Artigo

Brasília

Moradores de Brasília são em média 54 vezes mais ricos que em Macapá, e 2 vezes mais ricos que paulistanos.


Por Felippe Hermes
Outubro 15, 2020

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Publicada pelo Fundo Monetário Internacional na última semana, a previsão de queda na economia brasileira em 2020 confirma um feito histórico: essa será, em toda a história do país, a primeira década na qual a economia brasileira irá encolher.

A queda de 5,6% projetada para este ano porém, é apenas um detalhe diante dos problemas enfrentados pelo país, que permanece em situação complicada, mesmo quando desconsideramos a Pandemia.

Como apontou o mesmo FMI, o Brasil foi o país que mais expandiu seus gastos públicos no planeta. Saímos de uma carga tributária de 33,6% para 41%, excluindo os juros da dívida que consomem outros 8%.

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Na prática, quando o adicionamos o custo de juros da dívida, temos a segunda maior carga tributária do planeta. Desconsiderando estes custos, permanecemos em 4º lugar. 

Uma década de crescimento da despesa pública e contração do PIB, cobram neste momento um preço elevado, especialmente quando consideramos que apesar de elevada, a carga tributária brasileira não se traduz em mais serviços públicos. 

Gastamos metade do que gasta a França, e menos do que outros 8 países, quando o assunto são “gastos sociais”.

Um número no qual nos destacamos porém, é o gasto com o funcionalismo. Em outro relatório, desta vez do Banco Mundial, o Brasil aparece entre os países com maior disparidade salarial entre o setor público e privado.

Por aqui, na esfera federal, um funcionário público ganha em média 56% mais do que um funcionário privado. 

São R$970 bilhões distribuídos entre as 3 esferas de poder. Em Brasília, sede do poder público brasileiro, a situação serve de espelho para outra realidade do país: a Desigualdade artificial.

A capital federal se destaca pelos bairros de renda mais alta do país. No lago sul, sede de mansões dos empresários e membros do alto escalão do governo, a renda média está em R$27 mil, ou 9 vezes mais do que na média do país.

Nos arredores da capital, a periferia presencia rendas similares aos da média nacional, o que faz do plano piloto uma espécie de ilha da fantasia, longe da realidade do país.

Como Marcelo Nery destaca em um estudo publicado pela FGV, chamado “Onde estão os ricos do Brasil”, a renda média dos habitantes  do Distrito Federal não chega a se distanciar tanto da média nacional. Brasília é a terceira maior cidade brasileira em renda per capita, atrás de Florianópolis e Porto Alegre.

Em termos de patrimônio porém, a coisa muda de figura. 

Em Brasília, 55% da população declara imposto de renda, o que significa que possuem rendimentos maiores do que R$29 mil.

Em Florianópolis, a cidade com maior renda per capita dentre as capitais (R$3,56 mil), são cerca de 33% os declarantes que ganham mais do que o valor mínimo do Imposto de Renda.

De volta à capital federal, os dados do Imposto de Renda de 2018, mostram que cada brasiliense acumula um patrimônio de R$ 327 mil.

O número equivale ao dobro dos paulistas, moradores da capital de maior riqueza acumulada no país (com R$161 mil), e mais de 50 vezes a riqueza acumulada pelos moradores de Macapá, a capital com menor patrimônio acumulado.

Os moradores de Brasília são ainda 2,5 vezes mais ricos do que os porto alegrenses e 3 vezes mais ricos do que os cariocas.

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Quando pegamos os 55% da população que declara Imposto de Renda porém, o valor equivale a R$597 mil.

Em dólares e considerando-se paridade do poder de compra, cada habitante da elite brasiliense possui um patrimônio equivalente ao de um europeu médio ($153 mil)

Quando consideramos apenas o Lago Sul, o patrimônio salta para R$1,97 milhão em média. Os moradores da área nobre da capital brasileira são tão ricos quanto um suíço ($430 mil dólares)

Mesmo sem nenhum bilionário para distorcer a conta (ao contrário de SP, lar de 7 em cada 10 bilionários brasileiros em dólar), a ilha da fantasia ganha destaque.

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