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SBF tenta reescrever colapso da FTX, nega rótulo progressista e fala em perseguição do governo Biden

Condenado a 25 anos, SBF divulga “10 mitos” para redefinir a narrativa sobre a FTX, nega rótulo progressista e fala em perseguição do governo Biden, enquanto a massa falida inicia pagamentos a credores.

SBF tenta reescrever colapso da FTX, nega rótulo progressista e fala em perseguição do governo Biden

Condenado a 25 anos, ex-CEO publica lista de “10 mitos”, admite doações secretas a republicanos e mira a opinião pública enquanto a massa falida inicia pagamentos

Sam Bankman-Fried (SBF), condenado a 25 anos pela quebra da FTX, voltou à internet no dia 20 de fevereiro para tentar virar o jogo narrativo em torno do colapso da corretora. Em uma publicação com “10 mitos”, o ex-gestor mistura teses técnicas sobre o balanço da empresa com ataques diretos ao governo de Joe Biden. O movimento busca reposicionar sua imagem política e jurídica ao mesmo tempo, numa estratégia que mira mais o tribunal da opinião pública do que as cortes. Não por acaso, a tentativa surge quando outro capítulo sensível do caso avança.

No texto, SBF rejeita o rótulo de “garoto prodígio progressista” e afirma que não era de centro-esquerda, reconhecendo que as doações políticas também abasteciam o Partido Republicano de forma velada. Segundo ele, no fim de 2022 o fluxo para a direita já superava o destinado à esquerda, desenho que escancara a tática de comprar influência nos dois lados do espectro. A justificativa para manter em segredo as transferências aos republicanos seria preservar uma imagem pública construída no campo oposto. Em termos práticos, o objetivo era blindar a operação de investigações federais em Washington.

Ataques ao caso e à gestão democrata

A guinada retórica vem acompanhada de acusações de que o Departamento de Justiça (DOJ) do governo Biden teria “armado” o julgamento desde o início. O fundador da FTX alega ainda que procuradores controlaram a cobertura da imprensa e que a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) sufocou o mercado de criptoativos, criando um ambiente hostil à defesa. Ele fala em manipulação de documentos e de testemunhas para acelerar a condenação. Por outro lado, a narrativa omite que ex-sócios confessaram os crimes em juízo e ofereceram detalhes sobre o desvio de recursos de clientes.

Fiança revogada e o custo da comunicação

O episódio da revogação da fiança também reaparece na argumentação do réu, após o vazamento de diários da principal testemunha de acusação. SBF nega intenção de intimidar sua ex-namorada Caroline Ellison e diz ter exercido liberdade de expressão ao compartilhar materiais, alegando inclusive atuar em favor de credores. A leitura do juiz foi distinta, entendendo risco à integridade do processo e enviando o empresário de volta à cadeia antes do início das audiências. Nesse sentido, a disputa sobre limites da comunicação em processos de alto perfil pesou contra o ex-CEO.

Pagamentos a credores e a tese da “solvência”

As declarações chegam no momento em que a massa falida iniciou pagamentos a lesados, favorecida pela alta recente de ativos como Bitcoin e Solana. Amparado por esse vento de cauda do mercado, SBF sustenta que a empresa “sempre foi solvente” e que havia caixa suficiente, tese que contrasta com a realidade já exposta em tribunal. O veredito do júri em Manhattan reconheceu um rombo de US$ 8 bilhões e o uso de depósitos de clientes para cobrir apostas bilionárias de risco, base de uma condenação robusta. Na prática, postagens em redes sociais não alteram a pena nem o conteúdo dos autos.

Transparência on-chain, opacidade off-chain e lições de custódia

O caso recoloca em evidência um ponto estrutural do setor: blockchains públicas, como a do Bitcoin, oferecem um registro íntegro e verificável de transações, enquanto operações de corretoras centralizadas permanecem opacas para o cliente comum. A transparência on-chain pode apoiar investigações e auditorias independentes, mas também expõe rotas e saldos, o que demanda noções básicas de privacidade digital para quem transaciona e guarda cripto. Por outro lado, delegar custódia e liquidez a intermediários concentra riscos operacionais e jurídicos, como mostrou a derrocada da FTX. Para quem deseja compreender melhor os trade-offs entre transparência, privacidade e modelos de negociação P2P, o BlockTrends oferece o curso Bitcoin Abaixo do Radar: Como Usar a Bisq, que explora fundamentos de privacidade, práticas seguras e o uso de mercados descentralizados sem custódia.

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