de uma visão de médio e longo prazo mais construtiva em termos macroeconômicos.

O Bitcoin, embora muitas vezes posicionado como um ativo anticrise, se beneficia significativamente em momentos de maior previsibilidade macroeconômica e menor estresse nos mercados. A estabilização das relações comerciais entre as duas maiores potências do mundo reduz o risco sistêmico e amplia a margem para que gestores de fundos, investidores institucionais e participantes do mercado aloque uma parcela maior de capital em ativos não correlacionados.

Além disso, um ambiente de juros estabilizados e crescimento moderado global tende a aumentar a busca por ativos com forte potencial de assimetria, como é o caso do Bitcoin.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

O Bitcoin apresentou um rali de +295% a partir da sua mínima de dois anos, a maior alta entre todos os ativos analisados no gráfico da Fidelity, mostrando que ele permanece sendo o melhor ativo em termos de retorno ajustado ao risco. Em termos de correlação, o Bitcoin mostra baixa correlação de cinco anos com a maioria dos ativos tradicionais, principalmente ouro (-11%), dólar (-10%) e títulos do Tesouro americano (0%), destacando seu potencial de diversificação dentro de portfólios institucionais.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

A pausa na guerra comercial não resolve os impasses estruturais entre EUA e China, mas oferece uma janela de oportunidade para que o mercado volte a operar com menor volatilidade e maior confiança. Em um cenário de reequilíbrio macro, o Bitcoin se posiciona como uma alternativa atraente tanto como reserva de valor de longo prazo quanto como ativo de crescimento com alta liquidez e independência dos sistemas financeiros tradicionais. Esse momento de transição geopolítica pode ser um catalisador silencioso para uma nova perna de alta no bitcoin.

 

Inflação de preços segue em queda nos EUA – Hora do corte?

Os dados mais recentes de atividade econômica e inflação nos Estados Unidos sugerem um ambiente em transição, com potencial para influenciar decisivamente a postura da política monetária do Federal Reserve nos próximos trimestres. A inflação medida pelo índice de Preços ao Consumidor (CPI) mostra sinais consistentes de desaceleração: a inflação cheia (headline), que inclui todos os itens da cesta de consumo, está atualmente em 2,31% ao ano, bem abaixo dos picos observados em 2022.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

O núcleo da inflação (core inflation), que exclui alimentos e energia por serem mais voláteis, também caiu para 2,78%. Dentro do núcleo, os serviços seguem como a principal pressão, contribuindo com 2,19%, enquanto os bens estão praticamente estagnados, com apenas 0,02%.

Alimentos apresentam uma contribuição modesta de 0,37%, e energia acumula queda de -0,26%, contribuindo para o alívio inflacionário. Além disso, o índice Truflation, que mede inflação com base em dados em tempo real de consumo e preços online, está rodando abaixo do CPI oficial, o que reforça a tendência de desinflação que já abordamos aqui no BlockTrends PRO.

Esse ambiente de inflação controlada ocorre ao mesmo tempo em que diversos indicadores de atividade econômica mostram uma economia enfraquecida. A projeção do modelo GDPNow do Federal Reserve de Atlanta indica que o crescimento anualizado do PIB no segundo trimestre de 2025 será de apenas 2,3%. Ainda mais preocupante, o modelo Augur Timely Growth, que estima o crescimento subjacente com base em dados de alta frequência, mostra uma taxa de apenas 0,1%, muito aquém do potencial da economia americana.Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

Indicadores de consumo, como o índice Redbook (que monitora vendas no varejo), seguem em tendência de desaceleração, situando-se atualmente em 5,8%. As reservas de restaurantes, medidas pelo OpenTable, estão com crescimento modesto (7,5%) e os dados de bilheteria (Box Office) também mostram menor dinamismo em relação a anos anteriores, sinalizando um consumidor mais conservador.

No mercado de trabalho, as solicitações iniciais de seguro-desemprego (Initial Claims) mantêm-se estáveis, mas os dados de novas vagas divulgadas pelo Indeed mostram uma queda expressiva e persistente desde 2023, refletindo uma menor demanda por mão de obra. A arrecadação de impostos retidos na fonte (Withheld Income Taxes) também está enfraquecida, indicando menor ritmo de crescimento salarial ou desaceleração no emprego formal. Por fim, o índice de sentimento da mídia (Daily News Sentiment) mostra queda acentuada no humor econômico geral.

Diante desse contexto de inflação em queda e crescimento contido, aumentam as expectativas de que o Federal Reserve possa iniciar um ciclo de corte de juros ainda em 2025. Desde 2022, os juros foram elevados para combater a inflação persistentemente alta, mas com os preços se estabilizando e a economia dando sinais de fraqueza, manter a taxa básica elevada pode se tornar um freio excessivo sobre a atividade econômica. Uma eventual redução na taxa de juros teria como objetivo estimular o consumo, o crédito e o investimento, aliviando o custo do dinheiro e favorecendo ativos de risco.

Nesse cenário, ativos como o Bitcoin e outras criptomoedas tendem a se beneficiar de forma relevante. Primeiramente, juros mais baixos aumentam a atratividade de ativos que não pagam rendimento, como o Bitcoin, ao reduzir o custo de oportunidade.

Em segundo lugar, o ambiente de desaceleração econômica pode estimular investidores a buscar alternativas descentralizadas e com alto potencial de crescimento, especialmente em um contexto de aumento da liquidez. Por fim, a narrativa de proteção contra inflação pode voltar a ganhar força caso os cortes de juros venham acompanhados de preocupações com a sustentabilidade fiscal ou com nova rodada de expansão monetária.

