Radar Cripto

Balançando a árvore

Choque de futuros e vendas de baleias expõem fragilidade local, mas a liquidez global ainda sustenta o ciclo de alta

Resumo

  • 👉 Mais de US$ 765 milhões em contratos de Bitcoin foram liquidados com apenas 2% de movimento no preço, refletindo forte alavancagem e baixa liquidez;

  • 👉 No mercado cripto agregado, as liquidações ultrapassaram US$ 3 bilhões, sendo 97% em posições de compra e com Ethereum superando o volume do Bitcoin;

  • 👉 O movimento foi iniciado majoritariamente na Hyperliquid, sem fluxo relevante na Coinbase, indicando origem asiática e amplificação pela baixa liquidez de domingo;

  • 👉 Baleias distribuíram mais de 43 mil BTC durante o episódio, revertendo parte do acúmulo recente e trazendo reservas de volta a níveis de junho;

  • 👉 O Open Interest caiu de forma expressiva, reduzindo a alavancagem e abrindo espaço para estabilização de preços entre US$ 112–113 mil;

  • 👉 Estruturalmente, o estoque das baleias segue elevado em relação ao início do ciclo, sugerindo realização pontual e não mudança de tendência;

  • 👉 Mais de 80% dos bancos centrais globais estão em modo de afrouxamento monetário, sustentando o ambiente de bull market por meio da expansão de crédito;

  • 👉 A liquidez do Fed tende a seguir positiva até 2026, mas deve reacender inflação e forçar uma reversão futura de política monetária;

  • 👉 Ciclos históricos de liquidez têm em média 65 meses até o pico, e o atual segue alinhado a esse padrão, sugerindo que ainda não chegamos ao limite;

  • 👉 O ciclo de negócios global segue neutro, sem expansão robusta nem contração significativa, reforçando o bull market de liquidez;

  • 👉 No curto prazo, métricas on-chain mostram risco neutro a levemente elevado, com bear signal ativo no RP<1M, mas sem sinais de euforia;

  • 👉 A leitura consolidada aponta para um mercado ainda saudável, mas sensível a choques de fluxo no curto prazo e à saturação gradual da liquidez no longo prazo.

Introdução

O mercado de criptoativos atravessa um período marcado por choques de liquidez, ajustes em derivativos e um pano de fundo macroeconômico moldado pela atuação dos bancos centrais. Nas últimas semanas, eventos pontuais de liquidações em grande escala chamaram a atenção para a fragilidade de fluxos em horários de menor volume, ao mesmo tempo em que a dinâmica global de política monetária segue ditando o ritmo dos ciclos de risco nos mercados.

Neste relatório, analisamos a interação entre esses fatores de curto prazo e a estrutura mais ampla de liquidez global, além de avaliar os sinais fornecidos pelas métricas on-chain. O objetivo é oferecer uma visão integrada sobre o estágio atual do mercado, tanto no plano tático quanto no estrutural, destacando as condições que moldam os próximos movimentos de preço do Bitcoin e demais ativos digitais.

Vamos lá!

 

Influenciando um mercado de baixo volume

O mercado de derivativos de criptoativos enfrentou, nas últimas horas, um dos episódios mais agressivos de liquidação desde 2023. Mais de US$ 765 milhões em contratos comprados de Bitcoin foram liquidados com apenas 2% de movimento no preço, sinalizando o nível extremo de alavancagem e a fragilidade da liquidez no final de semana.

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No agregado de todo o mercado cripto, as liquidações ultrapassaram US$ 3 bilhões, o maior volume em anos, sendo que 97% ocorreram em posições de compra, evidenciando um cenário clássico de long squeeze.

Apesar da magnitude do impacto no Bitcoin, que concentrou cerca de 26% das liquidações, foi o Ethereum que apresentou volume ainda superior, revelando a fragilidade mais ampla do mercado de altcoins. Outro ponto relevante foi a concentração inicial das ordens na Hyperliquid, com pouca participação do mercado spot ocidental, algo que acontece poucas vezes e revela uma forte pressão desses players da Ásia.

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A ausência de fluxo significativo na Coinbase reforça a hipótese de que o movimento foi catalisado pelo mercado asiático, possivelmente após a abertura regional. A baixa liquidez típica do domingo amplificou o choque de ordens, criando uma cascata de liquidações.

Além da dinâmica técnica nos futuros, houve também participação ativa das baleias. Estima-se que mais de 43 mil BTC foram distribuídos nesse período, revertendo parcialmente o recente acúmulo e trazendo os saldos de grandes carteiras para níveis vistos em junho.

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O padrão sugere que essas entidades aproveitaram a fragilidade do mercado alavancado para realizar vendas adicionais, pressionando ainda mais o preço. O funding rate, apesar da intensidade da correção, não chegou a negativar, mas segue sob risco de virar nas próximas horas, conforme traders ocidentais reagem ao movimento.

