Artigo

Dados mostram que mineração de bitcoin segue abandonando a China


Por Hugo Montan
Junho 1, 2021

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Com o governo Chinês tecendo sucessivas declarações sinalizando uma iminente repressão à mineração, houve uma movimentação incomum na rede. As novas análises on-chain sugerem uma fuga crescente de mineradores do território Chinês. 

Na última semana o mercado foi sacudido por uma série de más notícias vindas da China, dentre elas, declarações das três principais organizações regulatórias financeiras da China.

Não é de hoje que o governo Chinês juntamente com os seus respectivos órgãos tecem declarações sinalizando proibições e repressões ao uso e mineração de bitcoin em seu território. 

Em 2017 o governo Chinês anunciou a proibição e fechamento de todas as criptoassets ligadas ao comércio de criptomoedas, que na época representava cerca de 90% do comércio global de bitcoins. Posteriormente, em junho de 2019, a China emitiu um comunicado anunciando o bloqueio de todas as bolsas de criptomoedas (nacionais e estrangeiras). O objetivo é bem claro, reprimir as negociações de criptomoedas e limitar o acesso da população chinesa a alternativas que não condizem com os planejamentos do PCC. 

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Mesmo com o crescente esforço do governo Chinês em restringir o uso do bitcoin em seu território, o mercado de criptomoedas só tem crescido por lá. De acordo com a pesquisa realizada por Vladimir Signorelli, chefe da Pesquisa de Bretton Woods em Long Valley, de todas as moedas do G10, a RMB (moeda chinesa) tem a maior correlação estatística com o BTC, com números girando em torno de 84%.

Mesmo com os números ascendendo diante das decisões do governo Chinês, é fato para a indústria de mineração chinesa que ações mais rígidas de fiscalização e tributação por parte do PCC são uma questão de quando, e não de se. A teoria por trás do bitcoin fere diretamente os interesses do governo Chinês, prezando pelo desenvolvimento de uma  alternativa monetária descentralizada que minimize os poderes estatais perante a economia. 

Tanto que, visando suprir essa demanda o governo Chinês tomou as rédeas entre as principais nações e investiu no desenvolvimento de sua própria, o chamado “yuan digital” já passou por fases testes e está prestes a ser oficialmente lançado. Com os interesses conflitantes, era iminente que um movimento de êxodo de hashrate (força computacional) ocorresse no território Chinês, e ele já está em andamento e pode ser observado no registro de transações da rede. 


A fuga da China e seu impacto positivo 

Ao contrário do mercado tradicional, no mercado de criptografia podemos usufruir da transparência financeira do bitcoin, obtida pelo de seu código de registro totalmente aberto. A partir dela podemos avaliar como os mineradores respondem a uma crise e realizar predições sobre o futuro do bitcoin.

Para compreender essa movimentação, é necessário entender o básico sobre a dinâmica de mineração. Ao contrário do que muitos pensam, a mineração de Bitcoin não é centralizada e controlada por algumas poucas grandes empresas de mineração. Isso é objetivamente falso. Na realidade, o que chamamos de mineração hoje em dia é uma atividade extremamente estratificada. 

A mineração se dá com mineradores contribuindo coletivamente com sua força computacional nas chamas “pools” (ou piscinas). Estas pools são basicamente blocos nas quais os mineradores têm sua devida força computacional alocada estrategicamente para que, com o esforço coletivo, os blocos sejam solucionados com maior efetividade. A imagem abaixo ilustra muito bem a atividade econômica que chamamos de mineração. 

Source: Coin Metrics

Ao fim da resolução de um bloco, os mineradores recebem sua fatia proporcional na contribuição com a resolução deste bloco. Atualmente a recompensa por resolver um bloco é de 6,25BTC acrescida das respectivas taxas de processamento da transação. Portanto, quando um bloco é solucionado nestas “pools”, esses bitcoins recém-emitidos são repartidos e distribuídos para os mineradores. A partir destes bitcoins recém-acrescidos à oferta monetária do BTC, podemos observar seu registro de transações e realizar análises valiosas.

A princípio, para que estes bitcoins recém emitidos sejam convertidos em qualquer outra moeda (fiduciária ou não), ele deve ser enviado a alguma exchange ou órgão que realiza a compra e venda de bitcoins. Se analisarmos atentamente os registros destes bitcoins veríamos exatamente isso, um fluxo de fundos enviados de mineradores individuais para outros endereços responsáveis pela compra. 

Analisando estes registros, a CoinMetrics evidenciou que os fluxos agregados de bitcoins recém-emitidos enviados pelos mineradores estão nos níveis mais altos desde março de 2020, quando houve o crash do mercado mundial no início da pandemia COVID-19. Isso dá forças à teoria de que a última venda foi de mineradores chineses que venderam seus bitcoins para escapar da onda de ações coercitivas do PCC. 

O próprio registro ilustra que o mercado reage negativamente quando a maioria dos mineradores estão vendendo seus bitcoins recém-emitidos. 

valorização. 

Agora coloque-se no lugar de um minerador chinês que tem conhecimento das recentes declarações do governo e talvez precise mudar para um país diferente. Independentemente da escala de suas operações, você precisará de dinheiro para financiar a mudança. Essa despesa seria financiada pela venda de seus próprios bitcoins adquiridos com sua operação, uma vez que você busca liquidez ao invés de especular uma possível valorização. 

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Curiosamente, a onda de repressão do PCC à mineração gerou um movimento na rede análogo ao que acontece anualmente quando alguns mineradores chineses transferem suas operações do Interior da Mongólia para Sichuan. Essa migração de 2.000km é realizada pelo início da estação chuvosa em Sichuan, que aumenta a capacidade e geração de energia das usinas hidrelétricas, barateando os custos de eletricidade. 

Portanto, é evidente que existe uma movimentação ocorrendo dentro do território Chinês, e ela pode ser um ponto chave para a descentralização do hashrate da rede de bitcoin. Que embora possua mecanismos intrínsecos no protocolo de mineração para evitar a centralização do poder de processamento, ainda é evidente que boa parte dessa capacidade de processamento está centralizada no território Chinês. 


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