Artigo

Com inflação em alta, mais pobres pagam o preço do ajuste fiscal


Por Felippe Hermes
Julho 1, 2021

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Melhoria de indicadores como a arrecadação e o superávit primário nos primeiros meses do ano tem sido puxada pela alta de preços que faz  o PIB nominal (considerando inflação), subir quase 16% nos primeiros 5 meses de 2021

A notícia de que o país deve ter de encarar uma “bandeira vermelha” na tarifa da energia elétrica, que encarecerá o custo das famílias em 5,5% é a mais nova dentre uma lista de inúmeros fatores pra lá de confusos sobre a retomada da economia brasileira.

Na ponta de empregos os dados tem sido positivos, com uma criação de 1,23 milhão de vagas em 5 meses. Quando o assunto é renda porém, os números até aqui vão em sentido contrário. Segundo a FGV, a renda média do trabalhador brasileiro caiu 10%.

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Em Brasília, outros dados parecem chamar mais a atenção. A arrecadação de impostos cresceu 45% em Abril e 70% em Maio, considerando os diferimentos ocorridos nestes mesmos meses do último ano.

Entre janeiro e maio o governo federal arrecadou 21,7% mais.

O embalo da arrecadação ocorre em função de um misto de reaquecimento da economia, com PIB podendo crescer até 6% este ano e uma inflação também elevada, que nos últimos 12 meses ficou em 8%.

Na prática, o PIB nominal, aquele que considera o aumento da inflação, subiu até 16%.

Trata-se do maior avanço já registrado desde 1995. Os números têm levado a uma melhoria considerável nas contas do governo, que vê a dívida pública cair para 84,5%, poucos meses após uma apreensão de que a dívida pudesse chegar aos 100% do PIB ainda este ano.

Os sinais aparentemente contraditórios, de queda na renda e melhoria das contas públicas, são relativamente fáceis de entender e possuem uma causa em comum: a inflação.

A retomada da economia mundial aliada a uma impressão massiva de recursos por bancos centrais ao redor do planeta jogou trilhões na economia, o que por sua vez se reflete em um aumento de preços de bens considerados essenciais, como as commodities agrícolas.

Nossa taxa de juros baixa, que contribuiu para um aumento do dólar, terminou por financiar também um aumento da inflação, considerando que diversos produtos são cotados em dólar.

Na ponta do lápis, o preço de combustíveis, alimentos e outros bens subiram puxados pelo dólar. Esta alta por sua vez elevou a arrecadação de impostos e a inflação. Para o trabalhar, o que sobrou foram preços mais caros.

A questão colaborou expressivamente para um aumento da arrecadação dos estados que tiveram alta de 16% na arrecadação até abril.

Na ponta da despesa, os gastos do governo com juros atingiram um valor expressivamente baixo, com o custo médio da dívida em 7,15%.

Em resumo, pegue o custo da dívida, some o déficit público (que caiu com a alta da inflação e aumento de arrecadação), subtraia inflação e aumento real do PIB e você terá no fim a variação da dívida pública em relação ao PIB, a chamada “Dívida/PIB”.

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Esta prática não é nova, e em um curto prazo pode levar a uma melhoria das finanças públicas, promovendo um “ajuste via inflação”. O problema, claro, é que tal ajuste se dá às custas de um população que não tem acesso à proteção da inflação: os mais pobres.

Até quando este ajuste de contas deve persistir é uma questão que independe do próprio governo, uma vez que o preço das commodities é uma variável importante nas contas públicas e na cesta de inflação, e não é controlado por Brasília.

O que é certo até o momento, é que tal ajuste a despeito de melhorar as contas públicas deve acabar por deixar um rombo social que terá de pago, seja por um novo programa social, ou uma reforma tributária que mire em desonerar essa população.


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