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Carteira Satoshi: Atualização #48

O maior período de volatilidade desde o “Covid Crash” chegou, mas o bitcoin (e a nossa carteira) seguem resilientes com forte interesse comprador. Esperamos mais volatilidade, mas em breve, tendência de alta deverá retornar.

Visão Geral

A Carteira Satoshi continua demonstrando forte desempenho no longo prazo, acumulando uma rentabilidade total de +32,70% em dólar desde o início das operações. Com o Bitcoin sendo negociado a 83.347,05 dólares, a carteira reflete a recente valorização do ativo, registrando uma alta de +1,04% no último dia, reforçando a resiliência da estratégia mesmo diante da gigantesca volatilidade atual do mercado.

Carteira Satoshi: Atualização #48

Nos últimos seis meses, a valorização da carteira foi de +34,23%, acompanhando de perto o desempenho do Bitcoin, que subiu +33,21% no mesmo período. O mercado tradicional, por outro lado, apresentou desempenho negativo: o índice Nasdaq caiu –11,45% e o S&P 500 recuou –8,85%, evidenciando o bom posicionamento da Carteira Satoshi mesmo em meio a um ambiente macroeconômico mais adverso.

 

Alocações e Rentabilidade

A Carteira Satoshi permanece 99,89% alocada em Bitcoin (BTC-USD), com uma pequena reserva de 0,11% em caixa. O custo médio de aquisição do Bitcoin na carteira é de 64.146,05 dólares, resultando em um ganho não realizado de +29,93%, reforçando a robustez da estratégia de alocação e o bom timing de entrada.

Desde o início das operações, a Carteira Satoshi acumulou um retorno total de +32,70%, superando amplamente diversos índices tradicionais. O Bitcoin teve um retorno ligeiramente inferior no mesmo período, com +30,13%, demonstrando que o posicionamento e a estratégia adotada permitiram extrair ganhos superiores.

Enquanto isso, a Nasdaq apresentou um recuo acumulado de –3,66%, e o S&P 500 ficou praticamente estável com –0,33%. Vale ressaltar que, o desempenho precificado em Reais do Brasil é ainda superior que a apresentada neste relatório, devido a fatores cambiais. Em BRL, a Carteira Satoshi acumula um crescimento de 45,21% desde o início da sua negociação no ano passado.

Apesar da queda de –10,78% no acumulado do ano (YTD), a carteira ainda apresenta um desempenho consistente frente aos benchmarks globais. A Nasdaq acumula –16,82% no mesmo período, enquanto o S&P 500 recua –10,87%, evidenciando que os ativos digitais seguem relativamente mais fortes frente à renda variável tradicional.

Seguimos confiantes na estratégia de manter a alocação majoritariamente em Bitcoin, priorizando a visão de longo prazo. A volatilidade de curto prazo continua sendo tratada como parte do comportamento estrutural do ativo, e seguimos atentos a qualquer mudança no fluxo de liquidez global ou nos fundamentos on-chain que justifique reequilíbrios.

 

Perspectivas de Mercado

A maior volatilidade dos mercados globais desde o “crash da COVID” está diretamente ligada à escalada recente da guerra comercial e à reconfiguração do modelo macroeconômico dos Estados Unidos. O anúncio de novas tarifas por Donald Trump, com alíquotas de até 34% sobre produtos chineses e taxas adicionais sobre a União Europeia e demais parceiros comerciais, marca não apenas um retorno do protecionismo, mas a implementação coordenada de uma estratégia industrial, fiscal e monetária profundamente intervencionista.

O pano de fundo dessa movimentação envolve o enfraquecimento deliberado da moeda, o controle da curva de juros longos e o prolongamento artificial do regime de endividamento americano, algo que já discutimos anteriormente em nossos relatórios. Em vez de combater a inflação com políticas austeras, a abordagem atual parece focada em criar um ambiente desinflacionário pela destruição da demanda e pela retração do consumo global.

Carteira Satoshi: Atualização #48

Em março, por exemplo, o índice de energia caiu 4,1%, evidência de que o colapso do ciclo industrial está impactando diretamente os preços de insumos e commodities — o que, por consequência, reduz as pressões inflacionárias nos EUA, algo que vemos ocorrer em outras commodities também.

Ao mesmo tempo, o rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu abaixo de 4%, movimento que não era observado desde o fim de 2023. Essa compressão de juros reflete tanto uma busca por segurança diante da instabilidade quanto a própria intenção estratégica de manter os custos da dívida pública sob controle.

