‘Era da especulação’ das criptomoedas pode estar chegando ao fim, diz Novogratz, da Galaxy
Mike Novogratz, da Galaxy, diz que a fase de altos riscos e retornos explosivos em cripto pode ceder espaço a ganhos mais estáveis impulsionados pela tokenização de ativos do mundo real, com maior foco em fluxo de caixa, governança e integração ao sistema financeiro.
Para o executivo, a tokenização de ativos do mundo real tende a substituir retornos explosivos por ganhos mais estáveis, com foco em fluxos de caixa e menor volatilidade.
Mike Novogratz, CEO da Galaxy, afirmou que a reputação de alto risco e alto retorno das criptomoedas pode dar lugar a uma fase de retornos mais baixos e estáveis, ancorada na tokenização de ativos do mundo real. A leitura aponta para uma mudança de ciclo: menos dependência de narrativas puramente especulativas e maior peso para instrumentos com lastro e fluxo de caixa previsível.
Na prática, o argumento sugere que a infraestrutura cripto deixa de orbitar apenas tokens nativos e passa a servir, de forma crescente, à representação digital de ativos tradicionais. O resultado esperado é uma compressão de prêmios de risco à medida que o mercado precifica créditos, recebíveis, imóveis e outros instrumentos pelo seu risco intrínseco, e não apenas pela volatilidade típica de cripto. Trata-se de um reposicionamento do setor em direção a utilidade, eficiência operacional e integração com mercados já regulados.
Do alto risco ao fluxo previsível
O apelo histórico de “alto risco, alto retorno” nas criptomoedas foi alimentado por assimetrias de informação, ciclos de liquidez e inovação acelerada. Entretanto, ao incorporar ativos do mundo real em redes públicas ou permissionadas, o vetor de retorno tende a se aproximar de fundamentos como taxa de juros, prazo e qualidade de crédito. Em outras palavras, tokens lastreados em ativos consolidados refletem, por desenho, perfis de risco mais conhecidos, o que empurra a remuneração para patamares mais estáveis.
Esse movimento não elimina a volatilidade dos criptoativos nativos, tampouco encerra os ciclos especulativos que marcam a adoção de tecnologias emergentes. Ele, porém, cria um corredor de previsibilidade: quanto maior a parcela de ativos tokenizados com lastro verificável, maior a tendência de formação de preços baseada em fluxo de caixa, garantias e governança. Nesse sentido, a dinâmica de risco passa a dialogar mais com finanças tradicionais do que com apostas assimétricas típicas de fases iniciais de inovação.
Tokenização e o desenho de mercado
A tokenização converte direitos econômicos sobre ativos físicos ou digitais em registros em blockchain, permitindo fracionamento de propriedade, liquidação quase instantânea e auditoria em tempo real. Ao reduzir intermediários e padronizar regras de transferência, o processo democratiza o acesso a mercados historicamente restritos e melhora a liquidez, mantendo um trilho único de registro, custódia e liquidação.
Do ponto de vista técnico, o ganho está na programabilidade: regras de pagamento, eventos de inadimplência e distribuição de receitas podem ser codificados em contratos, com camadas de verificação e compliance integradas. Por outro lado, os desafios permanecem: definição de custodiante do lastro, interoperabilidade entre redes, padrões de identificação (KYC/AML) e clareza regulatória para emissão, oferta e negociação. O equilíbrio entre eficiência tecnológica e salvaguardas jurídicas será determinante para a adoção em escala.
Implicações para investidores e para o setor
Para o investidor, a hipótese de retornos mais estáveis desloca o foco para análise de risco de emissor, qualidade do lastro, estrutura de garantias e governança on-chain. A seleção de plataformas, modelos de custódia e mecanismos de verificação de lastro torna-se central, assim como a compreensão de como juros e prazos impactam o preço do token. Para o setor, a convergência com ativos reais tende a ampliar a base de usuários e a reduzir a percepção de que cripto é sinônimo de aposta.
Se a “era da especulação” dá lugar a uma fase de utilidade mensurável, a métrica de sucesso deixa de ser apenas preço e passa a incluir eficiência de mercado, redução de custos de capital e transparência. Para quem deseja compreender melhor como a tokenização estrutura esses incentivos e seus impactos práticos — de fracionamento à liquidez e governança — o BlockTrends oferece o curso Tudo Sobre a Tokenização de Ativos, que explora fundamentos técnicos, mecanismos de emissão e os principais desafios de implementação.
Tags