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A virada de chave na política monetária global

O Banco Central dos EUA deverá iniciar o ciclo de corte de juros hoje e por isso, este é um relatório especial sobre macroeconomia e como o bitcoin será impactado neste cenário.

Resumo

👉 A política monetária dos EUA está em um momento decisivo, com cortes de juros previstos e uma possível recessão;

 

👉 O aumento das taxas de juros elevou os custos de crédito, desestimulando consumo e investimentos;

 

👉 A desaceleração no emprego e a queda na confiança do consumidor indicam que o impacto dos juros atingiu um ponto crítico;

 

👉 O mercado espera cortes de juros do FED a partir de 18 de setembro, com dúvidas se serão preventivos ou em resposta a uma recessão confirmada;

 

👉 Ações tendem a subir após cortes de juros, mas caem até 20% em caso de recessão confirmada;

 

👉 O mercado imobiliário desacelerou significativamente, e a concessão de novos empréstimos caiu;

 

👉 O NBER pode demorar até 10 meses para anunciar uma recessão, o que significa que a atual desaceleração pode já ser reflexo disso;

 

👉 Cortes de juros tendem a beneficiar mercados de ações e setores como tecnologia e criptomoedas;

 

👉 O ouro subiu recentemente devido à aversão ao risco e cortes de juros, mas o Bitcoin pode ser uma alternativa melhor a longo prazo;

 

👉 O Bitcoin oferece proteção contra incertezas geopolíticas, riscos fiscais e monetários devido à sua descentralização e oferta limitada;

 

👉 Com possíveis cortes de juros e recessão no horizonte, o Bitcoin surge como uma alternativa inevitável para investidores buscando preservar valor;

 

👉 O indicador Tether Ratio Channel aponta para um momento positivo para o Bitcoin no curto prazo;

 

👉 O ciclo de alta do Bitcoin ainda pode durar alguns meses, com possibilidade de atingir US$ 143 mil antes de um bear market prolongado;

 

👉 Apesar dos desafios macroeconômicos, a visão de longo prazo para o Bitcoin permanece positiva.

Introdução

A política monetária dos EUA enfrenta uma encruzilhada crucial, com a alta probabilidade de início de cortes de juros hoje, na data de publicação deste material e um mercado altamente sensível com uma possível recessão que virá.

Após um ciclo de alta agressiva iniciado em 2022 para combater a inflação, os sinais de desaceleração econômica e aumento das pressões sobre o mercado de trabalho estão abrindo espaço para uma política mais acomodativa.

Por isso, neste relatório visaremos detalhar os fatores macroeconômicos, implicações nos mercados financeiros(principalmente no bitcoin) e quais possíveis cenário podemos esperar com base nos dados disponíveis.

Vamos lá!

Desaceleração econômica é evidente após alta de juros

Desde 2022, o FED tem adotado uma política monetária restritiva com sucessivos aumentos nas taxas de juros, uma resposta à inflação de preços persistentemente alta que atingiu máximos históricos em mais de quatro décadas. Apesar do sucesso parcial em trazer a inflação para níveis mais gerenciáveis, se aproximando da taxa alvo do FED, essa política também resultou em uma desaceleração do crescimento econômico e uma retração em setores-chave como o imobiliário e o consumo.

A virada de chave na política monetária global

O aumento das taxas de juros tem se refletido diretamente em um aumento nos custos de crédito, o que desestimula o consumo e os investimentos, fatores essenciais para o crescimento e que já citamos antes nos relatórios PRO. A desaceleração na quantidade de empregos full-time e o enfraquecimento da confiança do consumidor são evidências de que o impacto da alta dos juros atingiu um ponto de virada.

Além disso, as taxas mais altas têm exercido pressão sobre os mercados financeiros, que tiveram que se ajustar a uma nova realidade de liquidez restrita e financiamento mais caro. O mercado imobiliário, por exemplo, experimentou uma desaceleração significativa, e a concessão de novos empréstimos caiu drasticamente.

A virada de chave na política monetária global

Um cálculo do nível “real” de juros – inflação menos o nível atual da taxa de juro federal – mostra que os custos dos empréstimos acabaram pressionando a atividade econômica com a maior força em mais de uma década.

O início dos cortes e a virada de chave global na política monetária

Dado o cenário de desaceleração econômica que já citamos anteriormente, o mercado financeiro aguarda um possível alívio monetário por parte do FED, com cortes nas taxas de juros esperados para ocorrer a partir de hoje, 18 de setembro. A grande questão que permeia o mercado é se o FED implementará cortes de juros de forma preventiva, para evitar uma recessão mais grave, ou se esses cortes ocorrerão em um contexto de emergência, após a confirmação de uma recessão.

A distinção entre o tipo de corte é ainda mais importante do que o tamanho do corte em si, dado o nível de sensibilidade que os mercados se encontram, boa parte da precificação será derivada da compreensão dos investidores em relação àquilo que será divulgado pelo Banco Central.