No lado estrutural, há sinais mistos. O Open Interest caiu de forma relevante, indicando que parte da alavancagem excessiva foi eliminada, ao mesmo tempo em que o preço lateraliza na região dos US$ 112–113 mil. Essa estabilização, combinada com a redução no OI, pode sinalizar a formação de fundo local.

O ponto de atenção segue sendo o comportamento das baleias: embora tenham reduzido exposição, seu estoque agregado permanece elevado em relação ao início do ciclo, sugerindo que o episódio recente foi mais uma janela de realização do que uma inversão estrutural de tendência.

Em síntese, o que se viu foi uma liquidação forçada típica de mercados sobrealavancados em condições de baixa liquidez, catalisada por fluxo asiático e reforçada por vendas de grandes players. Apesar da violência do movimento, os sinais apontam para esgotamento da pressão de venda e aumento da probabilidade de consolidação ou mesmo recuperação parcial no curto prazo.

 

Ciclo de liquidez global e reversão em 2026

Mesmo após a correção vista na última segunda-feira e a lateralização que o Bitcoin e demais ativos de risco apresentam desde julho, os dados indicam que a estrutura do ciclo de alta ainda não chegou ao fim. Esse diagnóstico permanece consistente com a leitura dos ciclos históricos de liquidez e com os indicadores on-chain de topo, que não apontam exaustão.

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O pano de fundo macroeconômico reforça essa visão: mais de 80% dos bancos centrais globais encontram-se hoje em modo de afrouxamento monetário, uma das taxas mais elevadas deste século, sinalizando que a criação de liquidez continua ativa e sustentando o ambiente de bull market.

A queda de juros representa mais do que um simples ajuste de política monetária. Ela reduz o custo de captação de capital para governos, empresas e consumidores, expandindo o crédito na economia. Como os bancos comerciais criam moeda ao conceder empréstimos, o corte de juros amplia o efeito multiplicador do sistema bancário, fortalecendo a base monetária global.

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Isso se traduz em um ciclo de maior liquidez, onde o excesso de crédito disponível gera demanda por ativos financeiros, alimentando o movimento de “risk-on” nos mercados. Essa expansão, entretanto, não é infinita: o próprio excesso de liquidez cria pressões inflacionárias que, em algum momento, obrigam uma reversão de ciclo.

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No caso dos Estados Unidos, a trajetória de liquidez do Federal Reserve projeta continuidade positiva até 2026, sustentada por cortes de juros e emissões de títulos curtos do Tesouro. Esse fluxo reforça o processo de valorização dos ativos financeiros, mas, ao mesmo tempo, carrega o custo de reacender a inflação de preços na economia real.

No momento em que essa pressão inflacionária voltar a ganhar tração, a autoridade monetária americana será forçada a inverter sua postura, tal como ocorreu em 2022. Esse “choque de liquidez” tende a ser sincronizado com outros bancos centrais desenvolvidos, ampliando o impacto global.

Olhando em perspectiva histórica, os ciclos globais de liquidez apresentam em média 65 meses entre seus picos, de acordo com as séries compiladas desde a década de 1970. O ciclo atual está bem alinhado com esse padrão temporal, o que reforça a leitura de que ainda existe espaço para valorização, mas que já nos aproximamos de uma fase final do ciclo.

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A implicação prática é clara: embora o bull market siga em andamento, o risco de saturação aumenta gradualmente à medida que avançamos para a parte final do ciclo.

Outro ponto relevante é que o ciclo de negócios global ainda se encontra neutralizado. Os indicadores de atividade, como PMI e expectativas de crescimento, mostram uma economia que não avança de forma robusta, mas também não entra em contração significativa.

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Essa configuração cria um terreno típico de “bull market de liquidez”: preços de ativos seguem em valorização mesmo sem forte aceleração do crescimento econômico, já que o driver principal é a abundância de crédito e estímulos monetários.

Em resumo, a combinação de atividade econômica moderada e liquidez elevada mantém o bull market intacto. O risco, no entanto, está no horizonte: quando a liquidez global alcançar seu limite, a probabilidade de uma recessão aumenta, seja por pressão inflacionária forçando aperto monetário, seja por um choque de liquidez repentino, semelhante ao que vimos em 2022.

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Até lá, o cenário segue positivo para ativos de risco, mas exige monitoramento atento. Assim que os sinais de saturação do ciclo se intensificarem, será fundamental reavaliar o posicionamento estratégico de forma urgente e com ajustes defensivos.

