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Brasileiros ficam em média 27% mais pobres em dólar na década


Por Felippe Hermes
março 4, 2021

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Divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira, os dados do PIB brasileiro apontam um resultado não tão ruim quanto o previsto no início da Pandemia, mas suficiente para garantir o posto de pior década em crescimento da história.

A imagem do Cristo Redentor decolando estampou a capa da revista The Economist em 2009.

O momento era de euforia. O ciclo de commodities havia garantido ao país uma enxurrada de dólares capazes de fazer o Brasil atravessar uma crise global sem grandes turbulências.

De fato, tivemos um queda no PIB em 2008, mas que logo se reverteria (como no resto do mundo). O que demoraria a se reverter, porém, foi o viés anti-cíclico adotado pelo governo no período.

Em suma, a noção keynesiana defende que o governo que de maneira “anti-cíclica”, tomando para si o papel de incentivar a economia em momentos de incerteza e baixa demanda.

O que se tornou lugar comum porém, foram países, como o Brasil, onde a teoria foi interpretada como “o Estado deve incentivar a economia. Ponto”.

A crise 2008 garantiu ao governo uma carta branca para agir e intervir. Como o ex-presidente Lula menciona “os países ricos falharam em seu receituário”, logo, o Brasil estava liberado de cumprir aquele enfadonho jogo de responsabilidade fiscal, metas de inflação e tudo o mais que torna o governo um coadjuvante.

Com a crise de 2008 ignoramos por completo os fundamentos da economia nos anos anteriores. Um a um fomos desarmando a confiança no superávit primário (excluímos investimentos da conta), da inflação (criamos um congelamento de preços em combustíveis) e assim por diante.

Muito antes de Aécio disputar a eleição ou Alberto Yousseff ser preso e dar início a Lava Jato, se tornando o bode expiatório quase perfeito, o país já estava em francos sinais de decadência.

A capa da The Economist com a chamada “O Brasil estragou tudo?”, data de 2013. Um ano antes das eleições de 2014 e do início da crise.

Neste mesmo 2013 uma briga entre Dilma Rousseff e Fernando Haddad selaria o destino da década. A ex-presidente estava irritada com a ideia de aumentar as tarifas de ônibus em SP. Dilma exigia que Haddad subsidiasse a passagem, e assim impactasse menos o índice de inflação nacional.

Ao perder a disputa, Haddad deu início ao junho de 2013, que levaria aos protestos de rua nos anos seguintes, ironicamente protestando contra as consequências das políticas adotadas pelo governo Dilma.

A ironia da coisa está justamente aí. Olhando agora para o passado, notamos que os protestos de rua em junho daquele ano, ocorreram pelo aumento das passagens, que foi revisto. Ao revisar tais aumentos, Dilma sinalizou que continua na sua fracassada política econômica, o que por sua vez levou a novos protestos, desta vez contra a presidente em si.

A década de 10, nossa segunda década perdida, é uma amostra de que a ironia no Brasil é uma presença constante, e que fazemos um enorme esforço para continuarmos um país pobre.

Colocamos meio trilhão de reais no BNDES, que por sua vez repassou quase dois trilhões em crédito as empresas, mas fizemos tudo isso ao mesmo tempo em que gerávamos desconfiança na economia.

O descontrole de gastos públicos insistia em manter os juros elevados.

A conta então foi simples. Você pega dinheiro pagando juros menores em um banco estatal. Qual o próximo passo?

Opção 1) aumentar os investimentos e criar empregos em uma economia insegura e com inflação maquiada, além de riscos de intervenção constante do governo

Opção 2) pegar seu fluxo de caixa, alocar em títulos públicos que pagam 12% ao ano e fazer um empréstimo pagando menos que a inflação para investir.

Ao contrário do que esperava o governo, os empresários optaram pela segunda opção.

A consequência foi um esgotamento completo do modelo. O governo não conseguia mais empurrar dinheiro para financiar investimentos, e agora tinha de lidar com a conta.

O país quebrou oficialmente em 2014, quando pela primeira vez em uma década a pobreza voltou a crescer. Mesmo estes dados porém chegaram a ser maquiados. O IPEA atrasou a divulgação para não interferir nas eleições.

O resultado é que ao aplicar um modelo que já havia nos levado ao fracasso dos anos 80, compramos mais um tíquete pra uma década perdida, os anos 10.

Dali em diante as tentativas de corrigir o rumo se somariam aos esquemas de corrupção expostos em rede nacional.

Em uma bola de neve o país se tornaria praticamente ingovernável. E o dólar? Bem, este disparou. Chegou a estar abaixo dos R$2 em 2011, e ao final do governo Dilma ultrapassou a barreira dos R$4.

A instabilidade política não faria todo trabalho sozinha.

Nos anos seguintes o país adotou uma agenda de reformas, e com isso uma queda constante nos juros.

Sob o teto de gastos, os juros caíram na esperança de que a responsabilidade fiscal e o equilíbrio do orçamento seriam então levados a sério.

Em 2020, em meio a Pandemia e a queda de demanda, o país acelerou o rumo, chegando aos juros de 2% ao ano atuais.

O que acontece então quando você possui juros menores do que a inflação (negativos), em um país pouco confiável? A resposta é um tanto quanto óbvia, e de difícil solução. O investidor estrangeiro recua.

O dólar disparou em função da redução do prêmio de risco do país.

Tamanha instabilidade no país não fica alheia aos investimentos. Quando olhamos para o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, vemos que o seu valor em dólar hoje representa menos da metade do valor de 2008 (19,4 mil contra 48 mil no auge em 2008).

Na prática isso significa que alguém que tenha investido $1 em 2008, hoje possui menos de $0,50 centavos de dólar.

Não por coincidência o investimento no exterior tem crescido por parte de brasileiros.

Empresas como Avenue ou a recém chegada ao Brasil Stake, permitem ao investidor brasileiro acessar o mercado estrangeiro.

Dentre as opções, o Bitcoin também tem crescido e ganhado terreno, em especial fundos passivos, com custos menores, a exemplo do QR BTC MAX, que permite com R$1 mil investir em um ativo dolarizado por meio de plataformas de Investimento no país.

Na prática, a perda de poder de compra do brasileiro na década, que chega a 27% da renda, tem exigido ainda mais de investidores, e criado um ambiente que pressiona por reformas e outras mudanças capazes de fazer a economia voltar a crescer.

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