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Fed pode imprimir dinheiro para apoiar conflito com o Irã, diz Arthur Hayes

Arthur Hayes avalia que um conflito prolongado e caro entre EUA e Irã, com foco em "construção de nação" sob Donald Trump, aumentaria a probabilidade de o Fed expandir a oferta monetária, reabrindo o debate sobre guerra, déficits, liquidez em dólar e o papel do Bitcoin como ativo escasso.

Fed pode imprimir dinheiro para apoiar conflito com o Irã, diz Arthur Hayes

Para Hayes, quanto mais tempo Donald Trump se envolver em uma cara “construção de nação” no Irã, maior a probabilidade de o Federal Reserve ampliar a oferta monetária.

Arthur Hayes colocou um ponto sensível no radar: caso o envolvimento dos Estados Unidos em um conflito com o Irã evolua para uma dispendiosa “construção de nação” sob liderança de Donald Trump, a chance de o Federal Reserve expandir a oferta monetária aumenta. A leitura conecta o custo político do conflito ao custo financeiro, e desse ao arranjo monetário que sustenta o dólar. Em outras palavras, quanto mais longa e cara a empreitada, maior a pressão para que a política monetária acomode a conta.

Guerra, déficit e o canal monetário

Conflitos elevam gastos públicos de forma rápida e imprevisível, empurrando déficits e a necessidade de financiamento via emissão de dívida. “Imprimir dinheiro”, no jargão popular, é a tradução curta para um conjunto de instrumentos que vai de compras de Treasuries pelo Fed à oferta de liquidez em operações no mercado, mecanismos que, na prática, expandem a base monetária. Hayes parte desse encadeamento: se o Tesouro precisa vender mais títulos e o apetite privado pede juros mais altos, a autoridade monetária pode escolher suavizar as condições financeiras para evitar um aperto abrupto.

Nesse sentido, a duração do conflito importa tanto quanto sua intensidade. “Construção de nação” não é apenas uma missão militar, é um compromisso fiscal indefinido, com custos que se acumulam e exigem rolagem contínua de dívida. Quando a alternativa de elevar impostos carrega alto custo político, a lógica tende a migrar para o endividamento, e, no limite, para sua monetização parcial. É essa ponte — do campo de batalha ao balanço do banco central — que Hayes sugere observar.

O que isso significa para ativos de risco e Bitcoin

O ciclo de liquidez em dólar segue sendo um dos vetores mais relevantes para ativos de risco. Em momentos de choque geopolítico, o movimento inicial costuma privilegiar o “porto seguro” do próprio dólar e dos Treasuries, adicionando volatilidade a bolsas e cripto. Por outro lado, quando a resposta de política amplia liquidez — via queda de juros reais, recompras de títulos ou expansão de balanço — o apetite por risco tende a se recuperar, reprecificando ativos que carregam escassez estrutural.

É nesse ponto que o Bitcoin volta ao debate. Com uma regra de emissão previsível e oferta finita, ele se posiciona como ativo cuja dinâmica não depende do ciclo político-fiscal doméstico dos EUA. Se a hipótese de Hayes se materializar e a oferta monetária se expandir para acomodar custos crescentes, a narrativa de proteção contra diluição tende a ganhar tração. Por outro lado, choques prolongados e incerteza sobre inflação podem atrasar esse processo, mantendo o vaivém entre busca por segurança no curto prazo e reprecificação de ativos escassos no médio prazo.

Por que o debate importa

A discussão proposta por Hayes é menos um palpite sobre o próximo movimento do Fed e mais um lembrete sobre a arquitetura do dinheiro fiduciário: sua elasticidade ao ciclo fiscal e ao calendário político. Compreender esse nexo ajuda a ler os sinais — do déficit à curva de juros, das operações de liquidez à volatilidade dos mercados — sem confundir ruído com tendência. Para quem deseja aprofundar a história monetária, os fundamentos do sistema fiduciário e a proposta do Bitcoin como alternativa com oferta conhecida e regras pré-definidas, o BlockTrends oferece o curso O Padrão Bitcoin, que explora de forma didática como esses ciclos se formam e por que ativos com escassez programada ganharam relevância.

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