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PIB chinês cresce em 2020 e deverá ultrapassar o dos EUA 5 anos antes graças ao Covid19


Por Felippe Hermes
Janeiro 18, 2021

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Divulgados durante a madrugada de hoje, horário de Brasília, os dados do PIB chinês indicam um avanço de 2,3%, o menor desde 1976, mas suficiente para fazer o país ser o único a não entrar em recessão em 2020.

Com o avanço de 2,3% em 2020 a economia chinesa conseguiu se recuperar dos efeitos da Pandemia e do lockdown no começo do ano. O resultado foi longe de ser um ano típico, com crescimento em 6,1%, como 2019, mas suficiente para antecipar uma tendência: fazer da China a maior economia do planeta.

Antes da Pandemia a previsão é de que a mudança de posição no primeiro lugar do pódio ocorreria em 2033. Com a economia americana caindo até 5% no ano, nas projeções de analistas, a perspectiva agora é de que a ultrapassagem ocorra em 2028

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O crescimento de 2020 superou as expectativas de analistas e foi puxado essencialmente pela indústria.

O resultado imediato do crescimento porém, é uma elevação de consumo de energia, que também segundo analistas deve frear a retomada.

A alta da economia chinesa já puxou o preço de commodities como petróleo e minério de ferro, provocando efeitos no Brasil.

Graças a retomada mais cedo do que o inicialmente previsto, o minério de ferro atingiu $167 em Dalian, principal Porto chinês a receber o metal. No Brasil, isso terminou por catapultar a Vale, que é hoje a empresa de maior valor de mercado na América Latina.

Em energia, a retomada provocou temores de apagão, elevando o preço do petróleo. Por aqui, a Petrobras segue segurando os preços e evitando repasses.

A ultrapassagem da economia americana porém é o grande marco antecipado pelo Covid19.

O relatório feito pelo Centre for Economics and Business Research (CEBR), sediado no Reino Unido, aponta que a partir de 2026, a economia chinesa deve crescer 4,5% ao ano, contra 1,6% da economia americana.

No relatório publicado pelo instituto, chama atenção o aumento considerável da participação da economia chinesa na economia global, saindo de 3,6% em 2000 para 17,8% em 2019.

Essa não é a primeira vez na história que a China ganha tamanha relevância na economia global. Como aponta o historiador econômico Niall Ferguson, China e Índia já foram responsáveis conjuntamente por metade da economia mundial.

A “Grande divergência”, como aponta Ferguson em seu livro “Civilização”, ocorre pelo que ele chama de “killer apps”, uma série de Instituições desenvolvidas no ocidente que ficaram por séculos inexistentes no oriente.

A propriedade privada, o consumo de massa, a ética protestante do trabalho e outros avanços do ocidente fizeram com que por um período de 2 séculos a região se sobrassaíse em relação ao resto do mundo.

Desde 1976 com o fim da era Mao Tsé Tung porém, a China em especial tem buscado novas maneiras de lidar com sua economia.

A aproximação com os Estados Unidos e a criação de “Zonas econômicas especiais”, criaram um paradoxo diante do modelo de sociedade que os revolucionários comunistas defendiam logo após a segunda guerra mundial.

Zonas como Shangai tornaram-se um misto entre capitalismo e socialismo, resultando em uma atração maciça de capital estrangeiro.

O resultado mais prático destas medidas foi um avanço considerável da renda média dos cidadãos chineses. Os índices de pobreza caíram vertiginosamente, com 881 milhões de pessoas saindo da pobreza entre 1981 e 2019.

De fato, de acordo com dados chineses, o índice de pobreza no país saiu de 88% para 0,7% no período.

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A rápida ascensão da economia chinesa tem criado outros paradoxos, como o surgimento de ao menos 5 novos bilionários todas as semanas.

É importante ressaltar que a despeito da defesa de liberais como Milton Friedman, de que “o capitalismo seria um catalizador da democracia na China”, o Partido Comunista Chinês tem mantido coesa a estrutura social por lá. Não há, ao contrário de ilusões liberais, perspectiva de uma revolução cultural que torne a China mais próxima do ocidente.

A confiança dos dados chineses

Por décadas economistas tem chamado a atenção para a falta de confiança nos dados apresentados pelo governo local.

Como o próprio governo chinês admite, ainda que indiretamente, a sua política de metas para governadores e autoridades locais cria uma divergência em relação aos números regionais e nacionais.

Com governantes locais sendo promovidos e avaliados em função do crescimento que promovem, os dados apresentados por ele seriam em média 12% maiores do que o agregado.

Tal política de incentivos resulta também em investimentos feitos apenas para incentivar os números finais do PIB, como as famosas cidades fantasmas da China.

O crescimento porém já leva o país a ter ganhos significativos de renda.

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Um trabalhador chinês hoje já possui um salário médio maior do que o de um brasileiro.

Entre 2005 e 2016, o salário de um trabalhador chinês na indústria saltou de $1,2 para $3,6 a hora, enquanto o de um salário caiu de $2,9 para $2,7.

Independente do resultado do Covid entretanto, a tendência de uma economia chinesa como a dominante no planeta já vinha sendo desenhada. As consequências por sua vez são diversas, e se manifestam culturalmente, além de tecnologicamente. Não há dúvidas de que o avanço de tecnologias como o 5G, se torne mais um meio de disputa de poder nos próximos anos.

A posição do Brasil, grande fornecedor de matérias primas, ainda é uma questão em aberto.

Nos próximos anos porém a economia chinesa também deve enfrentar desafios. A população tem envelhecido rapidamente, e dada a ausência de um sistema de proteção social na terceira idade, os chineses devem começar a ser pressionados em seus ganhos.

Isso ocorre pois, na tradição chinesa, filhos devem sustentar os pais na velhice.

Dada a política do filho único, a tendência é que a pressão sobre estes jovens entrando no mercado de trabalho aumente ao longo dos anos, criando um problema para as atuais gerações no futuro.

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