A virada de chave na política monetária global

O estudo recente da Carson Investment Research mostra que, historicamente, os cortes de juros preventivos têm sido mais eficazes para estabilizar os mercados e evitar recessões prolongadas. Quando os cortes de juros ocorrem de forma emergencial, geralmente a economia já está em recessão, e o impacto sobre os mercados pode ser menos positivo, refletindo maior volatilidade e aversão ao risco.

Apesar de já termos apontado esse cenário probabilístico, não tínhamos os dados suficientes para mostrar isso, na prática. Entretanto, agora sabemos que em média, ações possuem a tendência a performar de modo positivo nos 6 a 12 meses posteriores ao início dos cortes de juros caso a economia não entre em recessão.

Por outro lado, caso a economia norte-americana entre num cenário de recessão confirmada, historicamente as ações caíram quase 20% nos três meses posteriores.

Note que no geral, após 12 meses, a maioria das ações já conseguiu recuperar por completo e acumular ganhos em relação ao preço que estavam antes da recessão e cortes de juros, algo que poderemos estipular que ocorrerá de forma similar com o Bitcoin.

A virada de chave na política monetária global

Além disso, outro ponto que precisamos pontuar é o fato que o NBER, órgão responsável por declarar as recessões oficiais na economia norte-americana, demora em média 9 a 10 meses para sinalizar uma recessão. Portanto, é possível que essa desaceleração econômica que estamos vendo e dificuldades de subida de preços já seja por conta de estarmos num cenário de recessão nos EUA, apenas ainda não anunciado.

Como os ativos se comportam após a queda de juros?

Historicamente, os mercados de ações se beneficiam de cortes nas taxas de juros, especialmente quando esses movimentos são antecipados e considerados como forma de estimular a economia. Empresas de tecnologia, por exemplo, tendem a reagir fortemente aos cortes, já que dependem fortemente de financiamento barato para continuar crescendo, algo bastante similar ao que ocorre no setor de criptoativos.

O S&P 500 já respondeu positivamente em ciclos de cortes anteriores, como no início da década de 2000 e na crise de 2008. Mesmo assim, isto não garante que o mesmo ocorrerá nos próximos meses, é apenas uma forma de utilizarmos dados para melhorar nossa perspectiva dos possíveis cenários.

A virada de chave na política monetária global

Entretanto, a intensidade do impacto nos mercados de ações dependerá se os cortes forem vistos como uma resposta a uma recessão iminente ou uma medida preventiva para sustentar o crescimento. Em um cenário de corte emergencial, pode haver um aumento inicial na volatilidade.

Historicamente, commodities como o ouro têm desempenhado um papel de proteção ainda melhor em períodos de incerteza econômica, especialmente quando cortes de juros resultam em um dólar mais fraco. Com a redução nas taxas de juros, o custo de oportunidade de manter ouro diminui, o que aumenta sua demanda. Isso ocorre porque o ouro, como ativo não-produtivo, se torna mais atraente em cenários onde os rendimentos de ativos financeiros caem.

Isto explica o fato do ouro estar subindo e fazendo novas máximas nas últimas semanas, indicando uma demanda compradora consistente com esse momento de maior aversão ao risco existente na economia global. Por outro lado, hoje é possível termos um ativo ainda melhor do que o ouro para o longo prazo e falaremos sobre isso no tópico a seguir.

A virada de chave na política monetária global

Note que este é o cenário onde a recessão terá uma probabilidade maior de ocorrer, já que caso a economia consiga atingir um “pouso suave”, a maior probabilidade é que o dólar tenha um bom desempenho, fortemente derivada de um maior interesse em alocação de capital nos ativos precificados em dólar.

O Bitcoin como uma luz no fim do túnel

O Bitcoin tem sido cada vez mais reconhecido como uma proteção contra incertezas geopolíticas, riscos fiscais e monetários, graças às suas características únicas, algo que começa a ser visto não só por participantes “bitcoiners” do mercado, mas também pode gandes instituições como a BlackRock.

Ao contrário de moedas fiduciárias ou ativos tradicionais, o Bitcoin não está vinculado a políticas econômicas de uma única nação, sendo uma possível alternativa eficaz durante crises ou instabilidades políticas. Sua oferta limitada e a descentralização são fatores cruciais para sua função como reserva de valor em momentos de incerteza econômica.

No recente relatório de nome “Bitcoin: A Unique Diversifier”, a maior gestora de ativos do mundo elaborou em detalhes como o bitcoin pode ser visto como um ativo de oportunidade em períodos de turbulência global. Através de 3 pontos principais relacionados desafios enfretados por moedas fiduciárias e que o bitcoin resolve, é possível identificar como estamos diante de uma das maiores oportunidades de nossa geração.

A virada de chave na política monetária global

A primeira característica abordada é a descentralização. Bitcoin opera em uma rede sem intermediários ou controle central, o que o torna imune a intervenções governamentais, como desvalorizações ou confisco de ativos. Em momentos de crise geopolítica, como sanções econômicas ou restrições de capital, o Bitcoin oferece uma maneira de armazenar e transferir valor sem depender de instituições financeiras tradicionais, o que pode ser uma vantagem significativa em relação a moedas locais vulneráveis à manipulação governamental.

