Radar Cripto

Carteira Satoshi #36

Bitcoin entra em cenário de consolidação, mas rentabilidade da carteira se mantém bastante positiva. Durante a próxima semana estaremos avaliando um rebalanceamento para redução de exposição no curto prazo.

Visão Geral

A Carteira Satoshi continua a apresentar uma performance expressiva, acumulando uma rentabilidade total de 48,22% desde o início das operações, com um retorno anualizado de impressionantes 77,63%. Apesar da recente queda diária de -2,04%, estamos estrategicamente posicionados para aproveitar o ciclo de mercado de médio a longo prazo.

Carteira Satoshi #36

O preço do Bitcoin tem se consolidado na faixa de 93 mil dólares, enquanto seguimos monitorando o mercado e ajustando nossa estratégia de acordo com as tendências observadas. Essa consolidação reflete a resiliência do ativo mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. Nossa carteira, focada em Bitcoin, continua alinhada com a visão de longo prazo, maximizando oportunidades de valorização durante o atual ciclo de alta.

 

Alocações e Rentabilidade

Nossa carteira registra uma rentabilidade acumulada de 48,22%, ligeiramente superior aos 45,98% do Bitcoin no mesmo período, mostrando a eficácia de nossa estratégia. Em comparação com outros benchmarks, como a Nasdaq (+14,81%) e o S&P 500 (+10,94%), a Carteira Satoshi segue muito à frente. Além disso, a performance supera amplamente o ETH-USD, que acumula apenas +5,15% no mesmo período.

Nos últimos 6 meses, a carteira apresenta um retorno de +60,79%, consolidando-se como uma das melhores alternativas de investimento. Essa performance reflete a força do mercado de Bitcoin e a eficácia de nosso modelo de alocação.

A alocação permanece praticamente 100% em Bitcoin, reforçando nossa confiança na estratégia de médio prazo. Não realizamos alterações na composição da carteira recentemente, uma vez que continuamos observando a evolução do mercado para identificar momentos ideais de redução de exposição. Nosso foco permanece em maximizar retornos enquanto monitoramos fatores macroeconômicos, técnicos e on-chain.

 

Perspectivas de Mercado

Os dados mais recentes do mercado de trabalho nos Estados Unidos trouxeram uma reviravolta nas expectativas de política monetária do Federal Reserve (Fed). Com a criação de 256.000 empregos em dezembro de 2024 — 92.000 a mais do que o esperado — e a taxa de desemprego caindo para 4,1%, a narrativa de um “Fed Pivot” parece ter sido oficialmente descartada. Esse termo, que referia-se à possibilidade de cortes significativos nas taxas de juros, agora dá lugar a um cenário de taxas mais altas por mais tempo.

Carteira Satoshi #36

A justificativa do Fed para os cortes de juros em setembro de 2024 era baseada em sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho e convergência da inflação para a meta de 2%. No entanto, o atual ritmo de criação de empregos e a aceleração da inflação desmentem essa narrativa. Além disso, as expectativas de inflação ao consumidor atingiram os níveis mais altos desde a década de 1980, alimentando a percepção de que a política monetária precisará ser ainda mais restritiva.

O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos, que já subiu 120 pontos-base desde o início do “Fed Pivot”, reflete essa mudança nas expectativas. Com a chance de cortes de juros sendo cada vez mais remota, ativos de risco, como as ações, estão sob pressão. O Bitcoin, porém, está em uma posição curiosa nesse cenário:

  • Pressão de Liquidez e Taxas de Juros
    Taxas de juros mais altas aumentam o custo de capital, reduzindo a liquidez disponível para ativos especulativos. Historicamente, o Bitcoin é impactado negativamente em ambientes de liquidez restrita, já que menos recursos são alocados para ativos de alto risco. Por outro lado, sua narrativa como “ouro digital” pode ganhar força em um ambiente de inflação persistente.
  • Dólar Forte vs. Desvalorizção Monetária
    O dólar americano e o ouro estão subindo simultaneamente — um evento raro. Isso reflete a busca por segurança em um ambiente de incerteza. Para o Bitcoin, que também é visto como um ativo de reserva por muitos, isso pode representar um catalisador de longo prazo, especialmente entre investidores que buscam diversificação além de ativos tradicionais.
  • A Narrativa do Hedge Contra Inflação
    Se a inflação continuar surpreendendo para cima, o Bitcoin pode ser cada vez mais encarado como um ativo de proteção. A história recente mostrou um crescente interesse institucional no Bitcoin como hedge, mesmo em períodos de pressão macroeconômica.

Inclusive, este dólar forte acabou impactando uma das principais métricas que observamos para a estrutura do Bitcoin, sendo a Oferta Monetária Global M2.

Carteira Satoshi #36

A queda do M2 global é um reflexo direto do fortalecimento do dólar, medido pelo índice DXY. À medida que o dólar se valoriza em relação a outras moedas, o valor nominal de ativos e economias denominados em moedas estrangeiras é reduzido quando convertido para dólares. Esse movimento desvaloriza o M2 global, um indicador que mede a liquidez monetária mundial, estreitamente relacionado ao preço do Bitcoin.

O fortalecimento do dólar, que subiu 7,1% em 2024, resultou em uma desvalorização significativa de várias moedas globais, como o euro (-6,2%), o iene japonês (-10,3%) e o real brasileiro (-21,6%). Essa dinâmica cria uma distorção no mercado, pois reduz a liquidez global em termos de dólares e impacta negativamente o Bitcoin, que historicamente tem uma alta correlação com a expansão do M2 global.

Carteira Satoshi #36

O alto índice DXY, embora seja um sinal de força econômica dos EUA, é uma dinâmica que provavelmente vai contra os objetivos da administração Trump. Assim como em seu mandato anterior, Trump pode pressionar por uma desvalorização do dólar para favorecer as exportações americanas e aliviar a pressão inflacionária interna.

Caso isso aconteça, poderemos ver uma queda no DXY, o que beneficiaria diretamente ativos como o Bitcoin, que tendem a se valorizar em ambientes de dólar mais fraco e maior liquidez global. Essa possibilidade adiciona mais um elemento de incerteza ao cenário macroeconômico de 2025.

Entretanto, estas perspectivas são direcionadas ao curto prazo, pois conforme nossos modelos de médio e longo prazo, ainda não atingimos o topo do ciclo. Esta perspectiva nos indica que ainda é momento para estar altamente posicionado, apesar da possibilidade de um período maior de lateralização.

Durante a próxima semana, estaremos avaliando a possibilidade de uma rebalanceamento na carteira, com objetivo de levantar capital em dólar para recomprar no futuro. Por enquanto, este cenário ainda não começou a se executar em nossas negociações e iremos avisar no grupo de assinantes sobre quaisquer movimentações na carteira.

Sobre o autor
BlockTrends
A BlockTrends e a edtech de criptoativos do grupo QR Capital. Produz analises sobre mercado cripto, financas, tecnologia e economia, conectando dados a contexto editorial.