Artigo

Ordem executiva

Há 87 anos, o governo mandou prender quem tinha ouro


Por Marcelo Campos
Maio 1, 2020

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O governo precisa de todo o seu ouro para salvar a economia. This time is different!

Sob ordem executiva do Excelentíssimo Presidente da República, todos os cidadãos devem entregar, até o dia 1º de maio, todas as moedas de ouro, barras de ouro e certificados de ouro que venham a possuir, para o Banco Central. Pessoas que não entregarem sua posse ao banco terão que pagar multas de US$ 10.000 ou enfrentar dez anos de encarceramento.

Se assustou? Pois foi com essa notícia que os norte-americanos acordaram no dia 5 de Abril de 1933. Era apenas o 33º dia de presidência de Franklin Delano Roosevelt, que viria a se tornar o presidente mais longevo da história dos Estados Unidos. Era ali, na Ordem Executiva 6102, que começava a ser desenhado o New Deal.

O nascimento do Federal Reserve

A motivação econômica por trás da medida era tentar consertar erros cometidos pelo Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano, durante os anos 20. Por trás de toda bonança retratada em Great Gatsby, livro genial escrito por F. Scott Fitzgerald em 1925, havia uma política monetária falida que logo arrasaria o país.

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A grande questão era que o Dólar, desde sua criação oficial em 1792, era lastreado em ouro e prata, permitindo aos seus portadores a segurança de trocar o papel-moeda pelo seu valor equivalente em metais preciosos.

O lastro foi revogado temporariamente algumas vezes e teve sua importância minada antes e depois da Guerra Civil norte-americana. No entanto, o tiro de misericórdia no Dólar-Ouro foi dado em 1913, quando foi instituído o Federal Reserve Act, lei responsável por criar o FED. Ainda na mesma legislatura havia sido determinado que o dólar deveria ter apenas 40% do seu valor lastreado em ouro.

Apesar de não parecer, a medida era protetiva. Permitia ao FED realizar política monetária, mas ao mesmo tempo mantinha estabelecido um limite físico às expansões do dólar: precisamente a quantidade de ouro guardada nos cofres do Banco Central norte-americano.

No entanto, as novas regras do jogo eram claras: o FED tinha carta branca para criar crescimento econômico de curto prazo em detrimento do valor da moeda. E assim o fez. Utilizou o instrumento até o seu limite em 1933. A política já não era mais efetiva e alguns economistas, como John Maynard Keynes, argumentavam que a economia havia entrado em uma armadilha de liquidez. O que, segundo eles, tornaria necessário desvalorizar mais ainda o Dólar.

O New Deal e a desvalorização do Dólar

É neste contexto que surge a medida impositiva de Roosevelt, e consequentemente o New Deal. A ideia do FED consistia em ampliar as reservas de ouro, a qualquer custo, e continuar a expansão de moeda até que a confiança do consumidor e a demanda fossem retomadas.

O 1º New Deal foi responsável por impor regulações financeiras e bancárias, além de criar instituições robustas que existem até hoje, o programa retomou o crescimento ao comprar, de forma forçada, todo o ouro da população e pagar ao portador do metal precioso US$ 20,67 por 31,1 gramas de ouro. O preço vigente em março, um mês antes da implementação da medida, era de US$ 20,67 por 28,35 gramas de ouro.

O projeto iniciou, imediatamente, um processo de desvalorização do Dólar, que foi intensificado em seguida, graças aos novos estoques de ouro nos cofres do Federal Reserve. 

Um ano depois, Roosevelt tomaria outra medida drástica ao estabelecer o preço do ouro em US$ 35, depreciando de forma ainda mais aguda o valor da moeda corrente nos Estados Unidos.

Com a inconsequente exaustão de um instrumento que deveria ser utilizado apenas como medida extrema, e por um curto período, a economia começou a desacelerar no final de 1934. Roosevelt então decidiu lançar um segundo New Deal, focado na redução do desemprego.

No entanto, antes mesmo de visualizar o beco sem saída em que havia metido todos os portadores de dólar, um sociopata com um excêntrico bigode decidiu invadir a Polônia e iniciar a 2° Guerra Mundial. E, por mais trágico que seja, expandiu a demanda por produtos de guerra e de construção civil. Deixando uma incógnita, não tão misteriosa assim, sobre o que teria acontecido com os Estados Unidos se o New Deal se tornasse programa de Estado e não mais de governo.

O Bitcoin e o fim do Padrão Ouro 

O preço do ouro só flutuaria livremente a partir da década de setenta, com o fim do Padrão Ouro no governo Nixon. De lá pra cá, o Dólar sofreu inflação de 423,6%, segundo dados do CPI-U, principal índice inflacionário nos Estados Unidos. A moral da história: é impossível gerar riqueza no longo-prazo utilizando como base uma moeda que, invariavelmente, irá se desvalorizar com a passagem do tempo.

É justamente nesta ausência de confiança que o Bitcoin impera como uma inovação imprescindível para o sistema financeiro global. Com a Política Monetária codificada em sua blockchain desde seu nascimento em 2009, o criptoativo se torna imune aos agentes centralizadores que podem inflacionar uma moeda fiduciária em prol de grupos de pressão.

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A ideia é simples: uma moeda digital, incopiável, com oferta limitada de 21 milhões de unidades que, ao longo de algumas décadas, ofertará todas as suas moedas em caráter decrescente. O instrumento funciona porque, a cada 210.000 blocos minerados, ocorre o Halving do Bitcoin, evento responsável por cortar pela metade a remuneração dos mineradores do ativo e, consequentemente, cortar pela metade a oferta de novos bitcoins.

Com essa escassez programada em uma blockchain, o Bitcoin se torna uma segura reserva de valor de longo prazo, sendo recentemente chamado, em estudo da Bloomberg, de “Ouro Digital”. Claro que o caminho para sua aceitação é longo e tortuoso, mas a resistência ao teste dos dez anos e a proximidade do 3º Halving do Bitcoin, vem deixando a comunidade otimista com o que o futuro tem programado para o Bitcoin, e o que o Bitcoin tem programado para o futuro.

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