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Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Após alertar com precisão sobre a correção atual, sinais on-chain voltam a indicar possível transição favorável ao lado comprador, em meio a um ciclo global de liquidez ainda em expansão.

Resumo

  • 👉 Divergência entre preço e fundamentos on-chain identificada na máxima histórica antecedeu a reversão que levou o BTC à tendência de baixa atual;
  • 👉 Novos sinais começam a surgir no sentido oposto, com fundamentos gradualmente se reestruturando a favor do lado comprador;
  • 👉 A capitalização realizada e o volume on-chain ainda mostram desaceleração, mas com sinais preliminares de estabilização;
  • 👉 Reservas de grandes carteiras voltaram a crescer nos últimos sete dias, indicando reentrada tática por parte de investidores institucionais;
  • 👉 O STH-SOPR está em zona de prejuízo, sugerindo que holders de curto prazo estão vendendo em prejuízo, típico de momentos de redistribuição;
  • 👉 A demanda do varejo caiu significativamente, com queda nas transações de até US$ 10 mil, reforçando a saída de investidores menos experientes;
  • 👉 Compras programadas (TWAP) foram identificadas em corretoras como Bitfinex e Coinbase, sinalizando acúmulo institucional durante a correção;
  • 👉 O ciclo de liquidez global permanece em trajetória de expansão, com pico projetado para o final de 2025, segundo dados da CrossBorder Capital;
  • 👉 A dinâmica do “Debt-Liquidity Nexus” sugere que a liquidez seguirá estruturalmente elevada até pelo menos 2026 para acomodar a rolagem da dívida global;
  • 👉 O Realized Price <1M foi novamente cruzado para baixo pelo preço de mercado, ativando um bear signal no modelo de risco de curto prazo;
  • 👉 Indicadores como SOPR, NUPL e MVRV dos holders de curto prazo seguem enfraquecidos, indicando baixa convicção compradora;
  • 👉 O modelo de volatilidade Vol Squeeze permanece comprimido, sugerindo iminência de um movimento direcional mais forte nos próximos dias;
  • 👉 Apesar da fragilidade técnica no curto prazo, o contexto estrutural favorece uma recuperação gradual do mercado, com alta probabilidade de retomada a médio prazo.

Introdução

O mercado de Bitcoin continua a operar sob uma combinação complexa de forças estruturais e sinais táticos contrastantes. Enquanto o comportamento de preço mantém-se volátil após recentes máximas históricas, os dados on-chain e macroeconômicos oferecem elementos cruciais para entender a real sustentação desse movimento.

Neste relatório, examinamos a atual fase do ciclo do Bitcoin a partir de uma abordagem multidimensional, que integra análise on-chain, comportamento dos investidores institucionais e de varejo, dinâmica da liquidez global e indicadores técnicos de curto prazo. O objetivo é identificar padrões recorrentes, avaliar o estado dos fundamentos e mapear possíveis trajetórias para os próximos movimentos do mercado — com especial atenção aos pontos de transição que costumam redefinir a direção do ciclo.

Vamos lá!

 

Correção de preços com enfraquecimento dos fundamentos on-chain se confirma

Mais uma vez, a análise on-chain se mostra uma ferramenta de altíssimo valor preditivo, cuja negligência implica em renunciar a uma das abordagens mais refinadas de antecipação de movimentos no mercado financeiro contemporâneo. A natureza pública, imutável e granular dos dados da blockchain permite uma leitura comportamental do mercado com precisão incomparável, especialmente em ativos como o Bitcoin, cuja estrutura é inteiramente transparente.

No relatório publicado na semana anterior, demonstramos com clareza a existência de divergências significativas entre a trajetória de preço do Bitcoin, que à época testava sua máxima histórica, e a dinâmica dos fundamentos on-chain.

Tal desalinhamento nos levou a adotar uma postura de cautela, com base na assimetria negativa detectada entre a ação do preço e o enfraquecimento dos indicadores subjacentes. Nos dias que se seguiram à publicação, o Bitcoin iniciou uma tendência de baixa que permanece em curso, validando empiricamente a hipótese sustentada por nossa análise.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Contudo, observamos o surgimento de um novo quadro. A atual mudança nos dados sugere a construção de uma divergência inversa, desta vez favorável ao lado comprador. Em outras palavras, enquanto o preço do Bitcoin continua a corrigir, as métricas fundamentais começam a sinalizar uma possível reconfiguração da dinâmica de mercado, revertendo parcialmente o quadro anterior de queda na demanda.

Ainda que indicadores amplos de atividade on-chain, como a capitalização realizada e o volume total transacionado, sigam em desaceleração, é possível identificar indícios iniciais de estabilização. O ritmo de retração arrefeceu, e há sinais preliminares de reversão em alguns vetores de demanda.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Notadamente, as reservas de grandes carteiras, proxy da atuação institucional, voltaram a crescer nos últimos sete dias. Esta retomada ocorre após um período de clara realização de lucros por parte desses agentes, o que havia reduzido substancialmente a pressão compradora nas semanas anteriores. A recomposição dessas posições institucionais sugere não apenas uma reentrada tática em níveis de preço mais atrativos, mas também reforça a leitura de que as dinâmicas de acumulação seguem ativas nas correções.

