Resumo
- O rendimento em redes de Proof of Stake (PoS) é comparável à diluição monetária em economias fiduciárias;
- No PoW, a diluição gerada pela expansão da oferta afeta igualmente todos os detentores e mineradores;
- No PoS, stakers são desproporcionalmente recompensados, se beneficiando mais que não-stakers e incentivando a centralização nos que possuem mais tokens;
- O interesse institucional no Bitcoin aumentou em 2024, especialmente com a chegada dos ETFs spot nos EUA;
- A quantidade de baleias no Bitcoin atingiu níveis vistos pela última vez em 2021;
- A acumulação via OTC (negociação de balcão) tem sido relevante para o aumento do preço, mas ainda não apresentou intensidade como no início de 2024;
- Apesar da lateralização nos últimos meses, o bitcoin subiu 57% em 2024, sendo um dos melhores ativos do ano;
- A inflação monetária continua a impactar a precificação de ativos, incluindo o Bitcoin, e deve se intensificar nos próximos meses;
- A máxima histórica ajustada pela inflação do Bitcoin ainda não foi alcançada, o que indica que a fase mais eufórica do ciclo ainda não chegou;
- Espera-se mais alta até 2025, mas haverá correções de curto prazo antes do topo do ciclo;
- A liquidez global e as eleições nos EUA podem impulsionar ainda mais o Bitcoin.
Introdução
No relatório de hoje abordaremos o conceito de rendimento em redes de Proof of Stake (PoS) e como ele pode ser comparado à diluição monetária que ocorre em economias fiduciárias. Com o crescimento de projetos como o Babylon, a possibilidade de se usar Bitcoin como capital em redes PoS traz novos desafios, principalmente em termos de centralização e recompensa desproporcional aos stakers.
Além disso, iremos analisar a crescente participação institucional no mercado de Bitcoin, impulsionada pelos ETFs spot e a expansão monetária global, destacando suas implicações para o mercado e seus investidores.
Vamos lá!
O “rendimento” em redes de Staking é basicamente diluição, como na economia fiduciária
A busca por geração de rendimento em ativos como o Bitcoin tem se intensificado, especialmente com o avanço de redes baseadas em Proof of Stake (PoS), como o projeto Babylon. A ideia central é permitir que o Bitcoin seja utilizado como o capital necessário para participar do processo de consenso em redes PoS, possibilitando que os detentores sejam recompensados por sua participação, diferentemente do mecanismo de Proof of Work (PoW), onde a segurança da rede é garantida pela mineração, que demanda recursos como energia e poder computacional.
No PoW, a diluição resultante da emissão de novas moedas afeta igualmente todos os detentores, uma vez que a oferta total de moedas se expande de forma constante, reduzindo o valor proporcionalmente a cada unidade existente. Isso é particularmente importante para o Bitcoin, cuja oferta anual cresce cerca de 0,8%. Portanto, essa diluição só é compensada com a entrada de novo capital, mantendo o valor da moeda relativamente estável.
Podemos até adotar o exemplo acima, com um crescimento da oferta em torno de 10% causado pela adição de 1 nova unidade monetária num sistema de Prova-de-trabalho. Essa unidade adicional gera uma redução no preço por moeda, assumindo a eficiência de mercado, o que causa uma diluição de 9,1% que distribuída igualmente entre holders e mineradores.
No entanto, a dinâmica de PoS é mais complexa e menos uniforme. Nesses sistemas, apenas os stakers, ou seja, aqueles que “apostam” suas moedas para validar transações e propor blocos, são recompensados. Isso gera uma distribuição desigual de novas moedas, beneficiando desproporcionalmente os stakers em detrimento dos não-stakers, que veem suas participações diluídas de maneira mais significativa.
Essa dinâmica favorece a centralização, à medida que os grandes detentores de tokens — aqueles com mais poder de staking — acumulam mais moedas, o que lhes confere ainda mais poder no sistema.
A concentração de poder em redes PoS tem paralelos com o funcionamento da economia fiduciária, onde a capacidade de gerar rendimento e controlar recursos está diretamente relacionada ao montante de capital disponível. No PoS, quanto mais tokens um participante possui, maior é sua influência na rede e maior é sua capacidade de validar transações e obter recompensas. Esse ciclo pode reforçar a centralização, criando uma dinâmica em que grandes detentores controlam de forma crescente as decisões e recompensas da rede.
