Ethereum bate recorde em 2026 após atualização Pectra
A rede Ethereum atingiu nova máxima histórica em abril de 2026 impulsionada pela atualização Pectra, que promete reduzir custos e aumentar a capacidade de processamento da blockchain.
Ethereum quebra máxima histórica após Pectra entrar em produção
O Ethereum (ETH) registrou nova máxima histórica na terceira semana de abril de 2026, superando patamares anteriores e consolidando um rali que começou logo após a ativação da atualização Pectra na rede principal. O movimento chamou atenção de investidores institucionais e desenvolvedores, que acompanhavam a implementação da atualização há mais de um ano.
A Pectra é a fusão de dois pacotes de melhorias — Prague e Electra — que foram desenvolvidos em paralelo pelas equipes de execução e de consenso da rede. A ativação ocorreu de forma escalonada e sem incidentes críticos reportados, o que por si só já foi considerado uma vitória técnica pela comunidade.
O que muda com a Pectra na prática
A atualização introduz 11 EIPs (Ethereum Improvement Proposals), sendo o EIP-7702 e o EIP-7251 os mais comentados. O EIP-7702 permite que carteiras comuns (EOAs) executem código de contrato inteligente temporariamente, aproximando a experiência do usuário final da chamada “abstração de conta” sem exigir migração forçada.
Já o EIP-7251 eleva o limite máximo de stake por validador de 32 ETH para 2.048 ETH. Na prática, operadores de nós com grande volume de ETH apostado podem consolidar validadores, reduzindo a complexidade operacional e os custos de infraestrutura. Segundo dados da plataforma beaconcha.in, havia mais de 1 milhão de validadores ativos na rede antes da atualização — número que deve cair com a consolidação, sem reduzir a segurança total apostada.
Outro ponto relevante é o aumento do blob throughput, herdeiro direto do EIP-4844 (Dencun, 2024). A Pectra amplia a capacidade de blobs por bloco de 3 para 6 em média, beneficiando diretamente as redes de Layer 2 como Arbitrum, Optimism e Base, que dependem desse mecanismo para registrar dados na camada principal de forma mais barata.
Impacto nos custos e no uso da rede
Desde a ativação, o custo médio de transação na rede principal do Ethereum caiu 18% em comparação com a média dos 30 dias anteriores, segundo o rastreador Etherscan. Nas redes Layer 2, a redução foi ainda mais expressiva: a Base registrou queda de 31% nas taxas médias na semana seguinte ao upgrade.
O número de transações diárias no ecossistema combinado (L1 + principais L2s) ultrapassou 12 milhões na semana de ativação, recorde para a rede, conforme dados da L2Beat. O Total Value Locked (TVL) nas aplicações descentralizadas do ecossistema Ethereum também avançou, chegando a US$ 68 bilhões, alta de 22% em 30 dias.
Reação do mercado
O ETH acumulou valorização de 43% entre o início de abril e a data desta publicação, segundo dados da CoinMarketCap. O movimento superou o Bitcoin no mesmo período, que avançou 19%, revertendo uma tendência que havia se estabelecido ao longo de 2025, quando o ETH ficou consistentemente atrás do BTC em termos de desempenho relativo.
Fundos de investimento em criptoativos com exposição a Ethereum também sentiram o efeito. Os ETFs de ETH listados nos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 1,1 bilhão na segunda semana de abril, o maior fluxo semanal desde o lançamento desses produtos em 2024, de acordo com dados da Farside Investors.
O que vem pela frente
A comunidade Ethereum já discute a próxima atualização, chamada informalmente de Fusaka, com foco em expandir ainda mais a capacidade de dados para Layer 2 e avançar no roteiro de full danksharding. Não há data confirmada para essa próxima fase.
A Pectra representa o maior conjunto de mudanças simultâneas da rede desde o The Merge, em setembro de 2022. O fato de a ativação ter ocorrido sem interrupções relevantes reforça a maturidade do processo de governança técnica do Ethereum — um ponto que analistas de infraestrutura blockchain costumam citar como diferencial competitivo da rede frente a concorrentes mais centralizados.