Esse comportamento segue um padrão recorrente em ciclos de correção do Bitcoin: investidores de varejo, com menor horizonte temporal e menor tolerância ao risco, liquidam suas posições no prejuízo, enquanto investidores mais sofisticados — com maior capacidade de análise e maior fôlego financeiro — realizam compras em momentos de fraqueza do mercado.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Esse deslocamento de moedas pode ser captado pelo indicador STH-SOPR, que se encontra atualmente na zona de prejuízo, evidenciando a predominância de vendas com perda entre os holders de curto prazo.

O comportamento do varejo também contribui para reforçar essa tese. A demanda por transações de pequeno valor, especialmente aquelas inferiores a US$ 10 mil, apresentou queda expressiva, o que indica uma retração relevante da atividade desse segmento.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Historicamente, esse tipo de movimento coincide com regiões de redistribuição de oferta — quando investidores pequenos desistem de suas posições e os ativos são absorvidos por entidades com maior convicção e capacidade de retenção.

Embora ainda não tenhamos confirmação técnica de um fundo local estável, o conjunto de evidências já justifica uma mudança de postura tática. O atual patamar de preços começa a se configurar como assimetricamente favorável para novas alocações, especialmente para investidores com horizonte de médio prazo e sensibilidade ao posicionamento institucional.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Adicionalmente, há evidências crescentes de que essa retomada institucional já está em curso. Fluxos discretos de compras programadas (TWAP) vêm sendo observados em plataformas como Bitfinex e Coinbase, sugerindo o retorno de grandes participantes que preferem operar com discrição em momentos de baixa liquidez e desalento generalizado. Esse padrão operacional é consistente com estratégias de “buy-the-dip” executadas por fundos e tesourarias que buscam acumular posições de forma estratégica em zonas de retração.

Dessa forma, embora o mercado ainda não tenha consolidado uma estrutura técnica definitiva de reversão, o comportamento dos fluxos on-chain e o retorno da acumulação institucional reforçam a hipótese de que estamos nos aproximando de um cenário de reversão de tendência de curto prazo. A região de preços atual, marcada pela capitulação do varejo e pela reentrada dos investidores sofisticados, pode configurar um ponto de entrada altamente assimétrico para posicionamentos táticos dentro do ciclo vigente.

 

Ciclo de dívida e liquidez ainda indica “risk-on

Complementando a análise on-chain, o pano de fundo macroeconômico continua oferecendo sustentação estrutural à tese de valorização do Bitcoin, especialmente pelo comportamento cíclico da liquidez global. Segundo a CrossBorder Capital, um dos mais respeitados centros de pesquisa quantitativa em finanças globais, o atual ciclo de liquidez global iniciou sua reversão de baixa em outubro de 2022 e caminha, desde então, para um novo pico previsto apenas para o segundo semestre de 2025.

A trajetória ainda ascendente, embora com variações pontuais de curto prazo, mantém-se intacta.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

No trimestre encerrado em julho de 2025, a liquidez global medida pelo Global Liquidity Index (GLI) apresentou crescimento de 4% em base anualizada, enquanto o ritmo interanual permanece positivo em 2,5%. Esse ritmo, embora inferior ao ideal projetado de 8% a 10% necessário para evitar choques financeiros decorrentes da expansão da dívida global, ainda representa uma força de sustentação considerável para ativos sensíveis à liquidez, como o Bitcoin.

O ponto-chave para compreensão do atual regime de liquidez é o chamado “Debt-Liquidity Nexus”. De acordo com os modelos de Howell (CrossBorder Capital), a economia global enfrenta uma parede de vencimentos de dívida que deve atingir seu ponto crítico entre 2025 e 2026.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Essa parede de refinanciamento não pode ser transposta sem uma continuidade no crescimento da liquidez. Em outras palavras, os governos — sobretudo dos países desenvolvidos — precisarão continuar expandindo suas bases monetárias e injetando liquidez para que a dívida soberana e corporativa em rolagem seja absorvida sem fricções sistêmicas.

Esse nexo entre dívida e liquidez implica que, ao contrário da lógica monetarista tradicional, não será possível um aperto monetário clássico sem riscos elevados de instabilidade. A liquidez não é mais uma variável subordinada ao controle de política monetária, mas uma condição estrutural de solvência e estabilidade financeira.

Esse diagnóstico reforça a visão de que as principais jurisdições monetárias — como EUA, China e Japão — permanecerão operando em regime de suporte líquido, mesmo que os juros nominais permaneçam elevados por razões de ancoragem inflacionária. Em outras palavras, mesmo com possível contração pontual de liquidez em 2026, governos deverão continuar injetando liquidez no sistema financeiro.

