Visão Geral
A Carteira Satoshi voltou a registrar desempenho positivo nesta semana, com uma valorização de +3,98% no dia, recuperando parte da queda observada recentemente. Essa recuperação ocorre em meio a um ambiente de forte volatilidade no mercado, com oscilações relevantes no preço do Bitcoin, que segue como nossa principal alocação. Mesmo diante de uma correção mais ampla desde o início do ano, o portfólio acumula +31,83% de rentabilidade total em dólar, com uma valorização anualizada de +34,42% — superando amplamente os principais benchmarks tradicionais como S&P500 e Nasdaq.
Apesar da correção no acumulado do ano (YTD), que ainda aponta -11,37%, seguimos observando um comportamento técnico de consolidação que pode estar antecipando uma retomada de tendência no médio prazo.
Alocações e Rentabilidade
A Carteira Satoshi mantém sua estratégia focada na exposição direta ao Bitcoin, que se mostrou acertada ao superar com folga o desempenho de índices acionários tradicionais. O portfólio acumula +34,23% de valorização em 6 meses, frente aos +33,21% do próprio BTC, -10,66% do Nasdaq e -9,41% do S&P500 no mesmo período.
No acumulado total desde o início, a carteira segue à frente de seus pares, com +31,83% de retorno total (sendo 47.02% em real) , contra +30,32% do BTC, -1,71% do Nasdaq e +0,16% do S&P500. Em relação ao Ethereum, a distância é ainda mais expressiva, com o ETH acumulando -48,67% no período, demonstrando a resiliência da tese de investimento concentrada em Bitcoin.
Nosso posicionamento permanece altamente concentrado em Bitcoin, com 99,89% de exposição no ativo, e um pequeno saldo em caixa de 0,11%. A posição atual apresenta um ganho não realizado de +29,08%, com custo médio fixado em 64.146,05.
Seguimos com uma visão construtiva para o ciclo atual, monitorando de perto os indicadores on-chain e técnicos que, até o momento, continuam sugerindo uma estrutura de acumulação saudável. O recente repique nos preços mostra que o mercado ainda responde a zonas de suporte com força compradora, o que pode indicar um esgotamento das pressões vendedoras de curto prazo.
Perspectivas de Mercado
A alta volatilidade que estamos vivenciando atualmente é resultado de um conjunto de fatores macroeconômicos que vão muito além do Bitcoin. E, ainda que impactem seu preço no curto prazo, esses fatores nunca reforçaram tanto seus fundamentos de longo prazo. Estamos diante de mais um exemplo claro de como a economia fiduciária pode ser manipulada, deteriorada e fragilizada.
Atualmente, observamos uma desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos, que eleva o risco de um cenário recessivo — algo já amplamente discutido aqui no BlockTrends PRO. No entanto, a maior parte dessas expectativas negativas está sendo impulsionada pela guerra comercial que a administração Trump vem intensificando contra a China.
Até o momento, essa guerra comercial ainda não afetou diretamente o nível de produção da indústria norte-americana, um dos indicadores mais confiáveis para se antecipar ciclos de desaceleração. Normalmente, quando o índice dos gerentes de compra (PMI) do setor industrial começa a cair, já estamos diante de um quadro de contração, o que ocorreu em TODAS as recessões nos últimos 60 anos. Mas isso ainda não é o que vemos no cenário atual.
A explicação está na resiliência da indústria. O principal vetor de desaceleração econômica hoje reside no consumo privado. As famílias estão gastando menos, comprando menos ativos e demonstrando crescente preocupação diante dos elevados níveis de incerteza. Esse comportamento também tem impulsionado as expectativas de inflação, como evidenciado nas pesquisas mais recentes da Universidade de Michigan.
Entretanto, essas expectativas de inflação — em grande parte alimentadas pelo temor de que as tarifas de importação elevem os preços — não condizem com a realidade observada nos índices de inflação em tempo real. Tampouco refletem os dados oficiais divulgados pelo próprio governo.
A inflação ao consumidor nos EUA segue em trajetória de queda, tanto em sua leitura geral quanto no núcleo, que exclui alimentos e energia. Essa tendência de desaceleração vem sendo antecipada com cerca de 45 dias pelo Truflation, índice privado de preços que já mencionamos anteriormente em nossos relatórios.
O cenário, portanto, é de um descompasso entre expectativas e realidade. A queda no consumo das famílias continua exercendo pressão baixista sobre os preços, mas o Federal Reserve segue paralisado, preso à sua própria burocracia e atraso institucional, ignorando que a inflação já caminha rumo à meta central de 2%.
Como discutimos no relatório desta semana, Jerome Powell, presidente do Fed, mais uma vez parece estar atrasado no ajuste da política monetária. Isso nos leva a acreditar que, em algum momento nos próximos meses, o banco central dos EUA perceberá que o problema não é mais a inflação, mas sim a queda da atividade econômica, do consumo e do mercado financeiro.
Quando esse reconhecimento acontecer, é provável que o Fed volte a injetar liquidez, abrindo uma nova rodada de expansão monetária na economia norte-americana.
Esse, inclusive, parece ser o cenário antecipado por grandes players do mercado de Bitcoin. Isso pode ser observado nas reservas das chamadas “baleias”, que continuam subindo mesmo diante da correção de preços enfrentada desde fevereiro.
Nos últimos meses, grandes investidores acumularam mais de 100 mil bitcoins, evidenciando um forte interesse institucional em se posicionar estrategicamente durante a fase de baixa. Embora isso não tenha impacto direto no preço de curto prazo, tende a influenciar significativamente a tendência de médio prazo.
É por esse motivo que seguimos firmes em nossa estratégia na Carteira BlockTrends. Embora não tenhamos acertado o timing ideal para uma possível redução de exposição na região dos US$ 100 mil, seguimos confiantes em manter nossas posições e aguardar pela retomada dos preços.
Nosso foco permanece em capturar a totalidade do ciclo de alta no longo prazo — e não tentar negociar ruídos de curto prazo. Acreditamos que essa é a forma mais inteligente de se expor a um ativo que tem tudo para se consolidar como a base da nova economia financeira nas próximas décadas.
Estrutura de Mercado on-chain/técnica
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