Receita Federal mira criptomoedas após operação recorde nas fronteiras
Operação Fronteira 2025 registra apreensões recordes de R$ 160 milhões e reforça a estratégia de seguir o dinheiro. Receita Federal coloca criptomoedas no foco, avança em medidas de regulamentação e amplia a fiscalização para portos, aeroportos e recintos alfandegados. Integração via PPIF e ênfase em compliance elevam a capacidade de desarticular redes ilícitas.
Apreensões de R$ 160 milhões em mercadorias e foco no rastreamento financeiro colocam ativos digitais no centro das investigações
A Receita Federal do Brasil encerrou a Operação Fronteira de 2025 com a apreensão de R$ 160 milhões em mercadorias sem recolhimento de impostos, mais que o dobro do resultado de 2024. Em coletiva, o secretário especial da Receita, Robinson Sakiyama Barreirinhas, atribuiu o desempenho à integração com Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e órgãos estaduais e municipais. Segundo ele, o esforço conjunto foi decisivo para sufocar a logística das organizações criminosas, que se valem de múltiplas rotas e modalidades para burlar o controle aduaneiro. O efetivo mobilizou cerca de 400 servidores da Receita e centenas de agentes de outras instituições, em atuação simultânea nas cinco regiões do país.
O eixo central da estratégia foi o rastreamento do dinheiro, apontado por Barreirinhas como mais efetivo do que a mera apreensão de cargas. O secretário afirmou que as criptomoedas estão na mira dos investigadores e que há trabalho firme na regulamentação de seu uso, aliado à criação de uma delegacia voltada ao combate a fraudes estruturadas. A abordagem, disse, já gerou resultados em operações recentes, a exemplo da Carbono Oculto. A diretriz é atingir o pilar financeiro do crime, que recorre à lavagem e a mecanismos para dar aparência legal a atividades ilícitas.
No plano técnico, o foco em ativos digitais reflete uma tendência global: a infraestrutura pública das blockchains facilita a análise de fluxos e a identificação de padrões, ao mesmo tempo em que exige controles robustos nos intermediários. Em linha com os padrões internacionais, o processo regulatório tende a reforçar práticas de conhecimento do cliente (KYC), reporte de operações suspeitas ao Coaf e a chamada travel rule para transferências entre prestadores de serviços de ativos virtuais. A combinação entre rastreabilidade on-chain e obrigações de compliance off-chain aumenta a capacidade de seguir o dinheiro, reduzir camadas de opacidade e desarticular redes de contrabando e descaminho.
O coordenador-geral de Combate ao Contrabando e Descaminho, Raphael Eugênio de Souza, ressaltou o papel do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), que articula 18 órgãos e permite somar inteligências para enxergar a “foto completa” das cadeias ilícitas. Já o subsecretário de Administração Aduaneira, Fabiano Coelho, explicou que o salto de resultados também veio da ampliação do perímetro de atuação. Além da fronteira terrestre, a operação se estendeu a portos, aeroportos e recintos alfandegados no interior, resultando em quase três dezenas de prisões e recorde de apreensões sem disparos — evidência de planejamento e eficiência operacional.
Do ponto de vista econômico, apertos na fiscalização afetam custos e incentivos do comércio irregular, com efeitos sobre preços e liquidez em mercados paralelos. Em cenários de maior incerteza, oscilações de inflação, emprego e câmbio influenciam tanto o uso legítimo de criptoativos quanto sua exploração por agentes ilícitos, reforçando a importância de políticas de conformidade. Para quem deseja compreender melhor como variáveis como inflação, crescimento e liquidez dialogam com a dinâmica dos criptoativos e com medidas de supervisão, o BlockTrends oferece o curso Indicadores Macroeconômicos no Mercado de Cripto, que explora conceitos essenciais para interpretar o impacto de políticas, ciclos e choques na adoção e nos fluxos do setor.