Portanto, ainda que o Bitcoin enfrente desafios de curto prazo em função de ruídos táticos, o pano de fundo estrutural permanece alinhado com uma tese de valorização sustentada. O ciclo de liquidez global, que segue em expansão, não apenas reforça a assimetria positiva da atual zona de preços, como também aponta para um ambiente macro favorável até, pelo menos, meados de 2026.

 

Perspectivas de Ciclo de Curto Prazo

O Painel de Risco de Curto Prazo do BlockTrends PRO volta a sinalizar maior fragilidade na estrutura de curto prazo. O preço do Bitcoin foi negociado hoje a US$ 113.912, enquanto o Realized Price das moedas com menos de um mês subiu para US$ 117.199, configurando um novo cruzamento negativo e reacendendo o bear signal no modelo.

Esse comportamento sinaliza que boa parte das moedas em circulação recente foram adquiridas a preços superiores ao atual — o que historicamente aumenta o risco de liquidação por stop ou desalavancagem. O modelo técnico, que chegou a sinalizar bull signal por semanas, agora volta a mostrar deterioração de momentum.

Nas métricas on-chain, o SOPR de curto prazo caiu novamente para 0,999, voltando a indicar leve predominância de realização com prejuízo. A sequência de topos e fundos descendentes no indicador reforça a leitura de enfraquecimento estrutural.

O NUPL dos STHs recuou para 0,00126, praticamente zerando a lucratividade dos investidores de curto prazo. Essa condição reduz a pressão vendedora por lucro, mas também sinaliza esgotamento no impulso comprador recente.

O MVRV dos STHs caiu para 1,066, e mantém uma trajetória técnica de baixa desde julho. O movimento confirma a divergência de comportamento entre preço e fundamento on-chain, com o preço do ativo testando resistências enquanto as métricas indicam enfraquecimento relativo.

A compressão de volatilidade continua ativa no modelo de Vol Squeeze, com o indicador de volatilidade em patamares historicamente baixos. Esse comportamento tende a preceder movimentos mais expressivos, e sua direção dependerá da resolução do atual impasse técnico.

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

Resumo das métricas principais:

  • Realized Price <1M: cruzamento negativo (bear signal ativo);

  • SOPR STH (7DMA): 0,999 – retorno ao ponto de equilíbrio, com realização de prejuízos marginais;

  • NUPL STH: 0,00126 – praticamente zerado, sem margem de lucro relevante;

  • MVRV STH: 1,066 – em queda, reforçando divergência de fundamentos com o preço;

  • Volatilidade: compressão ativa (volatility squeeze).

Apesar de o preço ainda se manter elevado, os indicadores sinalizam perda de fôlego no curto prazo. A exposição deve ser monitorada com cautela, dado a falta de confirmação de fundo local. Permanecemos atentos à resolução da compressão de volatilidade, que poderá definir o próximo movimento direcional mais relevante.

Perspectivas de Ciclo de Longo Prazo

Fundamentos on-chain prevalecem (novamente)

 

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Conclusões

Com base na análise integrada dos fundamentos on-chain, do contexto macroeconômico global e das dinâmicas técnicas de curto prazo, é possível afirmar que o mercado de Bitcoin se encontra em um ponto de transição potencial, onde forças contraditórias moldam o comportamento dos preços com elevada sensibilidade a variações marginais de liquidez e sentimento.

A correção recente validou a leitura anterior de enfraquecimento estrutural dos fundamentos, ao mesmo tempo em que os dados atuais começam a indicar uma possível reconfiguração do cenário, com sinais incipientes de retomada institucional e de estabilização da demanda. Esse movimento, somado ao pano de fundo de liquidez global ainda em expansão, especialmente diante das pressões estruturais do ciclo de dívida, oferece sustentação para uma retomada da tendência de valorização no médio prazo.

Contudo, no curtíssimo prazo, o mercado permanece tecnicamente frágil. As métricas de comportamento dos holders de curto prazo sinalizam exaustão e baixa convicção compradora, ao passo que a compressão de volatilidade indica iminência de um movimento de maior magnitude. Neste contexto, a assimetria de risco-retorno favorece estratégias de posicionamento tático(compra), com ênfase em gestão de risco, disciplina e leitura contínua dos dados.

Assim, permanecemos construtivos na tese estrutural de valorização do Bitcoin, mas destacamos a necessidade de prudência no curto prazo. A conjunção entre acúmulo institucional silencioso, expansão sistêmica de liquidez global e capitulação do varejo pode estar preparando o terreno para uma reversão mais consistente — mas essa marcação de fundo local ainda carece de confirmação técnica. Até lá, o gerenciamento ativo da exposição se mantém como a postura mais racional diante da assimetria evidente no ciclo atual.

 

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Sobre o autor
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