Finanças

Liberdade econômica cai no mundo e Brasil sobe 10 posições no ranking dos mais livres

Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation mostra que a pandemia da Covid-19 provocou redução da liberdade econômica no mundo, favorecendo comparativamente o Brasil.

Liberdade econômica cai no mundo e Brasil sobe 10 posições no ranking dos mais livres
Aerial view of Brazil's Rio de Janeiro and its beaches, buildings, and boats on blue waters, with hills and mountains nearby. Original public domain image from Wikimedia Commons

A liberdade econômica global caiu. É o que mostrou o tradicional estudo do think tank norte-americano Heritage Foundation. No Brasil, a variação foi mínima: de 53,4 para 53,3, em uma escala que vai até 100. Contudo, o país ganhou 10 posições, e subiu da 143º posição para 133º entre 177 países.

Neste século, o Brasil registrou uma sequência de 14 anos de contínua piora no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation e no ranking. Em 2018, o país chegou a pontuar apenas 51,4 pontos, o pior resultado desde que o ranking foi criado, em 1995, ficando na 153º colocação. Entre 2018 e 2020 essa trajetória foi invertida, chegando a 53,7, mas os últimos dois levantamentos mostraram novas regressões no índice, com o Brasil agora pontuando 53,3.

Quem o Brasil ultrapassou:

Países cuja liberdade econômica caiu no último ano, e acabaram superados pelo score brasileiro:

Belarus (-8,0)

Bangladesh (-3,8)

Quênia (-2,3)

Angola (-1,6)

Suazilândia (-3,7)

Comoros (-5,3)

Tajiquistão (-5,5)

Myanmar (-5,6)

Laos (-4,7)

Egito (-6,6)

Lesoto (-5,4)

China: (-10,4)

Maldivas (-7,9)

Guiné Bissau (-8,9)

Quem ultrapassou o Brasil:

Equador (+1,9)

Dominicana (+1,4)

Quiribati (+14,8)

Micronesia (+10,6)

O que melhorou e o que piorou no último relatório

Há 12 critérios avaliados pelo levantamento da Heritage Foundation, divididos em três categorias. São elas: estado de direito, tamanho do governo e eficiência regulatória.

Todos os critérios recebem o mesmo peso no cálculo do índice, que segue de 0 a 100. Para ser considerado livre, um país precisa receber mais de 80 pontos.

Como é natural, entre cada relatório anual há avanços em alguns indicadores e retrocessos em outros. No último levantamento o Brasil avançou em efetividade judicial (57,2), em liberdade de negócios (63,2), legislação trabalhista (55,9) e liberdade monetária (78,4). Em contrapartida, houve piora em direitos de propriedade (50,3), integridade governamental (40), em carga tributária (69,9), gastos governamentais (53,8) e comércio internacional (60), além de saúde fiscal (0,4), que é a pior nota do país, e segue em tendência de forte queda desde 2014.

Já os indicadores de liberdade de investimentos (60) e liberdade financeira (50) ficaram estáveis.

O déficit público nos últimos dois anos já era apontado como o fator mais grave do país no índice, e foi impulsionado por gastos governamentais em busca de mitigar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia. A mudança de regras o Teto de Gastos com a PEC dos Precatórios é um dos fatores.

Por outro lado, reformas microeconômicas relevantes foram implementadas em 2021, contribuindo para o avanço na questão regulatória. Entre elas, a BR do Mar, o Novo Marco das Ferrovias, a Lei do Ambiente de Negócios, o Marco das Startups, a Nova Lei do Gás, a Autonomia do Banco Central, a Nova Lei das Falências, a Lei de Licitações e o Novo Marco Cambial.

No que tange à regulação de criptoativos, apesar de países como Canadá, Estados Unidos, El Salvador e China terem avançado em implementações regulatórias, o Congresso brasileiro ainda está em fase de discussão sobre o tema.

Histórico do Brasil no Ranking de Liberdade Econômica

Em 2003 o Brasil ficou na 72ª colocação global, com 63,4 pontos, sendo classificado como uma economia majoritariamente livre. De lá para cá, o país ficou menos livre enquanto a média de liberdade econômica no mundo aumentou.

Atualmente o país é classificado como uma economia majoritariamente não-livre, estando na 26º colocação entre os 32 países das Américas, e com pontuação abaixo das médias regional e mundial. Em última análise, o Brasil é o 44º país mais hostil à geração de riqueza entre todos os analisados.

Até o começo da década de 2000 e ao final do primeiro mandato do governo Lula, o Brasil registrou avanços, principalmente a partir de superávits primários e intervenções regulatórias mais tímidas. Entretanto, o país começou gradativamente a perder liberdade econômica e posições no ranking na última década e meia.

Casos de corrupção, como os desvendados pela Operação Lava Jato, solaparam o quesito integridade governamental, além dos sucessivos déficits fiscais terem aumentado a dívida pública e prejudicado o indicador saúde fiscal, com o risco político adverso deteriorando a segurança jurídica. Além disso, houve maiores intervenções governamentais na economia, na cessão de crédito do BNDES e na política monetária no governo Dilma, com o país regredindo no ranking. Houve melhora de score e de classificação apenas a partir de 2018.

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Luan Sperandio

Sobre o autor

Luan Sperandio

Editor-chefe da Apex Partners, analista político e colunista do Folha Business. Estudou Direito na Universidade Federal do Espírito Santo e MBA na Fucape Business School.

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