 

Estrutura on-chain e de mercado ainda não sinaliza euforia no mercado

Os indicadores de atividade na rede do Bitcoin continuam apontando para uma renovação na demanda, mas essa dinâmica não é homogênea entre os diferentes perfis de investidores. Apesar da tendência positiva no preço, com o Bitcoin operando próximo de suas máximas históricas, os dados on-chain revelam que a participação do varejo segue bastante limitada.

A métrica de demanda de investidores de pequeno porte (medida pelo volume transferido na faixa de 0 a 10 mil dólares) mostra uma atividade contida, sem a aceleração que normalmente acompanha movimentos especulativos ou fases de euforia no mercado.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

Esse comportamento foi corroborado por dados divulgados pela River. A pesquisa mostra que, em 2025, houve uma transferência significativa de propriedade de bitcoins: enquanto os indivíduos venderam cerca de 247 mil BTCs, empresas e fundos institucionais adquiriram aproximadamente 226 mil BTCs, sendo o grosso da demanda absorvida por corporações (157 mil) e fundos/ETFs (49 mil).

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Isso reforça a tese de que a recente alta de preço é liderada por entidades institucionais, mas não qualquer tipo de instituição: trata-se de empresas que estão alocando bitcoin como reserva estratégica de longo prazo, não apenas por motivações técnicas ou especulativas.

O volume spot nas principais exchanges é mais um indicativo dessa nova fase. Apesar da valorização recente, os dados agregados de negociação mostram um declínio progressivo no volume, em forte contraste com os picos registrados no final de 2024.

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Esse fenômeno sugere a ausência de uma participação especulativa massiva, especialmente por parte do varejo e de traders de curto prazo. O comportamento dos holders de curto prazo, por sua vez, está em linha com essa interpretação: o indicador MVRV (Market Value to Realized Value) desses participantes mostra que ainda não houve realização significativa de lucros, o que tipicamente ocorre em momentos de exuberância do mercado.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

Esse conjunto de dados reforça a visão de que o ciclo atual do Bitcoin está sendo impulsionado por um fluxo de capital mais qualificado e paciente. A entrada de empresas com visão de longo prazo e a ausência de sinais claros de manias especulativas indicam uma base de sustentação mais sólida para o preço.

Em termos de narrativa, é uma mudança relevante: o Bitcoin começa a se consolidar não apenas como um ativo de alto risco, mas como uma alternativa estratégica em um portfólio institucional.

Em resumo, a estrutura atual do mercado de Bitcoin mostra uma fase de amadurecimento. A presença de investidores de longo prazo, a baixa atividade especulativa e a absorção institucional em alta indicam que o rally recente possui fundamentos mais robustos do que em ciclos anteriores. Isso não significa que o mercado está imune a correções, mas aponta para um novo tipo de suporte, menos volátil e mais resiliente. O Bitcoin, nesse contexto, continua se distanciando de seu passado puramente especulativo e se aproximando de uma função estrutural no sistema financeiro global.

 

Conclusões

A análise integrada dos três eixos principais abordados nos textos anteriores – macroeconomia, política monetária e atividade on-chain – permite uma leitura mais completa do atual momento do mercado de Bitcoin e suas perspectivas para os próximos meses.

Do ponto de vista macroeconômico, os Estados Unidos vivem uma fase de desaquecimento controlado. Os dados de inflação demonstram desaceleração consistente, com os índices tanto de inflação cheia quanto núcleo convergindo para a meta do Federal Reserve. Ao mesmo tempo, os indicadores de atividade real sugerem uma economia em estagnação, com baixo crescimento, desaceleração no consumo, menor ritmo de contratação e queda no sentimento econômico. Esse ambiente aumenta a probabilidade de cortes de juros ainda em 2025, o que tende a favorecer ativos de risco ao reduzir o custo de oportunidade e aliviar pressões sobre liquidez.

Esse pano de fundo monetário e macro se conecta diretamente com o comportamento recente do Bitcoin. A retomada de valorização do ativo não está sendo guiada por euforia especulativa ou forte participação do varejo, como visto em ciclos anteriores. Pelo contrário, os dados on-chain mostram uma demanda concentrada em investidores institucionais e corporativos. Ao mesmo tempo, o volume de negociações nas principais exchanges segue em tendência de queda, mesmo com o ativo perto de sua máxima histórica. Isso reforça a interpretação de que estamos diante de um mercado menos emocional e mais institucionalizado.

Essa estrutura se reflete também no comportamento dos holders de curto prazo. O SOPR, que também traduz o comportamento desses participantes, mostra que ainda não há uma fase clara de realização de lucros, o que sugere que o atual movimento de alta pode estar em estágio intermediário, com espaço para continuidade.Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

Combinando esses três blocos de análise, o mercado de Bitcoin apresenta uma configuração construtiva para os próximos meses. A possibilidade de corte de juros nos EUA e redução de incertezas atua como catalisador macro, enquanto o fluxo institucional garante suporte estrutural de demanda. A ausência de euforia especulativa mostra que ainda há margens para expansão do ciclo, principalmente se houver uma reativação da demanda do varejo com a continuidade da tendência de alta.

Dessa forma, o ambiente de mercado em meados de 2025 se mostra favorável para o Bitcoin, com fundamentos macroeconômicos, monetários e on-chain alinhados para sustentar a tendência de alta. Além disso, a correlação do bitcoin com o M2 avançado em 72 dias continua bastante alta, o que pode indicar uma permanência da tendência de alta atual.

Guerra comercial esfria e abre janela de oportunidade

Embora seja necessário monitorar riscos globais e potenciais choques de liquidez, o atual ciclo apresenta características de maior maturidade, oferecendo uma oportunidade robusta de posicionamento para investidores com horizonte de médio e longo prazo. Continuaremos monitorando todos estes dados e atualizando em nossos materiais, mas nossa visão permanece otimista.

 

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