Finanças

Kamala Harris quer imitar Brasil em novo imposto nos EUA

O novo imposto tiraria ganhos reais do investidor, assim como o come-cotas no Brasil.

Kamala Harris quer imitar Brasil em novo imposto nos EUA
(Imagem: NurPhoto/Getty Images)

A candidata à presidência dos EUA Kamala Harris afirmou que vai seguir com as propostas fiscais do atual presidente Joe Biden para 2025, e implementar novo imposto. Em suma, as possíveis novas regras fiscais vão imitar um esquema já existente no Brasil: o famoso come-cotas.

Isso é, a proposta de Biden, e que a Kamala reforçou, será uma taxa de 44,6% sobre ganhos de capital. Contudo, o que mais foi alvo de críticas foi um imposto de 25% sobre ganhos não realizados. A administração Biden promoveu esse novo pacote de tributação em abril de 2024.

Na justificativa do novo imposto, a ideia do atual presidente dos EUA, e reforçada por Kamala, é arrecadar um adicional de US$ 4,3 trilhões em um período de 10 anos.

A medida propõe um imposto mínimo de 25% sobre a renda tributável e os ganhos de capital não realizados de contribuintes com riqueza superior a US$ 100 milhões. A tributação aconteceria após deduzir o imposto regular. Ou seja, O novo imposto tiraria ganhos reais do investidor, assim como o come-cotas no Brasil.

Brasil tem imposto come-cotas, e Kamala quer importar para os EUA

No Brasil, o “come-cotas” é um imposto semestral sobre os fundos de investimento. Nele, é cobrada uma alíquota de Imposto de Renda sobre os rendimentos acumulados nos meses de maio e novembro. Contudo, a cobrança do imposto é automática, e reduz a quantidade de cotas que o investidor possui no fundo.

O imposto recebe críticas justamente porque reduz os rendimentos dos investidores de forma contínua, independentemente se o investidor obteve lucro ao sacar seus investimentos. A proposta de Biden e Harris funciona de maneira semelhante ao “come-cotas” ao prever a tributação sobre ganhos de capital que não foram realizados.

Muitos defendem que esse tipo de tributação é controverso porque pode desestimular o investimento de longo prazo. Portanto, poderia prejudicar a capacidade de acumulação de patrimônio.

Compartilhar
Leonardo Rubinstein

Sobre o autor

Leonardo Rubinstein

Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.

Continue scrollando para a próxima matéria…