Finanças

Ibovespa volta aos 172 mil com bancos em alta e dólar a R$ 5,12

Após três quedas seguidas, o índice brasileiro reagiu com força no setor financeiro. O dólar recuou para R$ 5,12, menor patamar em três semanas.

Ibovespa volta aos 172 mil com bancos em alta e dólar a R$ 5,12
Foto: Pixabay / Unsplash

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 1,22%, aos 172.742 pontos, interrompendo uma sequência de três pregões negativos que acumularam perdas de quase 2%. O movimento foi sustentado pelo avanço expressivo das ações de bancos e por um ambiente externo mais favorável ao risco, apesar das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

O volume financeiro do pregão somou R$ 20,2 bilhões, um número relevante considerando o feriado estadual em São Paulo pela Revolução Constitucionalista de 1932. A B3 operou normalmente.

Enquanto isso, o dólar à vista fechou em queda de 0,48%, a R$ 5,1238, o menor patamar de fechamento desde 17 de junho, quando marcou R$ 5,1104. No acumulado do ano, a moeda norte-americana recua 6,65% frente ao real, um dado que reforça a tendência de descompressão cambial observada nos últimos meses.

Por que os bancos puxaram o Ibovespa

O setor financeiro foi o grande protagonista do pregão. As units do BTG Pactual lideraram os ganhos com alta de 3,21%, seguidas por Santander Brasil (+2,54%), Banco do Brasil (+2,41%), Bradesco PN (+1,75%) e Itaú Unibanco PN (+1,67%). O movimento reflete um apetite renovado por papéis de peso no índice, que juntos respondem por fatia significativa da composição do Ibovespa.

Não houve gatilho setorial específico para o rali dos bancos. O que se observou foi uma combinação de fatores: o alívio nos juros dos Treasuries americanos ao longo da tarde, a leitura de que as tensões no Oriente Médio teriam curta duração e a própria dinâmica técnica de recuperação após três quedas consecutivas. Quando os papéis de maior peso sobem juntos, o efeito multiplicador sobre o índice é relevante.

Para quem acompanha a dinâmica da bolsa brasileira, o peso do setor financeiro no Ibovespa é uma faca de dois gumes. Nos dias bons, como ontem, os bancos carregam o índice. Nos dias ruins, puxam tudo para baixo.

Petrobras na contramão e o peso do petróleo

Na ponta oposta, a Petrobras sentiu o impacto da queda de cerca de 2% nos preços do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais (PETR4) recuaram 1,11% e as ordinárias (PETR3) caíram 1,43%.

O recuo da commodity parece contraditório diante das tensões entre EUA e Irã, que normalmente pressionam os preços para cima. Cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito, e a reabertura total da rota segue atrasada. Ainda assim, o mercado precificou temores de que a inflação elevada e a desaceleração econômica global possam comprometer a demanda, sobrepondo-se ao risco de oferta.

Outro fator de atenção para a Petrobras: o governo federal prorrogou por até 60 dias a cobrança do imposto de exportação sobre óleos brutos de petróleo, mantendo a alíquota de 12%. A medida adiciona incerteza regulatória ao papel, algo que investidores institucionais monitoram de perto.

Destaques corporativos além do índice

A SLC Agrícola avançou 4,39% após atualizar os termos da aquisição de terras do Grupo Radar. A companhia vai desembolsar R$ 669 milhões pela compra de 8,9 mil hectares agricultáveis no Mato Grosso, em uma operação total de R$ 1,85 bilhão. A Cosan, acionista da Radar, receberá aproximadamente R$ 586 milhões com a transação e também subiu 2,93%.

No setor de construção, houve recuperação generalizada. Cury avançou 4,37%, MRV&Co subiu 2,48% e Direcional ganhou 0,87%. Construtoras são papéis sensíveis à curva de juros, e o alívio nos Treasuries americanos contribuiu para o movimento.

A Vale fechou em alta modesta de 0,62%, sustentada por variações moderadas no minério de ferro na China. Analistas do BTG Pactual reiteraram recomendação de compra para a mineradora, argumentando que os papéis negociam com desconto frente às concorrentes globais e mantêm capacidade de gerar fluxo de caixa livre equivalente a 9% do valor de mercado.

Fora do Ibovespa, a Azul subiu 3,12% após realizar seu Investor Day e estrear ADSs na Bolsa de Nova York, onde os recibos fecharam com alta de 3,67%. A companhia reafirmou a meta de reduzir a alavancagem para uma relação dívida líquida/Ebitda inferior a 1,5 vez até 2029.

O que Wall Street sinalizou para o mercado brasileiro

As bolsas americanas também encerraram em alta. O Nasdaq liderou com avanço de 1,3%, impulsionado pela Micron Technology, que disparou após anunciar planos de investir mais de US$ 250 bilhões nos EUA até 2035 para atender à demanda por chips de memória voltados à inteligência artificial. O S&P 500 subiu 0,81% e o Dow Jones avançou 0,27%.

A leitura do mercado americano foi de que as hostilidades entre EUA e Irã, embora preocupantes, não devem escalar a ponto de desorganizar os mercados de forma duradoura. O Irã afirmou ter atingido alvos militares americanos no Kuwait, no Catar e no Barein, mas a reação dos investidores foi de relativa calma. A queda nos juros dos Treasuries ao longo da tarde reforçou essa interpretação.

Para o investidor brasileiro, o dado mais relevante talvez seja o dólar. Com recuo acumulado de 6,65% no ano, a moeda americana segue em trajetória de enfraquecimento frente ao real, o que impacta desde o custo de importações até a rentabilidade de investimentos dolarizados. Se a tendência persistir, o segundo semestre pode consolidar um câmbio mais favorável para a economia doméstica.

O pregão de quinta-feira mostrou, mais uma vez, que a composição setorial do Ibovespa é determinante. Bancos sobem, índice sobe. Petrobras cai, mas não o suficiente para anular. Essa mecânica simples explica boa parte dos movimentos diários e ajuda a separar ruído de sinal para quem investe com horizonte mais longo.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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