Resumo
- 👉 A recente alta do Bitcoin foi impulsionada por uma estrutura de mercado excessivamente vendida, favorecendo um movimento de recuperação;
- 👉 A atividade on-chain segue desacelerando, com demanda do varejo em queda de 3,9% nos últimos 30 dias;
- 👉 A demanda aparente ainda está em contração, mas desacelerando, o que pode sinalizar uma reversão em breve;
- 👉 Holders de curto prazo reduziram suas reservas em mais de 242 mil BTCs nas últimas semanas, refletindo menor convicção especulativa;
- 👉 A capitalização realizada apresenta leve crescimento, indicando que o mercado ainda não está em tendência de baixa;
- 👉 A alta atual parece ser mais reflexo de fatores técnicos e institucionais do que de retomada generalizada do interesse on-chain;
- 👉 A valorização recente ocorreu enquanto Nasdaq e S&P500 caíram, sugerindo um descolamento que pode estar ligado à queda do dólar;
- 👉A correlação com a base monetária global segue intacta, com o tradicional atraso de 72 dias se alinhando ao movimento de preço;
- 👉 A empresa Twenty One, com apoio de grandes players e liderada por Jack Mallers, já possui 42 mil BTCs e reforça o viés institucional do ciclo;
- 👉 Apesar da ausência de confirmação on-chain, a história mostra que esses sinais costumam vir com atraso em relação aos preços;
- 👉 Indicadores técnicos e macroeconômicos já sugerem que uma nova fase de expansão pode estar próxima;
- 👉 Espera-se que o Fed e o Tesouro dos EUA promovam novos ciclos de liquidez, o que beneficiaria o Bitcoin;
- 👉 Existe a possibilidade de o Bitcoin atingir novas máximas históricas em 2025, conforme as incertezas econômicas diminuam;
- 👉 A estrutura de ciclo ainda não mostra sinais de topo, mantendo a perspectiva otimista para o médio prazo, apesar da cautela no curto prazo.
Introdução
O comportamento recente do mercado de Bitcoin tem chamado a atenção de analistas e investidores. Após um período de pressão vendedora intensa, o ativo voltou a subir com força, mesmo diante de um cenário macro ainda sensível e sinais mistos em seus fundamentos on-chain.
Neste relatório, analisamos em profundidade os fatores que explicam esse movimento, as nuances da atividade na rede, e o papel crescente de investidores institucionais. Mais do que uma reação técnica, o que temos visto pode representar os primeiros indícios de uma nova fase no ciclo do Bitcoin.
Vamos lá!
Estrutura on-chain carece de confirmação, mas sinais de reversão continuam
A recente recuperação no preço do Bitcoin pode ser atribuída a uma estrutura de mercado excessivamente vendida, que criou as condições para um forte movimento de alta. Esse movimento é típico em momentos de desequilíbrio extremo entre posições compradas e vendidas, conforme já abordado em relatórios anteriores. No entanto, apesar da recuperação pontual nos preços, a estrutura on-chain ainda não demonstra sinais concretos de reversão de tendência mais ampla.
Um dos principais vetores de preocupação é a atividade de rede, que permanece em desaceleração. Indicadores-chave como a demanda do varejo e a demanda aparente continuam em território negativo. No caso da demanda de varejo, que avalia o volume de transferências on-chain em valores inferiores a US$10 mil, ainda observamos uma queda de 3,9% na janela de 30 dias.
Essa queda, embora menos acentuada do que no início do ano, reforça a ideia de que o varejo permanece ausente nas fases iniciais dessa recuperação de preço.
A demanda aparente, indicador que busca mensurar o retorno de Bitcoins previamente entesourados à circulação ativa na rede, também segue em contração. Entretanto, há uma desaceleração nesse ritmo de queda, o que pode sinalizar uma reversão desse comportamento nas próximas semanas, especialmente se os preços seguirem em recuperação e atrair novos fluxos de capital.
Outro ponto relevante na análise on-chain atual é a variação nas reservas dos holders de curto prazo (STHs). Em tendências de alta sustentáveis, costuma-se observar um aumento nessas reservas, indicando nova entrada de capital especulativo. No entanto, nas últimas quatro semanas, houve uma retirada líquida de mais de 242 mil BTCs dessas reservas, o que aponta para uma ausência de convicção por parte desse segmento de investidores.
