Artigo

Aker ASA

Petroleira da Noruega reforça caixa com Bitcoins


Por Marcelo Campos
março 9, 2021

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Aker, gigante industrial norueguesa, decide comprar Bitcoin e fortalece o movimento de  mudança de mentalidade em grandes instituições do capitalismo moderno. Com a compra, o Fundo de Petróleo soberano da Noruega, o Government Pension Fund Global, ganha exposição indireta ao criptoativo.

A Aker, gigante industrial norueguesa listada em bolsa, criou uma nova empresa chamada Seetee para ganhar exposição ao Bitcoin. De acordo com o presidente da Aker ASA, Kjell Inge Rokke, a Seetee já comprou 1.170 BTCs, avaliados em US$58 milhões de dólares, e pretende comprar mais.

As manchetes sobre a compra, no entanto, não fazem justiça à importância do movimento. Diferente dos entesouramentos da MicroStrategy, que a essa altura se assemelha mais a um ETF de Bitcoin do que a uma empresa de sistemas, a compra da Aker é pequena, mas significativa.

Assim como a compra de Bitcoin pelo banco mais velho dos Estados Unidos, o BNY Mellon, a exposição da Aker demonstra uma mudança de mentalidade em gigantes instituições do capitalismo moderno.

Para entender o porque a Aker não é só mais um investidor institucional ganhando exposição ao criptoativo, primeiro precisamos entender quem é Kjell Inge Rokke e porque ele é importante.

Fundo de Petróleo soberano da Noruega

O presidente da Aker ASA é a segunda pessoa mais rica da Noruega e detém um patrimônio líquido de US$5.4 bilhões. Já a empresa para qual trabalha tem 180 anos de história como conglomerado industrial e é proprietária de diversas empresas do setor de geração de energia.

Mas, mais importante que isso, a Aker é hoje a quinta maior petroleira da Noruega. O que torna a empresa uma das cinco maiores fontes de renda para o Fundo de Petróleo soberano do país.

Isso não é pouca coisa. Em 1969, um dos maiores campos de petróleo offshore do mundo foi descoberto na costa norueguesa. Do dia pra noite, o país se viu com uma ampla oferta de combustível para vender ao mundo desenvolvido. A economia do país cresceu drasticamente e, para evitar um ciclo necessariamente extrativista, o parlamento norueguês criou, em 1990, o Government Pension Fund Global.

A lógica é simples e se assemelha com algumas regras de partilha realizadas pela Petrobras no Brasil. Por ser uma atividade econômica danosa ao meio ambiente, a Noruega cobra royalties e impostos elevados do setor petrolífero. Toda a renda dessa tributação é revertida para o maior fundo de pensão do país.

Diferentemente do Brasil, onde fundos de pensão criados pelo Estado costumam sofrer para bater a meta atuarial, o fundo norueguês tem permissão para investir em ativos globais e ampliar a estabilidade do modelo.

O que acontece na prática é que a tributação das petrolíferas que atuam na Noruega serve pra ampliar um fundo com mais de US$1.3 trilhão em ativos sob gestão. O tamanho do fundo soberano é tão relevante que, atualmente, o Government Pension Fund Global detém ações de 1.5% de todas as empresas públicas listadas no mundo.

É um player grande o suficiente para decidir o valor de classes de ativos inteiras. E, após a decisão de Kjell Inge Rokke, agora é exposto indiretamente ao Bitcoin.

Kjell Inge Rokke no quebra-cabeça

A mudança de mentalidade, no entanto, não está na pequena exposição indireta de um fundo soberano ao Bitcoin. O salto mais importante é a mudança de mentalidade na própria Aker.

Em carta para os acionistas da empresa, Rokke reconhece a problemática da atual política monetária expansionista no mundo inteiro. Segundo o CEO da Aker:

“Investidores usam títulos públicos para diversificar suas carteiras. O fundo soberano da Noruega é projetado dessa forma e tem funcionado bem na história recente. Mas se as ações e títulos caírem simultaneamente, o que já aconteceu por longos períodos de tempo? Antes do Federal Reserve intervir com liquidez sem precedentes, isso estava prestes a acontecer.”

A preocupação da quinta maior fonte de renda do fundo soberano da Noruega é importante. Considerando que após a extensa emissão de moeda deverá haver o chamado monetary tapering, um processo de enxugamento da base monetária capaz de derrubar mercados no mundo inteiro, a busca por diversificação em ativos descorrelacionados é um próximo passo natural para o fundo de pensão norueguês.

Ainda na carta aos investidores, Rokke cita que, antes de decidir alocar parte do capital da sua empresa em Bitcoin, conversou com alguns especialistas no assunto. Entre eles, grandes nomes do mercado de criptoativos, como Saifedean Ammous, Andreas Antonopolous, Adam Back, Nic Carter, Anthony Pompliano, Michael Saylor e Elizabeth Stark.

Apesar de ser um grupo diverso, a principal semelhança entre esses nomes é que todos concordam que estamos caminhando para um novo paradigma de inflação. Apesar de temer pelo futuro de sua própria empresa em uma economia limpa, Rokke sabe que inovação é a única forma na qual conglomerados bicentenários conseguem sobreviver no capitalismo.

Independente se sua preocupação é com o futuro do dinheiro ou do próprio setor energético, o CEO da Aker parece enfim ter descoberto as palavrinhas mágicas frequentemente ilustradas no ambiente cripto: Bitcoin fixes this.


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