Outro fator crucial é sua oferta limitada. Com um máximo de 21 milhões de unidades, o Bitcoin tem uma característica deflacionária, o que o torna um ativo atraente para proteção contra a inflação. Ao contrário das moedas fiduciárias, que podem ser desvalorizadas por políticas monetárias como a impressão de dinheiro, o Bitcoin preserva seu valor intrínseco, independentemente das políticas fiscais adotadas por qualquer governo. Durante períodos de expansão monetária ou aumento da dívida pública, como o observado na crise financeira de 2008 e nas respostas econômicas à pandemia de 2020, o Bitcoin apresentou resiliência como reserva de valor.

A natureza global e sem restrições do Bitcoin também o diferencia de ativos tradicionais, como ações ou títulos. Ele pode ser transferido rapidamente, sem a necessidade de intermediários, e não sofre as limitações impostas por fronteiras ou sistemas financeiros nacionais. Isso o torna uma ferramenta eficaz para preservar capital em situações em que governos aplicam controles de capital ou restringem o acesso ao sistema bancário, como foi observado na crise da Grécia em 2015 ou no colapso econômico do Líbano.

Portanto, quando comparado a outros ativos como o ouro, que há muito é considerado um hedge em tempos de crise, o Bitcoin oferece liquidez e portabilidade superiores. Enquanto o ouro pode ser difícil de transportar e vender rapidamente em mercados globais, o Bitcoin pode ser transferido instantaneamente em qualquer parte do mundo, proporcionando uma resposta mais rápida a crises emergentes.

A virada de chave na política monetária global

Em termos de correlação com outros ativos, o Bitcoin tem se comportado de maneira relativamente independente de ações e títulos tradicionais. Isso o torna uma ferramenta de diversificação interessante para investidores que buscam reduzir a exposição a riscos sistêmicos. Embora o Bitcoin tenha apresentado correlação com outros ativos em certos momentos de liquidez extrema, como o início da pandemia de COVID-19, sua trajetória de longo prazo mostra uma independência significativa, especialmente em períodos de políticas monetárias expansivas.

Portanto, o momento atual de alteração na política monetária global deverá ser mais uma evidência de que uma janela de oportunidade se abre para aqueles que conseguiram entender como utilizar o bitcoin no longo prazo.

A virada de chave na política monetária global

Vale ressaltar que o Bitcoin se mostrou eficaz em momentos de incerteza global, oferecendo uma alternativa durante conflitos, sanções ou crises financeiras. Sua capacidade de operar fora do controle de governos o torna ma ferramenta única em tempos de turbulência política e econômica.

Com o corte de juros chegando em vários Bancos Centrais do mundo e uma possível recessão no horizonte, o bitcoin se mostra uma escolha inevitável para qualquer investidor ou indivíduo que busca preservar seu poder de compra e manter controle sobre sua propriedade.

Conclusões

Atualmente, estamos diante de um cenário de grande incerteza quanto ao impacto nos preços do Bitcoin a curto prazo, especialmente em função da indefinição sobre o corte de juros nos Estados Unidos, previsto para esta tarde, 18 de setembro de 2024. Com uma probabilidade de 40% para um corte de 25 pontos base, há uma alta chance de o mercado errar sua previsão, o que aumenta a volatilidade.

A virada de chave na política monetária global

Este é um dos Comitês de Política Monetária (FOMC) mais incertos desde 2015, criando expectativa de forte oscilação nas próximas horas. No entanto, no médio prazo, o indicador Tether Ratio Channel, indicador que utilizamos bastante aqui BlockTrends PRO, aponta para um momento positivo para o preço do Bitcoin nos próximos dias.

A virada de chave na política monetária global

Do ponto de vista de ciclo on-chain, a perspectiva de longo prazo permanece otimista. O Bitcoin Horizon Model, um dos principais indicadores on-chain que utilizamos para rastrear ciclos de 3 a 4 anos, indica que o ciclo de alta ainda pode durar alguns meses, com um possível topo acim de US$ 143 mil.

A virada de chave na política monetária global

Essa expectativa sugere que, mesmo com as quedas desde março, o Bitcoin ainda pode atingir patamares significativos antes de entrar em um bear market mais prolongado. Entretanto, note que a situação atual de baixa, que vem desde março, pode ser vista como um “mini bear market”, similar ao ocorrido em 2019 e no início de 2020, reforçando as comparações que fizemos anteriormente com ciclos anteriores.

Apesar dos desafios de curto prazo, especialmente por fatores macroeconômicos, mantemos uma visão positiva para o longo prazo. A sazonalidade, historicamente negativa para agosto e setembro, pode ceder espaço a um quarto trimestre mais otimista, mas isso dependerá de variáveis macroeconômicas, como a possibilidade de recessão nos EUA.

Se o FED conseguir controlar a desaceleração econômica e implementar cortes de juros progressivos, a tendência é que os ativos voltem a se valorizar. Por outro lado, mesmo diante desse cenário de incerteza, continuamos acreditando no Bitcoin como uma proteção de longo prazo contra a instabilidade econômica e geopolítica.

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