Criptomoedas

CZ ultrapassa Bill Gates e entra no top 20 dos bilionários, segundo Forbes

CZ entra no top 20 global com US$ 111 bilhões impulsionado por Binance e BNB, mas contesta metodologia de valuation; caso expõe transparência on-chain, limites de estimativas e o papel da privacidade no ecossistema cripto.

CZ ultrapassa Bill Gates e entra no top 20 dos bilionários, segundo Forbes

Valorização da Binance e participação em BNB explicam o salto patrimonial; executivo contesta metodologia e aponta queda generalizada das criptomoedas em 2026

Changpeng Zhao, fundador da Binance, ultrapassou Bill Gates no ranking de bilionários e é apontado com um patrimônio de US$ 111 bilhões, ocupando a 17ª posição global. A cifra reflete, sobretudo, a valorização do negócio que ajudou a construir e sua exposição a ativos do ecossistema cripto. O movimento o coloca entre os nomes mais ricos do mundo em um momento ainda volátil para o mercado de ativos digitais.

Segundo a metodologia divulgada, CZ adicionou US$ 47 bilhões ao seu patrimônio no último ano. O cálculo considera sua fatia relevante na Binance e a detenção de uma parcela substancial do fornecimento de BNB, hoje a quarta maior criptomoeda por valor de mercado. Há ainda uma posição menor em Bitcoin, que, apesar de oscilações recentes, segue como o principal ativo do setor.

Da trajetória no varejo ao comando da maior exchange

Nascido na China e radicado no Canadá ainda jovem, Zhao chegou a trabalhar como atendente do McDonald’s antes de ingressar no setor de tecnologia. Em 2013, conheceu o Bitcoin e vendeu seu apartamento para se expor ao ativo, decisão que moldaria sua carreira. Após passagem pela OKCoin, decidiu lançar sua própria corretora em 2017.

Em menos de um ano, a Binance tornou-se líder global em volume de negociação. O percurso não foi linear: CZ cumpriu quatro meses de prisão nos EUA por falhas no programa de combate à lavagem de dinheiro, episódio que não impediu a retomada de sua trajetória empresarial. Hoje, seu nome aparece ao lado de perfis como Michael Bloomberg (US$ 109,4 bilhões), Giancarlo Devasini (US$ 89,3 bilhões) e Zhang Yiming (US$ 69,3 bilhões).

Outro contraste frequente é com Satoshi Nakamoto, que não figura em rankings tradicionais. Estimativas amplamente aceitas atribuem ao criador do Bitcoin cerca de 1,1 milhão de BTC, avaliados em aproximadamente US$ 77,4 bilhões na cotação atual, um patrimônio expressivo, porém abaixo do montante estimado para CZ.

Valuation, participação de mercado e a contestação de CZ

As estimativas citadas partem de comparações com pares listados e dados de mercado: a Binance segue como a maior exchange do mundo, com cerca de 38% de participação, e teria valor próximo de US$ 100 bilhões. Documentos judiciais apontam que Zhao detém algo em torno de 90% da empresa, combinação que, somada ao BNB, sustenta a cifra final. A metodologia, contudo, depende de múltiplos e premissas típicas de companhias de capital fechado.

Em março de 2025, a MGX, dos Emirados Árabes Unidos, investiu US$ 2 bilhões na corretora, aporte que CZ descreveu como um dígito percentual, sugerindo intervalo amplo de valuation entre US$ 22 bilhões e US$ 200 bilhões. O executivo, porém, contesta os números atuais, lembrando que os preços das criptomoedas recuaram mais de 50% em 2026. Em paralelo, citou a disparidade entre receitas anuais — como a da ByteDance, na casa de US$ 150 bilhões, versus cerca de US$ 5 bilhões na Binance — para questionar a coerência entre faturamento e fortuna estimada.

Transparência on-chain, privacidade e os limites das estimativas

Uma parte do patrimônio cripto é inferida a partir de dados públicos de blockchain. Bitcoin e outros ativos operam em livros-razão transparentes, onde saldos e transações são visíveis, o que permite estimativas como as relacionadas a Satoshi. No entanto, vínculos entre carteiras e indivíduos exigem heurísticas e podem incorrer em erros; já participações societárias em empresas privadas dependem de documentos e sinais de mercado, não de cotações em tempo real.

No caso do BNB, a concentração em grandes carteiras e a proximidade com o emissor elevam a precisão das projeções, mas não eliminam incertezas sobre liquidez e realizabilidade do patrimônio. Para a Binance, a ausência de listagem limita a observação de múltiplos em mercado, tornando natural que metodologias variem mais do que em companhias abertas, como a Coinbase. Em síntese, a conta final de um bilionário cripto combina transparência on-chain com zonas cinzentas de valuation privado e macro de preços altamente sensíveis.

Esse debate também toca um ponto central do ecossistema: privacidade. Embora as transações sejam públicas, a proteção de dados pessoais e operacionais depende de boas práticas — uso criterioso de carteiras, minimização de metadados e compreensão de como análises on-chain funcionam. Para quem deseja compreender melhor a relação entre transparência do Bitcoin e práticas de preservação de privacidade, o BlockTrends oferece o curso Bitcoin Abaixo do Radar: Como Usar a Bisq, que explora fundamentos de privacidade, riscos de exposição e caminhos para operar de forma mais discreta em redes públicas.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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