Apesar desse cenário mais frágil nos fundamentos on-chain, a capitalização realizada segue apresentando comportamento positivo. Este indicador, que mensura o valor agregado da rede com base nos preços pagos em cada transação de entrada, costuma ser resiliente em mercados de alta e se contrair apenas em mercados de baixa.
A leitura atual mostra crescimento na margem, ainda que aquém do padrão observado em ciclos anteriores de forte valorização.
Em síntese, a estrutura on-chain do Bitcoin sugere que o recente rali de preços pode estar mais relacionado à dinâmica de mercado (como o short squeeze) do que a uma retomada consistente do interesse estrutural pela rede. Para que a recuperação se torne sustentável, será necessário observar melhorias mais substanciais nos indicadores de atividade on-chain, especialmente no retorno do varejo, na reversão das reservas dos STHs e em uma retomada mais expressiva da capitalização realizada.
Subida do bitcoin é mais do que apenas uma “exaustão técnica”
A atual subida do bitcoin pode também estar sendo derivada de alocações estratégicas de capital por parte de grandes players específicos. A ausência de um volume representativo vindo do varejo, mesmo em meio à valorização de preços, é um indício de que movimentos institucionais estão puxando essa fase inicial de recuperação.
Além disso, vale destacar que, nos últimos 30 dias, o bitcoin apresentou alta enquanto os índices Nasdaq e S&P500 estiveram em queda. Essa divergência não parece ser fruto de um aumento direto de liquidez no curto prazo, mas sim reflexo de uma tendência de desvalorização do dólar e da melhora relativa no ambiente macroeconômico global.
Mesmo assim, é importante notar que o famoso atraso de 72 dias entre a expansão da base monetária global e a resposta nos preços do bitcoin continua se mostrando alinhado com o atual movimento de valorização, embora saibamos que esse não é um modelo determinístico. A correlação com as ações de tecnologia nos EUA, portanto, não pode ser completamente descartada neste momento, ainda que sua relevância deva diminuir com o amadurecimento do entendimento sobre o funcionamento do bitcoin como ativo.
Um elemento que reforça essa visão é a entrada de novos players corporativos relevantes. Um exemplo recente é a chegada da empresa Twenty One, liderada por Jack Mallers (também CEO da Strike), lançada por meio de uma fusão com a Cantor Equity Partners e com o apoio de instituições como Tether, SoftBank e Bitfinex.
Avaliada em US$ 3,6 bilhões, a empresa já detém mais de 42 mil BTCs, tornando-se a terceira maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo. Com foco exclusivo em Bitcoin, a Twenty One introduziu métricas como “Bitcoin por Ação” (BPS) e “Taxa de Retorno em Bitcoin” (BRR), propondo uma abordagem centrada na acumulação de BTC como principal critério de desempenho corporativo.
Essa transição do bitcoin de um ativo puramente especulativo para um instrumento financeiro da nova economia se torna cada vez mais evidente. Os descolamentos em relação a ativos tradicionais podem ser alguns dos primeiros sintomas dessa evolução.
Conclusões
Por enquanto, essa recente subida do Bitcoin ainda carece de uma confirmação sólida via indicadores on-chain. Contudo, isso não significa que tal confirmação precise necessariamente acontecer no fundo de preço. A história do Bitcoin mostra que, em diversos ciclos anteriores, a validação on-chain ocorreu de forma atrasada em relação ao movimento de preço.
É justamente por esse motivo que permanecemos atentos a outros indicadores, tanto macroeconômicos quanto técnicos, que já começam a sinalizar a possibilidade de entrarmos em uma nova fase de expansão nos próximos meses.
Além disso, entendemos que ainda não testemunhamos o que poderá ser um novo ciclo de injeções de liquidez por parte do Federal Reserve e do Tesouro norte-americano. Acreditamos que é uma questão de tempo até que essa liquidez adicional se manifeste nos mercados.
Nesse cenário, permanece no radar a possibilidade de o Bitcoin atingir novas máximas históricas em 2025, impulsionado por um alívio nas incertezas econômicas e comerciais nos EUA.
Por fim, ressaltamos que a estrutura de ciclo on-chain atual ainda não apresentou sinais característicos de topo. Por isso, mantemos uma visão otimista para o médio prazo. No curto prazo, seguimos em observação, aguardando uma confirmação mais clara nos dados on-chain para reforçar um viés altista completo.
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