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Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

Neste relatório abordamos os 10 anos do Ethereum — do boom das ICOs, stablecoins, NFTs e DeFi Summer até a chegada dos ETFs e a adoção por empresas. Uma década que consolidou o ETH como pilar da inovação no mercado cripto.

Resumo

  • 📈 Mercado de altcoins reage positivamente com melhora no cenário global e aprovação de leis nos EUA como o Genius Act e Clarity Act, favorecendo ativos como Ethereum e Solana;

  • 🏦 Ethereum e Solana lideram na atração de capital institucional, com destaque para TVL, tokenização de ativos e ações tokenizadas via plataformas como Raydium;

  • 🧾 Empresas listadas como Sharplink, Bitmine, Coinbase, Gamesquare e Exodus estão alocando ETH em suas tesourarias, seguindo movimento semelhante ao feito pela MicroStrategy com Bitcoin;

  • 💰 Staking e geração de receita recorrente são motivações centrais para a adoção de Ethereum por empresas, além da crença em seu papel na nova infraestrutura financeira;

  • 📊 ETFs de Ethereum superaram US$ 5 bilhões em entradas no mês de julho, reforçando o apetite institucional pelo ativo;

  • 🛠️ Ethereum completa 10 anos desde sua criação por Vitalik Buterin, consolidando-se como base para contratos inteligentes e inovação descentralizada;

  • 🚀 O ciclo das ICOs em 2017 foi o primeiro grande teste de escala do Ethereum, com o padrão ERC-20 impulsionando uma nova forma de captação de recursos;

  • 🌊 O DeFi Summer (2020) marcou a segunda grande onda de uso real do Ethereum, com protocolos como Uniswap, Aave e Compound ganhando tração massiva;

  • 🧱 Adoção de redes de segunda camada (Layer 2), como a Base da Coinbase, trouxe escalabilidade mas também fragmentou o ecossistema e impactou a queima de taxas na Layer 1;

  • 🔮 Apesar das incertezas sobre o modelo de escalabilidade via L2s, o Ethereum continua sendo o epicentro da inovação cripto — e os próximos 10 anos podem ser ainda mais transformadores.

Visão Geral

O mercado de altcoins apresentou uma reação positiva nos últimos meses, impulsionado por uma melhora no cenário macroeconômico global e pela aprovação de legislações importantes nos Estados Unidos, como o Genius Act e o Clarity Act. Essas medidas vêm tornando o ambiente regulatório do setor mais claro, o que já começa a se refletir na precificação dos ativos. O Ethereum, por exemplo, está cotado acima dos US$ 3.500, enquanto a Solana voltou a superar os US$ 165.

Setores como DeFi e RWA (Real World Assets) começam a ganhar mais relevância no cenário internacional, e as large caps se beneficiam nesse primeiro momento com maior entrada de capital.

O capital institucional e o chamado smart money começam a fluir principalmente para as duas principais redes do mercado. O Ethereum vem capturando TVL de forma consistente, consolidando-se como a principal infraestrutura para a tokenização de ativos reais, especialmente títulos de renda fixa, commodities e imóveis. Já a Solana desponta como o principal player no segmento de ações tokenizadas, com destaque para a plataforma Raydium, onde já é possível encontrar ativos como Strategy, Coinbase, Tesla, entre outros.

Neste relatório, vamos explorar com mais profundidade o avanço institucional que o Ethereum vem conquistando, seja por meio de empresas que estão adicionando ETH às suas tesourarias, seja pelo desempenho dos ETFs de Ethereum, que registraram forte entrada de capital no mês de julho, ultrapassando a marca de US$ 5 bilhões em fluxos positivos.

Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

As empresas que estão capturando Ethereum

Após a estratégia de Michael Saylor na MicroStrategy de adicionar o ativo como parte de sua tesouraria, a mesma abordagem começa a acontecer com a segunda maior criptomoeda do mercado.

O Ethereum vem se consolidando como uma das tecnologias mais relevantes da nova economia digital, tendo em vista que stablecoins são emitidas na rede, os principais protocolos DeFi são utilizados lá (exemplo: Uniswap) e empresas como a Coinbase e a Sony estão construindo novas tecnologias sobre suas segundas camadas.

Prova disso é o número crescente de companhias listadas em bolsa — incluindo Nasdaq, AQSE e mercados OTC — que estão adotando o ETH como parte estratégica de suas tesourarias.

A motivação vai além da valorização do ativo: envolve também a geração de receita via staking e a convicção no papel central que a rede Ethereum desempenha na infraestrutura financeira emergente.

Esse movimento mostra como o Ethereum tem conseguido capturar capital institucional de forma consistente, ganhando espaço em balanços corporativos e reforçando sua legitimidade no mercado global.

Sharplink, Bitmine e Coinbase atualmente são as principais empresas adotando essa estratégia, mas já começamos a ver outras empresas menores também seguirem esse perfil, como a própria Gamesquare e a Exodus.

