Blockchain

Anbima abre jornada para discutir tokenização e seu impacto no mercado de capitais

Associação lança série de encontros técnicos sobre tokenização e conduz piloto com debêntures e fundos em DLT para extrair aprendizados práticos, com foco em infraestrutura, processos e supervisão.

Anbima abre jornada para discutir tokenização e seu impacto no mercado de capitais

Série de encontros online começa em 29 de abril e se estende ao longo do ano; piloto com debêntures e fundos em DLT busca aprendizados técnicos, operacionais e regulatórios.

A Anbima deu um novo passo na agenda de inovação ao lançar a Jornada de Tokenização, uma trilha de encontros técnicos com foco em fundamentos, infraestrutura e supervisão para ativos tokenizados no mercado de capitais brasileiro. A programação começa em 29 de abril e seguirá ao longo do ano, com sessões mensais e abertas ao público, mirando profissionais do mercado, especialistas em tecnologia, reguladores e academia. A movimentação consolida a associação como ponto de articulação entre mercado, tecnologia e regulação em um tema que migra do discurso para a implementação.

Segundo Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, o debate vai além do jargão: “A tokenização não é apenas a representação digital de ativos. Ela envolve mudanças profundas na forma como os ativos são emitidos, registrados, negociados, custodiados e liquidados”. Nesse sentido, o objetivo declarado é elevar o nível técnico da conversa, priorizando infraestrutura, processos e supervisão em detrimento de leituras meramente especulativas.

O que está em jogo

Tokenizar não é “colocar um ativo na blockchain” e encerrar o assunto; é redesenhar o ciclo de vida do título, do primário ao secundário, definindo regras de governança, papeis de custódia e trilhas de auditoria. No papel, a promessa envolve liquidação atômica, redução de reconciliações e maior transparência; na prática, exige decisões sobre redes permissionadas ou públicas, padrões de interoperabilidade e modelos de delivery versus payment. Além disso, a integração com meios de pagamento e arranjos de liquidação é peça central para que eficiência operacional de fato apareça na ponta.

Piloto com debêntures e fundos

Em paralelo à jornada, a Anbima conduz um projeto-piloto para testar a tokenização de debêntures e cotas de fundos em uma rede DLT, com foco em gerar aprendizados técnicos, operacionais e regulatórios. A iniciativa busca identificar o que funciona, onde estão os gargalos e quais escolhas de arquitetura e governança são críticas para ganhar escala. A associação posiciona o piloto como referência prática, alimentando o debate sobre riscos, obrigações legais e estruturas de controle que efetivamente conversam com a realidade do mercado.

Os nós técnicos a resolver

Da ótica operacional, três frentes tendem a concentrar as maiores discussões: padronização de dados e metadados dos tokens, governança de chaves e carteiras institucionais, e integração com backoffices legados. Por outro lado, temas de supervisão e conformidade — KYC/AML, segregação de ativos e trilhas imutáveis de auditoria — precisam ser traduzidos para fluxos digitais auditáveis, sem abrir mão de controles já consagrados. Por fim, a gestão de riscos abrange desde a orquestração de smart contracts até a resiliência cibernética das infraestruturas, passando por cenários de falhas operacionais e recuperação.

Por que importa para o mercado

Com juros elevados e pressão por eficiência, reduzir fricções de reconciliação, encurtar prazos de liquidação e ampliar canais de distribuição deixa de ser detalhe e vira vantagem competitiva. A Anbima, ao se colocar como hub de conhecimento, tenta alinhar mercado e reguladores em torno de boas práticas e referências técnicas antes que cada instituição tome decisões isoladas e potencialmente incompatíveis entre si. O resultado esperado é um vocabulário comum para adoção, governança e integração da tokenização à infraestrutura financeira brasileira, evitando soluções que não “conversem” entre si.

Agenda e prioridades

Os encontros mensais da Jornada cobrirão desde fundamentos conceituais até decisões de infraestrutura, execução operacional, aplicação em produtos, gestão de riscos, liquidação, integração com meios de pagamento e novos modelos de supervisão. A iniciativa integra a Rede Anbima de Inovação e está alinhada ao ANBIMA em Ação 2026, ancorado em frentes de desenvolvimento de mercados, institucional e transformação. Em uma pauta em franca aceleração, criar referências claras pode ser a diferença entre pilotos que aprendem e pilotos que apenas repetem velhas ineficiências com tecnologia nova.

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