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Bolsa brasileira em dólar tem queda recorde no mundo

Bolsa brasileira é a que mais se desvalorizou em dólar no mundo na década


Por Felippe Hermes
Abril 12, 2021

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Criado nos anos 2000 e distribuido pela gigante Blackrock, uma companhia com $8,76 trilhões sob gestão, o ETF iShares MSCI Brazil tem um nome pomposo para replicar o famoso “ibovespa”.

Trata-se de um produto negociado nos EUA, ao lado de outros inúmeros ETFs (Fundos que replicam algum índice, como o MSCI e são negociados em bolsa), que permite ao investidor estrangeiro negociar a bolsa brasileira, ou outras bolsas globais.

Por se tratar de um fundo cotado em Dólar, mas que investe em companhias avaliadas em Reais, sua relação com o Brasil vai além da própria cotação das empresas por aqui, como a Vale, Itaú, Magazine Luiza e outras gigantes incluídas no índice. Em suma, quando o dólar se desvaloriza, o índice brasileiro tende a se valorizar.

Na prática, este ETF permite um olhar “em dólar” sobre a nossa bolsa, algo que com os pontos nominais do ibovespa, pode não parecer tão perceptível.

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Em tempos de mega desvalorização do Real, que é hoje a moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2021 (e uma das que mais se desvalorizaram em 2020), o índice tem mostrado que o Brasil está garantindo retornos bem aquém daqueles gerados em outros países.

Entre 2011 e 2021, a bolsa brasileira gerou um retorno de -43,6% em dólar. Números próximos são vistos em bolsas de outros países emergentes como México e Argentina, respectivamente com -29,3% e -4,2% nos últimos dez anos.

Esses ETF’s são utilizados principalmente pelos chamados “fundos passivos”, que investem em ativos globais buscando a exposição a bolsas ao redor do planeta sem escolher de maneira ativa ações específicas.

Em 2020, dadas as restrições que impõe a investidores estrangeiros, a MSCI, sigla para “Morgan Stanley Capital Index”, que dá nome aos principais índices de referência, chegou a alertar a Argentina que o país poderia ser excluído do índice.

Estar presente no índice é um ganho relevante para acionistas das companhias, uma vez que os ETF’s têm se tornando uma indústria de peso ao redor do planeta, movimentando hoje mais de $3 trilhões.

Na prática, quando um investidor estrangeiro está otimista com o Brasil, ele adquire um índice destes, que por sua vez adquire papéis das empresas que compõem o índice, gerando uma força compradora sobre as empresas e valorizando suas ações.

Real em queda livre

Desde ao menos 2016, o Brasil vem sofrendo uma série de cortes na sua taxa básica de juros, a Selic, tendência que se reverteu apenas em março deste ano.

Cortes tão relevantes atuaram para garantir o Brasil um posto no mínimo estranho, de uma das menores taxas de juros reais do planeta. Descontada a inflação, nossa taxa de juros é hoje de -2,74%, contra -0,14% da Suíça.

Sim, em ambos os cenários você perderia dinheiro investindo em títulos da dívida pública de ambos os países, o que significa que você estaria pagando para investir, mas no caso da Suíça, país que ao contrário do Brasil, não possui um histórico de 9 calotes em sua dívida, o custo seria menor.

Isso significa que os investidores estrangeiros estão menos propensos a investir por aqui, uma vez que os juros no país não compensam o risco. Não custa lembrar que o Brasil está há 7 anos com déficit primário, e a previsão é que ele dure até ao menos 2031.

Sem ganhos e com riscos elevados para investir no Brasil, estrangeiros retiram dólares antes aportados por aqui, elevando o preço da moeda americana.

Empresas brasileiras que conseguem se financiar a juros baixos no Brasil, como a Petrobras, também têm pressionado o dólar.

A estatal recomprou ao menos $30 bilhões em dívidas cotadas em dólar, o que significa pegar dinheiro em reais e enviar dólares ao exterior.

A ironia em questão é que, dado seu peso colossal, a estatal ajuda a elevar a cotação do dólar, o que faz a moeda norte-americana se valorizar ainda mais, e a dívida restante da estatal parecer estável em reais, mesmo após tantos aportes para quitar a dívida.

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Como ironia pouca é bobagem, a Petrobras vem desde 2017 praticando preços a nível do mercado internacional, o que significa que toda vez que a moeda norte-americana se valoriza por aqui, os preços de produtos da Petrobras, como a gasolina, o gás de cozinha ou a Nafta, também aumentam, elevando assim o lucro da estatal em reais.

No fim das contas, uma condução agressiva da política monetária e fragilidade nas contas externas do país termina por favorecer o agronegócio (que exporta em dólares), e setores de commodities como Petrobras e Vale. O custo? Vai direto pro consumidor.

O IGP-M, índice que mede custos do atacado, vê uma alta de 31,1% em 12 meses. Já o IPA, também focado no atacado, em especial de alimentos, subiu +42,5% no acumulado.

Em suma, contrariando o humor dos idos de 2015, você come dólar, e um pouco de bolsa também. 

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