Na prática, essa estrutura faz com que os stakers recebam recompensas superiores ao crescimento da oferta total de tokens. Por exemplo, se a oferta total crescer 10%, como no exemplo dos mineradores, os stakers podem experimentar um ganho proporcionalmente maior devido à redistribuição das novas moedas, enquanto os não-stakers sofrem a diluição dessa expansão de oferta. Isso se deve ao fato de que a diluição que ocorre para todos os participantes não-stakers é redistribuída entre um número menor de stakers, resultando em uma maior concentração de capital para aqueles que já participam do staking.
Por outro lado, o sistema PoW, embora também apresente diluição para todos os detentores com o aumento da oferta de moedas, mantém uma distribuição de poder mais descentralizada, uma vez que a participação na rede não depende apenas de quanto capital um indivíduo possui, mas também de sua capacidade de mineração — uma função dos recursos computacionais e energéticos disponíveis.
Em última análise, as redes PoS introduzem um incentivo maior à centralização, recompensando aqueles que já possuem grandes quantidades de tokens e potencialmente criando uma rede cada vez mais controlada por poucos. Para os investidores, isso significa que, embora o staking possa parecer uma forma atrativa de obter rendimento, ele também carrega implicações estruturais profundas que podem impactar a descentralização e a equidade do sistema a longo prazo.
Interesse institucional permanece crescendo no bitcoin
A recente valorização no preço do Bitcoin foi impulsionada principalmente pela melhora no sentimento da rede, com aumento no volume de atividade e maior fluxo de capital. Entretanto, essa pressão de compra foi bastante influenciada por interesse institucional que esteve crescendo nos últimos meses, principalmente em 2024, com destaque para o impacto dos ETFs spot nos EUA.
A acumulação de reservas de baleias institucionais atingiu níveis recordes, com mais de 700 mil BTC acumulados ao longo dos últimos 365 dias, refletindo o crescente apetite por Bitcoin entre grandes investidores e instituições financeiras.
O aumento do volume de compra institucional no Bitcoin também impactou significativamente a quantidade de baleias na rede, atingindo níveis não vistos desde o ciclo de alta de 2021. Esse padrão, que geralmente acompanha períodos de valorização do ativo, foi intensificado pela chegada dos ETFs spot nos Estados Unidos. Atualmente, existem 1.684 baleias na rede Bitcoin, número que coincide com o maior registrado desde janeiro de 2021, quando o mercado estava em uma fase de alta acentuada e o otimismo dos investidores era generalizado.
Nos últimos dois ciclos de alta, a quantidade de baleias no Bitcoin aumentou à medida que o preço subia, mas eventualmente caiu significativamente, sinalizando que essas instituições começaram a vender seus ativos. No entanto, esse processo de saída ainda não ocorreu no ciclo atual. Continuamos a ver um aumento na quantidade de baleias, sem grandes vendas ou dumping.
Após um período de lateralização nas reservas de baleias entre junho e início de outubro, observamos novamente a entrada desses grandes participantes, reforçando a pressão de compra e otimismo no mercado.
Além disso, atividade das reservas de OTC tem sido um indicativo importante do comportamento das instituições no mercado de Bitcoin. As negociações de balcão, preferidas por investidores institucionais, permitem movimentações de grande volume sem afetar diretamente o preço no mercado aberto.
Desde o início de 2023, a acumulação institucional via OTC foi um dos motores da tendência de alta do Bitcoin, fornecendo pressão compradora em todas as quedas de preço. No entanto, em julho, houve uma pressão maior de venda institucional, contribuindo para a lateralização do preço, especialmente quando mais de 92 mil Bitcoins apresentaram interesse vendedor em junho.
A pressão de venda que prevaleceu nos meses de julho e agosto começou a diminuir significativamente. Agora, as reservas de Bitcoin mantidas em OTC estão em um patamar estável, com cerca de 412 mil bitcoins. Isso sugere que, embora ainda não estejamos vendo um padrão claro de acumulação como o observado em 2023, a distribuição de moedas também cessou.
Esse cenário pode ser um indicativo de que, nas próximas semanas ou meses, as reservas de OTC possam ser drenadas, estimulando um novo interesse institucional por acumular Bitcoin, favorecendo uma alta de preços.
Nas últimas semanas, temos observado um padrão de acumulação no mercado de Bitcoin que contrasta com o cenário de distribuição visto entre maio e julho deste ano, quando o preço não conseguiu romper a resistência dos US$ 70 mil. Agora, tanto pequenos investidores (com menos de 1 BTC) quanto instituições (com 1.000 a 10.000 BTC) têm acumulado. O indicador de tendência de acumulação da Glassnode confirma essa atividade, sugerindo que a combinação desses movimentos pode sustentar uma tendência de alta até o final de 2024.