A grande questão gira em torno de saber se essa estratégia com Ethereum será ampliada no mesmo patamar que foi com o Bitcoin. Isso pode não acontecer, mas, historicamente, quando algumas empresas adotam esse tipo de movimento, há um efeito de contágio para outras.

Ethereum pode ser observado como um ativo de tecnologia que pode capturar um bom prêmio monetário nos próximos anos, mas deve ser pensado fora da ótica do Bitcoin, que mostra ser um novo padrão monetário e é tido como uma reserva de valor.

Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

Os 10 Anos de Ethereum

Quando se trata de tecnologia, a evolução acaba sendo muito rápida e com o Ethereum não foi diferente, passou de um projeto desenvolvido por um adolescente que pode se tornar a blockchain utilizada pela maioria dos países para utilizar transações transfronteiriças nos próximos anos.

Em outubro de 2013, Vitalik Buterin visitou a equipe do Mastercoin em Israel. Quando suas propostas de melhorias foram rejeitadas, ele decidiu seguir um caminho próprio e começou a desenhar o Ethereum.

Os cofundadores Gavin Wood e Charles Hoskinson (hoje à frente da Polkadot e da Cardano) juntaram-se a Buterin, junto com Jeff Wilcke, para definir os elementos fundamentais da camada base do Ethereum: uma máquina virtual para executar contratos inteligentes, limites de gás para medir o uso computacional e um protocolo de consenso para validar blocos.

O Ethereum foi lançado em 30 de julho de 2015, com cerca de 30 colaboradores e um roteiro que incluía quatro atualizações principais: Frontier (mineração básica), Homestead (confiabilidade da rede), Metropolis (interfaces para usuários) e Serenity (Proof of Stake, posteriormente chamada de The Merge).

Em cada uma dessas fases, o Ethereum lançou as bases de sua missão de se tornar um sistema operacional financeiro global e descentralizado.

Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

A evolução de tecnologia passou por Ethereum

Quando falamos de ciclos tecnológicos, o Ethereum passou por vários ao longo dos anos, e três deles ficaram especialmente marcados na memória do grande público. O primeiro pode ser chamado de o BOOM DOS ICOS — a fase em que projetos de criptomoedas e novas empresas começaram a surgir em grande escala.

Esse período teve seu auge em 2017 e representou o primeiro grande teste de escala do Ethereum — e foi rápido. O padrão ERC-20 transformou a rede na plataforma mais acessível do mundo para lançamento de tokens, permitindo que startups levantassem capital diretamente do público por meio das ICOs (Ofertas Iniciais de Moedas). 

Nove dos dez maiores projetos daquele ano escolheram o Ethereum, arrecadando juntos US$ 603 milhões, principalmente em ETH.

Mas a velocidade superou o valor. Muitos projetos foram lançados com pouco mais do que uma ideia e um whitepaper. O resultado foi ao mesmo tempo empolgante, caótico e problemático: um ciclo acelerado de testes, especulação e, no fim, fiscalização. A SEC (órgão regulador dos EUA) interveio e freou a onda das ICOs — mas até lá, o Ethereum já havia demonstrado algo maior.

Esse frenesi funcionou como um verdadeiro teste de estresse para a infraestrutura da rede e como um laboratório para novas formas de captação de recursos via blockchain. Os contratos inteligentes escalaram. A infraestrutura se manteve firme. Os usuários aprenderam. Fundadores adaptaram suas ideias. E o mercado começou a separar o que tinha substância do que era só hype, revelando o potencial da formação de capital global e descentralizada.

Mais do que uma moda passageira, o boom das ICOs foi o primeiro momento em que o Ethereum encontrou um verdadeiro grande produto.

Mesmo os projetos que fracassaram deixaram aprendizados valiosos: mostraram preferências dos usuários, evidenciaram lacunas nas ferramentas da época e revelaram uma demanda reprimida por soluções descentralizadas. Esse ciclo lançou as bases para categorias que se tornariam muito mais resilientes, como DeFi, NFTs e ativos tokenizados.

O ciclo das ICOs, em retrospecto, foi um momento-chave de ajuste e amadurecimento. Mostrou que o Ethereum era capaz de sustentar a formação de capital em escala global — e o consolidou como o principal campo de testes para inovação no ecossistema cripto.

Muitos enriqueceram nesse momento, até mesmo alguns maximalistas de Bitcoin que circulam pela internet tiveram seu maior ganho exponencial nesse período.

Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

O Defi Summer

Depois de um mercado de baixa difícil entre 2018 e 2020, o Ethereum não apenas se recuperou — ele amadureceu. 

