Criptomoedas

Bitcoin supera os US$ 77 mil com reabertura de Ormuz e liquida meio bilhão em shorts

Bitcoin rompe US$ 77 mil com reabertura do Estreito de Ormuz, petróleo cai 14% e um short squeeze liquida US$ 724 milhões em derivativos, enquanto o mercado recalibra apostas para o Fed.

Bitcoin supera os US$ 77 mil com reabertura de Ormuz e liquida meio bilhão em shorts

Queda de 14% no petróleo alivia risco inflacionário e reacende apetite por risco antes do Fed

O Bitcoin voltou a testar máximas recentes e opera acima de US$ 77 mil nesta sexta-feira (17), nível que não era visto desde o início de fevereiro, em um movimento acompanhado por uma onda de liquidações no mercado de derivativos. Em 24 horas, mais de US$ 500 milhões em posições vendidas foram varridos, em um total de US$ 724 milhões liquidados e 191.539 traders atingidos. O maior golpe individual ocorreu no par BTC/USD em uma corretora de perpétuos, no valor de US$ 15,75 milhões, evidenciando o efeito dominó típico de um short squeeze.

O gatilho veio de fora do cripto, com a reabertura do Estreito de Ormuz anunciada pelo governo iraniano. Por ali circula cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, e qualquer bloqueio tende a encarecer o barril e a reprecificar o risco inflacionário. Mensagens públicas do presidente americano, Donald Trump, reforçaram a leitura de normalização da passagem, o suficiente para derrubar o petróleo e abrir espaço para ativos de risco.

Petróleo cai, Bitcoin sobe

O mercado reagiu de imediato: o WTI tombou cerca de 14% e retornou à faixa de US$ 80, distante do pico recente em torno de US$ 119. Ao aliviar a pressão de custos de energia e transporte, o choque reduz a probabilidade de surpresas inflacionárias adiante e, por tabela, esfriam-se as apostas de política monetária mais dura. Em um quadro de menor estresse macro, o Bitcoin ganha tração, com alta de 4,3% no dia, puxando outras grandes como Ethereum (+5,1%), XRP (+5,9%) e BNB (+4%).

No curto prazo, a dinâmica técnica amplificou o movimento. Com o preço escalando rapidamente uma faixa de resistência, os shorts passaram a ser liquidados em cascata, alimentando compras forçadas e agravando a alta. Em mercados de perpétuos, a combinação de alavancagem elevada e liquidez concentrada costuma transformar uma notícia macro em uma pernada direcional, e foi exatamente o que se viu.

Juros, liquidez e o canal macro para o cripto

Do ponto de vista macro, petróleo mais barato tende a aliviar leituras de inflação à frente, reduzindo o risco de um aperto adicional de juros. A próxima reunião do Federal Reserve ocorre no dia 29 e a expectativa majoritária é de manutenção das taxas, com foco total no discurso do presidente Jerome Powell. Por ora, projeções de mercado ainda colocam o início do ciclo de cortes em junho de 2027, mas movimentos como o de hoje recalibram probabilidades e, não raro, reanimes fluxos para ativos sensíveis a liquidez como o Bitcoin.

Esse encadeamento é o básico do manual de indicadores macroeconômicos: inflação e crescimento definem o rumo dos juros; os juros ditam o preço do dinheiro e a liquidez; e a liquidez determina o apetite ao risco. Para cripto, em particular, a sensibilidade a condições financeiras é elevada porque o ativo não gera fluxo de caixa e seu prêmio de risco é precificado sobretudo pela expectativa de liquidez futura. Quando o custo de capital cai — ou quando o mercado passa a acreditar que cairá — o desconto exigido diminui e os preços ajustam.

Ormuz reabre, o prêmio de risco geopolítico cede

O anúncio do chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, liberando a passagem de navios durante o período de cessar-fogo no Líbano, reduz o risco de interrupções logísticas e alivia prêmios de seguro de carga e frete. Do lado americano, Trump indicou que um bloqueio direcionado ao Irã seguirá até a conclusão de tratativas, mas a sinalização de rota aberta já foi suficiente para desencadear realocação de risco. Em termos práticos, menos fricção em Ormuz significa menor probabilidade de um choque de oferta de energia, e isso conversa diretamente com inflação, juros e, por consequência, com a precificação do Bitcoin.

O quadro, contudo, segue dependente de manchetes. Um recrudescimento geopolítico que devolva o petróleo para patamares mais altos reacende rapidamente a preocupação com inflação e reencaixa o mercado no modo defensivo. Na outra ponta, a confirmação de manutenção de juros e um discurso do Fed menos preocupado com pressões de preços mantêm o cenário construtivo para ativos de risco. É nesse vai e vem entre risco geopolítico e política monetária que o Bitcoin navega sua volta aos US$ 77 mil.

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