A busca por proteção vai levar o bitcoin para outro patamar
Apesar da recente tendência de consolidação, o Bitcoin tem se destacado como um dos ativos de melhor performance em 2024, registrando uma alta superior a 57%. Isso o coloca à frente de muitos ativos tradicionais. Com sua característica de absorver liquidez, o Bitcoin é visto cada vez mais como uma proteção não só contra a degradação monetária, mas também contra eventos geopolíticos, reforçado pelo lançamento dos ETFs de Bitcoin spot nos EUA, que permitem acesso regulado a instituições dentro do mercado tradicional.
Ao compararmos o lançamento dos ETFs spot de Bitcoin com os ETFs de ouro do início do século, fica claro que o Bitcoin superou em volume de capital, com mais de 20 bilhões de dólares captados em seu primeiro ano. Esse sucesso é impulsionado pela perda contínua do poder de compra e pela degradação monetária, resultado da inflação gerada pela impressão de dinheiro. Bancos centrais em regiões como EUA, Zona Euro, Japão e China seguem expandindo suas bases monetárias, sendo a M2 uma das principais medidas para acompanhar esse fenômeno.
O aumento da base monetária e a consequente perda de poder de compra influenciam diretamente na precificação de ativos, incluindo o Bitcoin. Quando ajustamos o preço do Bitcoin pela inflação monetária, percebemos que a máxima histórica real de US$ 67.734,00 registrada em novembro de 2021, ao ser corrigida pela perda de poder de compra, equivale a US$ 63.316,00. Isso indica que, apesar do aumento nominal, o valor real ajustado do Bitcoin ainda não alcançou uma nova máxima histórica.
Ao ajustar o preço do Bitcoin pela perda do poder de compra, observamos que, embora tenha havido uma alta nominal em março de 2024, quando o preço atingiu US$ 73.157,00, o valor real ajustado foi de apenas US$ 60.738,00. Em 21 de outubro, o preço nominal estava em US$ 67.419,00, mas o valor real era de US$ 55.325,00. Para alcançar uma nova máxima histórica real, o Bitcoin precisaria atingir US$ 77.157,00 ajustado pela inflação. Portanto, o preço atual ainda não reflete um novo topo real ajustado pela perda do poder de compra.
Com base na valorização observada em 2023 e no início de 2024, embora o Bitcoin tenha demonstrado um crescimento significativo, ele ainda não ultrapassou sua máxima histórica ajustada pela inflação. Esse contexto sinaliza que o mercado ainda não entrou na fase eufórica típica do final de um ciclo de alta, que historicamente ocorre nos últimos meses do ciclo de quatro anos. A tese predominante aqui no BlockTrends PRO é que ainda temos alguns meses de potencial alta antes que o mercado inicie um ciclo de correção, que pode se prolongar por mais de um ano.
Conclusões
Mesmo sem grandes evoluções na estrutura do ciclo de mercado em relação ao último relatório, é essencial enfatizar que os indicadores on-chain ainda apontam um cenário favorável para os próximos meses. A pressão de compra dos investidores institucionais, combinada com o aumento de demanda on-chain do varejo, está estabelecendo uma estrutura de mercado sólida, algo que não víamos desde o início de 2024.
Essa nova fase pode permitir que o Bitcoin atinja novas máximas, refletindo um crescente interesse institucional, potencialmente impulsionado pelos ETFs spot e pelo aumento na liquidez global.
Ainda que possamos observar correções no curto prazo, a estratégia de manter a posição é clara. A estrutura do ciclo sugere que 2025 pode marcar o topo desse movimento, e por isso, será fundamental acompanhar de perto os sinais estruturais para encontrar os melhores pontos de saída. A nossa visão principal continua sendo a de que temos mais alguns meses de alta, e a cautela em relação aos sinais é essencial para maximizar os resultados.
Além disso, há uma expectativa de maior injeção de liquidez por parte dos bancos centrais ao redor do mundo, um fator que pode criar um ambiente mais otimista para ativos de risco, como o Bitcoin. Esse movimento de liquidez, combinado com o cenário político nos EUA e as eleições de 2024, pode estimular uma maior demanda por criptoativos.
A chegada de novos investidores institucionais no mercado, além do crescimento do varejo, reforça ainda mais a expectativa de que o Bitcoin continue a se valorizar no médio prazo.
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