O chamado DeFi Summer marcou a segunda grande validação do Ethereum pelo mercado. Mas, diferente das ICOs, que tinham como foco principal a especulação, o DeFi veio com uma proposta diferente: utilidade real. Protocolos como Uniswap, Aave, Compound e Curve reinventaram os mercados de capitais do zero, permitindo que qualquer pessoa trocasse, emprestasse, tomasse emprestado ou gerasse rendimento, tudo isso sem a necessidade de intermediários.

O impacto foi imediato. As transações relacionadas a DeFi superaram as do padrão ERC-20 e se tornaram a principal atividade dentro da rede. Indicadores como valor total bloqueado (TVL) em tokens, número de endereços ativos, volume em corretoras descentralizadas (DEXs) e uso de gás transformaram o Ethereum em um verdadeiro painel em tempo real das finanças descentralizadas.

Esse período também marcou uma virada na dinâmica econômica do Ethereum. À medida que o uso do DeFi aumentava, também cresciam as taxas de rede, o interesse de desenvolvedores e os incentivos para validadores. A rede começou a capturar valor diretamente da demanda por seus serviços, servindo como uma camada de liquidez programável para atividades financeiras sem intermediários.

No entanto, o rápido crescimento revelou limitações sérias. A rede ficou congestionada de forma constante. As taxas de transação dispararam e começaram a excluir usuários e aplicações menos capitalizadas. O Ethereum estava crescendo, mas também se desgastando. Em muitos casos, tornou-se inviável de usar. O custo médio por transação saltou para 13 dólares em 2020, 68 dólares em 2021 e ultrapassou 200 dólares em alguns períodos de 2022.

O protocolo estava tendo dificuldades para atender a uma fração muito específica da população mundial: usuários avançados de protocolos DeFi. Se o Ethereum realmente queria ser o computador programável do mundo ou a infraestrutura para o futuro das finanças globais, algo precisava mudar. A rede simplesmente não aguentava o volume.

Foi então que Vitalik Buterin apresentou uma proposta inovadora em um post hoje considerado lendário, intitulado “Endgame”. Nele, ele traçava uma nova visão sobre como o Ethereum poderia escalar. Se a blockchain principal não conseguia suportar toda a demanda, a solução seria permitir que trilhas paralelas chamadas de redes Layer 2 se desenvolvessem ao lado da cadeia principal. 

Como vias auxiliares em uma rodovia congestionada, essas Layers 2 absorveriam o tráfego que o Ethereum não conseguia mais suportar, enviando lotes de transações de volta para a rede principal de tempos em tempos. Essa mudança se tornaria uma das mais importantes, controversas e impactantes da história do protocolo, e transformaria por completo a economia do Ethereum.

 

Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

As redes de segunda camada do Ethereum

O roadmap centrado em rollups trouxe escalabilidade ao Ethereum. Essa estratégia impediu que a rede perdesse totalmente espaço para blockchains mais novas, como Solana e Hyperliquid. Mesmo que os usuários não estivessem diretamente na camada principal (Layer 1), eles permaneceram dentro do ecossistema.

A validação dessa visão veio em 2023, com o lançamento da Base, a rede de segunda camada da Coinbase. A Base rapidamente se tornou o rollup mais ativo e com maior valor total bloqueado (TVL), volume de negociação, taxas geradas e número de usuários diários. Além disso, trouxe credibilidade institucional para o plano de expansão via L2s do Ethereum, ao colocar o nome de uma empresa listada na Nasdaq diretamente na blockchain.

Mas junto com a escala, vieram as consequências.

A transição para as redes de segunda camada fragmentou o ecossistema, espalhando liquidez, stacks tecnológicos e experiências de uso. Muitos rollups, pouca integração. O capital se deslocou da Layer 1, os esforços de desenvolvimento se dispersaram e a experiência do usuário ficou mais confusa.

A própria camada principal do Ethereum sentiu o impacto. A atividade na rede caiu — e com ela, a queima de taxas. A narrativa do “Ultrasound Money”, que dependia de uma alta movimentação na Layer 1 para queimar ETH e reduzir a oferta, começou a perder força.

A eficiência dos rollups veio com um custo: enfraqueceu o modelo de monetização do Ethereum. A maior frequência de transações não foi suficiente para compensar o valor reduzido de cada uma, o que levou a uma menor captura de valor pela rede.

Ethereum 10 Anos: A Evolução de uma Infraestrutura Global

O formato de escalar via segunda camada ainda levanta dúvidas se foi, de fato, o caminho ideal — ou se blockchains como a Solana, que optaram por escalar diretamente na própria Layer 1, podem acabar assumindo a liderança no longo prazo. De qualquer forma, ao longo de seus 10 anos, o Ethereum sempre esteve na linha de frente da inovação, e isso já causou um impacto profundo no mercado global.

Se o token ETH vai ganhar tração daqui para frente, é uma discussão em aberto. Mas no que diz respeito à evolução tecnológica, o Ethereum já entregou muito ao ecossistema. Que os próximos 10 anos sejam ainda mais transformadores do que os primeiros.

Sobre o autor
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