Criptomoedas

Yat Siu, da Animoca, diz que o “momento Trump” das criptos acabou

A leitura de que o “momento Trump” das criptos ficou para trás indica a passagem do ruído para a utilidade: menos dependência de narrativas polarizadas e mais foco em produto, infraestrutura e tokenização como motores de adoção sustentável.

Yat Siu, da Animoca, diz que o “momento Trump” das criptos acabou

Menos culto à personalidade, mais utilidade: a leitura aponta para uma fase orientada por produto, infraestrutura e tokenização como vetores de adoção

Em um setor acostumado a ciclos de euforia e ressaca, a ideia de que o “momento Trump” das criptos acabou funciona quase como um divisor de águas. O rótulo sintetiza uma fase marcada por polarização, ruído e narrativas de curtíssimo prazo, na qual a atenção era o ativo mais escasso e a volatilidade, por vezes, parecia o produto final. A leitura agora é de transição: menos dependência de slogans e mascotes, mais foco em trilhos, experiências e propriedade digital que sobrevivam ao próximo gráfico de 5 minutos. Em outras palavras, o espetáculo cede lugar à engenharia de produto.

O que isso significa na prática? Equipes passam a ser avaliadas por métricas elementares de software e mercados, como retenção, liquidez sustentável e interoperabilidade, e não apenas por buzz. Jogos on-chain que tratam itens como patrimônio do usuário, identidades que viajam entre aplicativos e redes que reduzem o atrito de onboarding deixam de ser promessas vagas e viram critérios de sobrevivência. É a mesma lógica de qualquer tecnologia que amadurece: a headline perde espaço para a entrega concreta, a hipótese vira serviço e a atenção precisa ser merecida diariamente. Nesse sentido, a conversa sai do meme e volta para o unit economics.

Infraestrutura acompanha esse giro. Custódia modular, carteiras com experiência simplificada e camadas que abstraem a complexidade do endereço e da taxa de rede reduzem o atrito para o próximo milhão de usuários. Ao mesmo tempo, discussões sobre conformidade e privacidade deixam de ser binárias e passam a conviver em desenhos de governança que variam por caso de uso, de pagamentos estáveis a aplicações de mercados. O vetor comum é previsibilidade: protocolos que funcionam como utilidades públicas, com menos pirotecnia e mais entrega silenciosa. Por outro lado, isso impõe disciplina a modelos de incentivo que, no passado, terceirizavam aquisição de usuário à emissão.

É aqui que a tokenização entra como ponte entre narrativa e utilidade. Converter ativos físicos ou digitais em tokens registrados em blockchain não é apenas “colocar tudo na cadeia”, mas criar liquidez programável, fracionar a propriedade e desenhar governança auditável para ativos antes restritos. O desenho exige oráculos confiáveis, custódia adequada e arranjos de compliance que não matem a eficiência do modelo, mas, quando bem calibrado, desloca a conversa de preço para serviço: quem usa, por que usa e com que custo. Em tese, essa é a antítese do “momento Trump”: menos barulho, mais trilhos; menos torcida, mais produto. Para quem deseja compreender melhor como essa agenda se materializa na prática, o BlockTrends oferece o curso Tudo Sobre a Tokenização de Ativos, que explora fundamentos, arquitetura e implicações dessa transição.

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