 

Perspectivas de Mercado de Curto Prazo

estrutura de risco segue em níveis neutros a ligeiramente elevados, com sinais mistos entre as métricas on-chain de curto prazo. O Bitcoin está sendo negociado a US$ 112.579, enquanto o preço realizado de curto prazo (RP<1M) está levemente acima, em US$ 112.721, acionando novamente um bear signal com 100% de confirmação. A métrica volta a indicar que o preço atual está marginalmente abaixo do custo base dos novos entrantes, o que tende a gerar instabilidade nos fluxos de curto prazo, embora o gap seja pequeno.

No SOPR (7dma), o valor atual é de 1.0003, marcando leve valorização marginal dos bitcoins gastos, mas ainda em uma região de transição, sem apresentar sinais claros de euforia. Esse comportamento está longe dos picos anteriores de 2025 e reforça que o nível de risco atual não é extremo, ainda que o mercado venha tentando retomar tendência. A permanência acima da linha neutra (1.0) indica que há apetite por realizar lucros modestos.

Já o MVRV dos short-term holders está em 1.027, sugerindo que os participantes de curto prazo possuem lucro não realizado médio de aproximadamente 2,7%. Apesar de positivo, o valor se mantém abaixo da faixa de risco elevado (>1.15), o que aponta para uma situação de lucro contido e ainda compatível com períodos de consolidação. O descolamento do preço de mercado frente ao realizado não atingiu níveis que historicamente sinalizam excesso de otimismo.

O NUPL dos traders de curto prazo também segue retraído, em -0.016, indicando uma posição ainda próxima ao ponto de equilíbrio entre lucro e prejuízo, com leve dominância de prejuízos não realizados. Essa leitura está coerente com períodos anteriores de redistribuição e reduzida exposição ao risco, em que ainda não há exuberância no comportamento dos investidores de curto prazo.

Por fim, o índice de volatilidade segue comprimido, mantendo a sinalização de volatility squeeze. Essa condição técnica representa compressão do risco implícito e costuma preceder movimentos mais expressivos no preço. A ausência de picos de volatilidade amplia a possibilidade de expansão direcional nas próximas semanas, com viés indefinido, mas com espaço técnico para um movimento mais forte.

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Resumo das métricas principais:

  • RP<1M: preço do BTC (US$ 112.579) abaixo do custo de aquisição dos holders de 1 mês (US$ 112.721), com bear signal ativo (10/10);

  • STH-SOPR (7dma): 1.0003, levemente acima do ponto de equilíbrio, com lucros marginais sendo realizados;

  • STH-MVRV: 1.027, sinalizando lucros modestos e sem estresse de preço, abaixo da zona de euforia;

  • STH-NUPL: -0.016, indicando uma leve predominância de prejuízos não realizados e ausência de risco elevado;

  • Volatilidade: compressão persistente no volatility squeeze, sugerindo possível breakout à frente.

O painel on-chain permanece em zona de risco neutro a levemente elevado, com a maioria das métricas indicando moderação nos lucros realizados e ausência de sinais extremos de comportamento especulativo. A ativação do bear signal no RP<1M sugere fragilidade técnica de curto prazo, mas sem a presença de exuberância nas demais métricas.

A compressão de volatilidade reforça o cenário de possível movimento explosivo, o que exige atenção tática redobrada. Essa leitura consolidada aponta para uma estrutura ainda saudável, porém sensível a oscilações de fluxo nos próximos dias.

 

Perspectivas de Mercado de Longo Prazo

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Conclusões

A leitura integrada dos últimos eventos mostra que o mercado atravessa uma fase de vulnerabilidade pontual, mas ainda dentro de uma estrutura mais ampla de continuidade do ciclo de alta. O episódio recente de liquidações expôs o excesso de alavancagem e a baixa profundidade de liquidez em determinados momentos, sobretudo em horários de menor atividade ocidental, mas não comprometeu a solidez estrutural do mercado.

Pelo contrário, a redução do open interest e a distribuição pontual de baleias parecem mais alinhadas a ajustes táticos do que a uma inversão definitiva de tendência.

No horizonte mais amplo, o suporte vindo da liquidez global segue como fator predominante. A política monetária expansionista de mais de 80% dos bancos centrais, aliada à trajetória projetada de liquidez do Fed até 2026, mantém um pano de fundo fortemente construtivo para ativos de risco. Ainda que seja inevitável uma reversão futura, a evidência histórica aponta que o ciclo atual ainda não alcançou o estágio terminal, o que preserva espaço para novas pernadas de valorização.

Já no curto prazo, os sinais on-chain reforçam um quadro de risco neutro a levemente elevado, sem indícios de euforia desmedida. O bear signal no RP<1M indica fragilidade técnica momentânea, mas a compressão de volatilidade sugere que estamos próximos de um movimento direcional mais expressivo. Isso cria um ambiente em que a atenção tática deve ser redobrada, mas onde a leitura consolidada continua favorecendo a visão de que o bull market permanece intacto, ainda que sujeito a correções intermediárias e choques de liquidez.

 

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