Criptomoedas

Fundador da Solana alerta: Bitcoin precisa acelerar defesa quântica até 2030

Anatoly Yakovenko alerta que há 50% de chance de avanços quânticos até 2030 e defende que o Bitcoin acelere a adoção de assinaturas pós-quânticas, diante de riscos a ECDSA e da complexidade de uma migração segura.

Fundador da Solana alerta: Bitcoin precisa acelerar defesa quântica até 2030

Anatoly Yakovenko vê chance de 50% de avanço em computação quântica e cobra preparação da rede

Anatoly Yakovenko, fundador da Solana, afirmou que há uma chance de 50/50 de uma descoberta relevante em computação quântica até 2030 e declarou que a comunidade do Bitcoin precisa acelerar sua preparação para esse cenário.

O risco central recai sobre as assinaturas digitais usadas no Bitcoin (ECDSA). Um computador quântico grande e com correção de erros poderia, em tese, quebrar chaves públicas via algoritmo de Shor. O efeito sobre o SHA-256 é menos crítico no curto prazo, pois o ganho quântico conhecido é apenas quadrático (via Grover), mas a superfície de ataque mais imediata seriam as assinaturas.

A exposição não é uniforme. Endereços que já revelaram suas chaves públicas em transações passadas ficam mais vulneráveis em um cenário quântico. Já os modelos que ocultam a chave pública até o momento do gasto (como P2PKH) reduzem o risco até a hora de assinar. Em um futuro com capacidade quântica, um invasor poderia tentar competir pelo gasto assim que a chave pública fosse divulgada na mempool.

Para mitigar, o Bitcoin teria de considerar a introdução, via soft fork, de esquemas de assinatura resistentes a quântica (PQC), como os padronizados recentemente pelo processo do NIST. Essas alternativas trazem trade-offs: chaves e assinaturas maiores, maior consumo de banda e possíveis impactos em taxas e desempenho, além do desafio de compatibilidade com carteiras e infraestrutura.

Há divergência sobre os prazos. Muitos pesquisadores avaliam que quebrar ECDSA exigiria máquinas quânticas tolerantes a falhas com um número muito elevado de qubits e taxas de erro bastante baixas — algo que pode levar mais tempo do que a década. Ainda assim, a padronização de criptografia pós-quântica avança e a migração em sistemas globais costuma ser lenta, o que reforça a importância de começar cedo.

O histórico da rede mostra que mudanças de consenso levam anos: SegWit (2017) e Taproot (2021) demandaram amplo debate e coordenação. Custodiantes, carteiras, HSMs e hardware precisam de cronogramas claros para atualização, enquanto usuários devem evitar reutilização de endereços e, quando houver novos padrões, migrar saldos para chaves pós-quânticas.

As declarações de Yakovenko reacendem o debate sobre a resiliência de longo prazo do Bitcoin. O recado é pragmático: intensificar P&D, propor BIPs focados em PQC, testar em redes de ensaio e construir consenso — sem alarmismo, mas com urgência proporcional ao custo de uma transição tardia.

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