Carteira Satoshi: Atualização #48

Com a dívida federal americana projetada para atingir 130% do PIB até 2035, manter os yields em níveis baixos não é mais apenas desejável — é imperativo para garantir a rolagem contínua da dívida sem comprometer a solvência do Tesouro.

Esse ambiente é sustentado por uma arquitetura que inclui: 1) tarifas que protegem o setor industrial doméstico; 2) desinflação derivada da desaceleração global; 3) juros longos reprimidos; e 4) desvalorização cambial estratégica.

Carteira Satoshi: Atualização #48

O índice DXY caiu para 101,3 após os anúncios tarifários, mostrando que o dólar mais fraco é parte da política industrial: promove exportações e favorece o reshoring de cadeias produtivas. Em essência, a macroeconomia dos EUA está operando sob um modelo de “reconquista produtiva”, com metas implícitas de substituição de importações e estímulo à base manufatureira.

No entanto, esse movimento tem um efeito colateral: a perda de credibilidade do dólar enquanto reserva de valor global. As medidas adotadas evidenciam uma repressão financeira clássica: manutenção de juros reais negativos, estímulos direcionados, manipulação da curva de rendimentos e expansão monetária futura.

O próprio mercado já está antecipando esse efeito: até semanas atrás, os contratos futuros precificavam dois cortes de juros para 2025. Hoje, as probabilidades apontam para até cinco cortes ainda este ano, refletindo uma expectativa generalizada de recessão — e consequente necessidade de liquidez.

A maior volatilidade dos mercados desde março de 2020 é um reflexo direto desse cenário. O índice VIX, que mede o nível de medo no mercado, voltou a patamares críticos. A destruição da demanda — tanto via encarecimento artificial de bens importados quanto pela deterioração do mercado de trabalho — está impondo um ciclo recessivo.

Carteira Satoshi: Atualização #48

Cortes de empregos estão em níveis não observados desde o auge da pandemia e o consumo está desacelerando com rapidez. Como resposta, o mercado exige — e em breve receberá — injeções massivas de liquidez.

Neste contexto, é inevitável que o Federal Reserve encerre o aperto quantitativo, volte a expandir o balanço e reduza as taxas básicas como forma de conter os efeitos do choque recessivo. A monetização da dívida, nesse contexto, torna-se o único caminho viável. E esse é o ambiente ideal para o Bitcoin.

A dinâmica é clara: em regimes onde o crescimento do endividamento supera a capacidade de geração de superávits fiscais, o valor do dinheiro tende à erosão. O Bitcoin se posiciona mais uma vez como hedge natural diante desse tipo de cenário. Seu fornecimento fixo, sua natureza descentralizada e a impossibilidade de diluição via emissão monetária fazem com que ele se torne o principal ativo para proteção patrimonial.

Com o retorno do afrouxamento monetário nos EUA e em diversos países — como já antecipado por 67% dos principais bancos centrais globais —, o ambiente de liquidez tende a se expandir significativamente até o fim de 2025.

Nesse ciclo, o Bitcoin deverá novamente atuar como “esponja de liquidez global”, absorvendo parte do capital desalocado de ativos tradicionais e direcionado a ativos escassos. Como reforço, o crescimento da oferta circulante de stablecoins já sugere entrada de capital nos mercados digitais, mas que ainda não foi alocado em BTC.

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A desvalorização das moedas fiduciárias, portanto, não ocorre por colapso instantâneo, mas por uma série de eventos interligados: guerras comerciais, manipulação de juros, explosão do endividamento, repressão da poupança e, por fim, realocação de capital. A confiança na capacidade do Estado de preservar o valor da moeda é o que está sendo questionado — e é exatamente isso que abre espaço para o Bitcoin.

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Por enquanto, este fluxo de capital ainda não atingiu o bitcoin com força e por isso, ainda podemos ter mais alguns dias/semanas de aversão ao risco. Entretanto, esperamos que logo que tivermos um cenário de expansão de liquidez mais estrutural, com uma virada de chave do Federal Reserve, toda essa demanda reprimida voltará a alocar recursos no bitcoin e o seu preço irá buscar os reais topos deste ciclo.

Por enquanto, é importante manter estratégias de aquisições constantes para aproveitar este ambiente de alta volatilidade e pânico nos mercados para reduzir custo médio e acumular mais BTC. Eventualmente teremos um novo processo de expansão monetária e muitos olharão para este momento atual com “saudades” das oportunidades que apareceram.

 

Estrutura de mercado on-chain/técnica

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