FBI aponta US$ 11,4 bilhões perdidos em golpes cripto em 2025; americanos mais velhos concentraram quase 40% das perdas
Relatório do FBI indica perdas de US$ 11,4 bilhões com golpes de cripto em 2025, com quase 40% do impacto recaindo sobre americanos mais velhos. Esquemas de investimento e fraudes em caixas eletrônicos de cripto lideram as ocorrências, reforçando a necessidade de educação, checagem independente e controles práticos de segurança.
Relatório de crimes na internet indica avanço de golpes de investimento e fraudes em caixas eletrônicos de cripto, com impacto desproporcional no público sênior
O FBI registrou perdas de US$ 11,4 bilhões em 2025 decorrentes de golpes envolvendo criptoativos. Segundo o relatório anual de crimes na internet, americanos mais velhos concentraram quase 40% de todas as perdas em fraudes com cripto no período. O documento aponta a escalada de esquemas de investimento e de fraudes em caixas eletrônicos de cripto como os principais vetores desse avanço.
Golpes de investimento, na prática, utilizam promessas de retornos elevados e suposta “expertise” para induzir depósitos em plataformas falsas ou em carteiras controladas pelos fraudadores. O roteiro costuma incluir demonstrações de ganhos iniciais (fabricados) para criar confiança, além de táticas de urgência — como “vagas limitadas” ou “janelas de mercado” — que reduzem a capacidade de checagem. Uma vez transferidos, os recursos são fragmentados entre múltiplos endereços, dificultando o rastreio e o estorno.
Já as fraudes em caixas eletrônicos de cripto exploram instruções diretas por telefone, mensagens ou visitas a lojas, orientando vítimas a converter dinheiro em cripto e escanear QR Codes fornecidos pelos golpistas. Em muitos casos, o contato se passa por suporte técnico, agentes públicos ou representantes bancários, pedindo “pagamentos emergenciais” ou “validações de segurança”. O uso do ATM funciona como ponte para dar aparência de legitimidade e acelerar a irreversibilidade das transações on-chain.
O peso maior sobre o público sênior decorre de uma combinação conhecida: maior patrimônio acumulado, menor familiaridade com jargões técnicos e maior exposição a engenharia social de alto impacto emocional. Nesse sentido, a assimetria de informação é explorada desde o primeiro contato, com argumentos de autoridade e pressão psicológica. Como transferências em blockchain liquidam quase em tempo real, a janela de reação é curta, e a recuperação dos valores se torna improvável após a consolidação dos blocos.
Contexto de mercado e implicações
O avanço dos golpes não invalida o uso legítimo de cripto, mas escancara a necessidade de separar o ativo da fraude que o usa como isca. Plataformas sérias ampliaram verificações e alertas de risco, porém controles de KYC e monitoramento transacional pouco ajudam quando a vítima, convencida, executa voluntariamente a transação. A resposta mais efetiva recai em educação do usuário, checagem independente de contrapartes e políticas de conta que limitem transferências a endereços previamente validados.
Como reduzir a superfície de ataque
Há medidas simples que elevam significativamente a segurança: desconfiar de promessas de retorno garantido; verificar identidades por canais oficiais antes de qualquer envio; nunca escanear QR Codes de terceiros para pagamentos não iniciados por você; evitar o uso de caixas eletrônicos de cripto para “quitar impostos”, “taxas” ou “suporte técnico”; e adotar camadas como autenticação em dois fatores, listas de endereços confiáveis e transferências-teste com valores mínimos. Em caso de dúvida, pausar, documentar e buscar uma segunda opinião independente é, muitas vezes, a diferença entre prevenção e prejuízo.
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