Artigo

Elon Musk e Eike Batista

Elon Musk, o Eike Batista americano, e a ironia do golpe na Bolívia


Por Felippe Hermes
Outubro 20, 2020

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Elon Musk é um empresário de origem sul-africana, co-fundador do PayPal e já foi diretor do conselho da Tesla, tendo sido destituído do cargo após uma investigação da SEC, a CVM americana. O motivo? Um Tweet.

Com 39,4 milhões de seguidores na rede social, Musk é muito mais do que um empreendedor. É uma celebridade do universo de tecnologia. Ao contrário de outros fundadores de companhias gigantes do setor, como Larry Page, Sergey Brin, fundadores do Google, e Jeff Bezos, da Amazon.

Seu perfil em redes sociais se confunde com a sua vida pessoal. Por lá, além de piadas com animes, Musk anuncia metas e feitos das suas empresas. 

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Em uma destas ocasiões, Musk anunciou que a Tesla entregaria 500 mil carros em 2019. A meta oficial da empresa no entanto era de 400 mil. Investidores institucionais processaram o empresário.

O motivo, claro, foi uma acusação de manipulação de mercado. No Brasil, Eike Batista é provavelmente a figura mais próxima de Musk que se pode encontrar.

Além das similaridades entre lançar dezenas de empreendimentos em áreas tão variadas quanto uma empresa de foguetes elétricos e outra de Chips neurais, Musk e Eike são figuras que confundem a própria personalidade com seus empreendimentos.

Eike, condenado a 8 anos de prisão por manipulação de mercado, divulgava em sua conta no mesmo Twitter cada nova “descoberta” de petróleo da sua OGX.

Suas aparições públicas tornaram-se celebrações da sua personalidade ousada. Seu ritmo frenético de criar novos ramos de atuação, e buscar no mercado de capitais financiamento para os projetos, são uma das razões que lhe tornaram “viciado” em publicidade pessoal.

Musk por sua vez, recorreu ao mercado apenas em 2010, quando Eike lançava sua “Embraer dos mares”. Fez o IPO da Tesla, companhia que comprou em 2002, com recursos da venda do PayPal.

A trajetória porém é similar, e revela muito dos dois países em que cada um empreendeu.

No mercado americano, Musk viveu, e ainda vive, a era dos chamados Quantitative Easing, uma espécie de programas feitos pelo banco central americano para injetar liquidez no mercado. 

Graças a estes programas, os juros se tornaram próximos de zero no mercado americano, e até mesmo negativos em boa parte do mundo. 

Com juro zero, a meta deixa de ser o lucro imediato e se torna “crescimento”. Sem outras opções, investidores bancam apostas em projetos de longo prazo, como a Tesla, que completará em breve 2 décadas, sem jamais ter dado lucro.

As preocupações ambientais por outro lado, se tornaram muito maiores, levando a um boom no setor, e fazendo o governo aporte quantias astronômicas em subsídios.

No segundo trimestre deste ano, por exemplo. A Tesla registrou um lucro líquido de $104 milhões, ao mesmo tempo em que recebeu $408 milhões em subsídios do governo.

Em Maio, em meio a euforia que lhe tornaria a terceira pessoa mais rica do planeta, Musk chegou a Twitar em tom irônico que os preços de ações da Tesla estavam “muito altos”.

Pode parecer irônico, mas o conselho da empresa paga a Musk baseado em metas de valorização das ações. Uma espécie discutível de remuneração, mas capaz de gerar $50 bilhões em remunerações para o empresário nos próximos anos (além de outros milhões para inúmeros amigos e membros da família que estão no conselho).

Trata-se de uma discussão relevante, afinal, os investidores estão apostando no longo prazo, mas a premiação do CEO e fundador é baseada em valorizações de prazos curtos.

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O mesmo problema, que foi parte crucial da crise de 2008, forçando bancos a assumirem riscos insanos em nome da valorização trimestral que garantia bônus tão insanos quanto, foi enfrentado por Eike Batista.

Executivos da EBX embolsaram $500 milhões nesta brincadeira. Cada IPO bem sucedido, a despeito de não gerar valor ao acionista, rendia bônus aos executivos.

Discussões corporativas a parte, Musk é um empreendedor nato. Desde sua X.com, suas atuações ocorrem em fronteiras de desenvolvimento.

O mesmo PayPal fundado por ele e Peter Thiel, vale hoje $239 bilhões de dólares, mais do que todos os bancos brasileiros somados.

Sua condição porém, se deve bastante a própria estrutura americana.

Se Musk vivesse em um país onde metade da população não possui acesso a esgoto e 42% não tivessem concluído o ensino médio, é bastante improvável que ele estaria hoje empreendendo em uma empresa para permitir que pessoas controlem objetos e máquinas com a força do pensamento.

De fato, Musk, pode se considerar um vencedor na chamada “loteria da vida” (o termo que Warren Buffett costuma se referir como o mais importante fator para determinar o futuro de uma pessoa). 

A despeito das Fake News que correm sobre a relação de sua família com minas de esmeralda no continente africano, Musk e sua família possuíam uma posição privilegiada diante da sua realidade, capaz de levar o jovem para Stanford, de onde tudo começou.

Todo seu ímpeto empreendedor e as condições favoráveis dos Estados Unidos para empreendedores como ele, podem sofrer um enorme revés na medida em que Musk continua a agir como um Troll de internet.

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O caso da Bolívia, por exemplo, levou a uma imagem bastante ruim do empresário, em especial por pessoas cuja capacidade de reconhecer uma ironia é inversamente proporcional a de criar teorias da conspiração.

Juntando um histórico de empresas envolvidas em escândalos políticos na região, como a famosa United Fruit, que cunhou o termo “república das bananas, e é brilhantemente descrita por Gabo em seu livro “100 anos de solidão”, muitos acreditam piamente que Musk tenha “assumido a teoria de um golpe na Bolívia”.

Com sua declaração de que “golpeamos e continuaremos golpeando”, Musk provocou a ira de uma infinidade de pessoas.

Dentre as razões, claro, estão aquelas que fizeram de Eike um “exemplo nacional”, segundo a ex-presidente, a crença de que a riqueza advinda das commodities, como o lítio da Bolívia, são a riqueza crucial para o desenvolvimento humano.

Em uma época onde os apps que estão na tela inicial do seu celular provavelmente valem mais do que todas as bolsas latino-americanas somadas, a ideia ainda persiste.

Pouco importa o lítio da Tesla venha da Austrália. O alumínio que produz o chapéu dos conspiracionistas continua sendo nosso!

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