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Finanças

Bank of America lucra US$ 6,9 bi, mas decepciona Wall Street

Lucro por acao do BofA ficou 17% abaixo das estimativas de analistas. Receita cresceu, mas nao o suficiente. Entenda o que pesou no resultado.

Bank of America lucra US$ 6,9 bi, mas decepciona Wall Street
Foto: Luis Quintero / Unsplash

O Bank of America reportou lucro líquido de US$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 17% em relação aos US$ 8,3 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O número, por si só, não seria alarmante para um banco dessa magnitude. O problema é que o mercado esperava mais.

O lucro diluído por ação ficou em US$ 0,91, bem abaixo da projeção de US$ 1,10 compilada pela FactSet. A receita de US$ 30 bilhões, embora 3% maior na comparação anual, também não alcançou o consenso de US$ 30,58 bilhões. O resultado fez a ação do BofA recuar 3,9% no pré-mercado de Nova York logo após a divulgação.

O que explica a queda no lucro do Bank of America

A retração de 17% no lucro líquido coloca o BofA em uma posição delicada dentro da temporada de balanços dos grandes bancos americanos. Enquanto a receita avançou marginalmente, o crescimento não foi suficiente para compensar pressões sobre a rentabilidade.

Um ponto que merece atenção é o comportamento das provisões para perdas com crédito. Elas ficaram praticamente estáveis em US$ 1,3 bilhão, nível similar ao do terceiro trimestre de 2025. Isso sugere que o banco não está vendo uma deterioração significativa na qualidade dos empréstimos, mas também não está liberando reservas para turbinar o resultado, como alguns concorrentes fizeram em trimestres anteriores.

A estabilidade nas provisões pode parecer neutra à primeira vista. Na prática, indica que a administração do banco prefere manter uma postura conservadora em um ambiente macroeconômico que ainda gera incertezas. Como já discutimos em nossa cobertura do setor financeiro, bancos que optam por cautela nas provisões tendem a ser penalizados pelo mercado no curto prazo, mas protegidos em ciclos de crédito adversos.

Gestao de ativos cresce, mas nao salva o trimestre

Nem tudo no balanço foi negativo. Os ativos sob gestão do Bank of America subiram para US$ 15,49 trilhões, um salto de US$ 2 trilhões em relação aos US$ 13,46 trilhões do ano anterior. Esse crescimento de aproximadamente 15% reflete tanto a valorização dos mercados quanto a captação líquida de novos recursos.

Essa divisão de wealth management é historicamente uma das mais rentáveis do banco. O avanço nos ativos sob gestão gera receitas recorrentes de taxas de administração que, ao longo do tempo, funcionam como um colchão contra a volatilidade das operações de crédito e trading.

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Ainda assim, o crescimento robusto nessa linha não foi suficiente para compensar a fraqueza em outras frentes. O dado reforça um dilema que os grandes bancos americanos enfrentam em 2026: o negócio de gestão de patrimônio vai bem, impulsionado pela alta acumulada nos mercados, mas as operações bancárias tradicionais sentem o peso de margens comprimidas e de uma política monetária que ainda não oferece alívio consistente.

Temporada de balancos dos bancos americanos em 2026

O resultado do Bank of America se insere em uma temporada de balanços que tem sido mista para o setor bancário nos Estados Unidos. Os grandes bancos vivem um momento de transição. As receitas de juros, que foram o motor de lucratividade entre 2022 e 2024, começaram a perder fôlego à medida que o Federal Reserve ajustou sua postura.

Ao mesmo tempo, as receitas de banco de investimento e trading não cresceram na velocidade necessária para preencher essa lacuna. O BofA, em particular, tem uma exposição relevante ao crédito ao consumidor e ao mercado hipotecário, segmentos que seguem sensíveis ao nível das taxas de juros americanas.

Para investidores brasileiros que acompanham o setor financeiro global, o resultado do BofA funciona como termômetro. Quando o segundo maior banco dos Estados Unidos por ativos entrega um trimestre abaixo do esperado, o sinal é de que as condições de rentabilidade no setor não são triviais, mesmo com mercados acionários em patamares elevados. Esse tipo de leitura é fundamental para quem acompanha as tendências do mercado financeiro global.

O que o resultado do BofA significa para o investidor

A queda de 3,9% no pré-mercado é uma reação típica quando um banco desse porte erra as estimativas tanto em receita quanto em lucro por ação. O mercado americano tem tolerância baixa para surpresas negativas em temporada de balanços, especialmente quando as avaliações já embutem expectativas otimistas.

Há, porém, nuances. O crescimento de US$ 2 trilhões em ativos sob gestão não é desprezível. Se mantido, esse ritmo pode sustentar a geração de receita recorrente nos próximos trimestres. A questão é se o banco conseguirá traduzir essa expansão em melhora efetiva na linha final do balanço.

Para quem investe em ações de bancos americanos ou em ETFs do setor financeiro, o resultado do BofA reforça a importância de olhar além do headline de lucro. As provisões estáveis sugerem que o ciclo de crédito ainda não azedou, mas a compressão de margens indica que a fase de lucros fáceis ficou para trás. O investidor precisa calibrar expectativas para um setor que deve crescer, sim, mas em ritmo mais modesto do que o mercado vinha precificando.

A temporada de resultados dos bancos americanos continua nas próximas semanas, e os números de concorrentes como JPMorgan, Citigroup e Goldman Sachs ajudarão a compor o quadro completo do setor. Por ora, o recado do Bank of America é claro: crescer receita sem expandir lucro não basta para satisfazer Wall Street.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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