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Finanças

J.P. Morgan quer dominar ETFs ativos no Brasil

Maior banco do mundo por ativos acelera entrada no mercado brasileiro de ETFs ativos, segmento que cresceu 380% em patrimônio desde 2023.

J.P. Morgan quer dominar ETFs ativos no Brasil
Foto: William Doll II / Unsplash

O J.P. Morgan Asset Management decidiu que o Brasil será uma das prioridades globais na sua estratégia de expansão de ETFs ativos. O movimento não é casual. O maior banco do mundo por ativos, com mais de US$ 3,9 trilhões sob gestão, identificou no mercado brasileiro uma combinação rara: crescimento acelerado do segmento, base de investidores em expansão e concorrência ainda limitada.

Os ETFs ativos diferem dos tradicionais fundos de índice passivos porque contam com gestão ativa na seleção de ativos, sem abandonar a estrutura de negociação em bolsa. É, na prática, um fundo de gestão ativa com a liquidez e transparência de um ETF.

Por que o Brasil entrou no radar do J.P. Morgan

O mercado de ETFs no Brasil saltou de cerca de R$ 30 bilhões em patrimônio líquido no início de 2023 para mais de R$ 140 bilhões em meados de 2025, segundo dados da B3. Desse total, os ETFs ativos ainda representam uma fatia pequena, algo em torno de 5% a 8%. Nos Estados Unidos, esse percentual já passa de 15% e cresce em ritmo acelerado.

A tese do J.P. Morgan é simples: o Brasil está onde os EUA estavam há três anos. O banco já é o maior emissor de ETFs ativos do mundo, com mais de US$ 250 bilhões nessa categoria globalmente. Trazer essa expertise para o mercado local significa ocupar território antes que gestoras brasileiras consolidem posições.

Como analisamos na cobertura de finanças do BlockTrends, a tendência de democratização do acesso a produtos sofisticados de investimento é uma das forças estruturais que estão redesenhando o mercado brasileiro.

O que muda para o investidor brasileiro

Na prática, o investidor pessoa física ganha acesso a estratégias de gestão ativa com custos significativamente menores do que fundos tradicionais. Enquanto um fundo multimercado cobra entre 1,5% e 2% de taxa de administração mais 20% de performance, os ETFs ativos do J.P. Morgan nos EUA operam com taxas entre 0,17% e 0,65%.

A competição por taxas no Brasil ainda está em outro patamar. Os poucos ETFs ativos listados na B3 cobram entre 0,5% e 1% de administração. A entrada de um player global com escala tende a pressionar esses custos para baixo, beneficiando diretamente quem investe.

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Outro ponto relevante é a transparência. ETFs ativos publicam suas carteiras com frequência muito maior do que fundos tradicionais, alguns diariamente. Isso elimina o problema histórico de investidores não saberem exatamente o que há dentro do fundo que compraram.

O contexto global dos ETFs ativos

Nos Estados Unidos, o segmento de ETFs ativos captou mais de US$ 390 bilhões apenas em 2025, segundo a Morningstar. Gestoras como Dimensional, Capital Group e o próprio J.P. Morgan lideram essa corrida. A BlackRock, maior gestora do mundo, também acelerou o lançamento de produtos ativos dentro da estrutura de ETF.

O movimento reflete uma mudança estrutural na indústria de gestão de ativos. A gestão passiva pura já domina o mercado de fundos de índice, então a disputa agora é por quem entrega alfa consistente com a conveniência e os custos de um ETF. Como discutimos ao analisar as mudanças nas grandes gestoras globais, a busca por eficiência de custos virou obsessão no setor.

Na Europa, a regulação PriIPs atrasou a adoção de ETFs ativos, mas o cenário começou a mudar em 2025. O Brasil, com um arcabouço regulatório relativamente flexível para ETFs, está em posição favorável para absorver essa tendência mais rapidamente.

Riscos e limitações do modelo

ETFs ativos não são solução mágica. O principal risco é o mesmo de qualquer gestão ativa: o gestor pode errar. Dados da S&P Global mostram que cerca de 60% dos fundos ativos nos EUA perdem para seus benchmarks em janelas de cinco anos. A estrutura de ETF reduz custos, mas não elimina o risco de underperformance.

No Brasil, há um fator adicional. A liquidez dos ETFs na B3 ainda é inferior à do mercado americano. Spreads de compra e venda mais amplos podem corroer a vantagem de custo, especialmente para investidores que operam volumes menores.

Também existe a questão da educação financeira. Muitos investidores brasileiros ainda confundem ETFs com fundos imobiliários ou não entendem a diferença entre gestão ativa e passiva. A adoção depende de um trabalho de distribuição que vai além do lançamento de produto. Como destacamos em nossa seção de finanças, a complexidade dos novos instrumentos exige que o investidor faça sua lição de casa.

O que esperar nos próximos meses

O J.P. Morgan deve listar seus primeiros ETFs ativos na B3 ainda no segundo semestre de 2025, com foco inicial em renda fixa e estratégias multiativo. Produtos de renda variável global devem vir em uma segunda fase.

A movimentação deve acelerar a resposta de concorrentes. Gestoras brasileiras como Itaú Asset, Bradesco Asset e XP já estudam ampliar suas prateleiras de ETFs ativos. O resultado provável é uma guerra de taxas que, no fim, beneficia o investidor.

Para quem acompanha o mercado, o recado é claro: a estrutura de fundos tradicional, com taxas elevadas e pouca transparência, está sendo desafiada por um modelo mais eficiente. O J.P. Morgan apenas antecipou o que deve se tornar padrão nos próximos anos.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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