Criptomoedas

Golpistas roubaram US$ 17 bilhões em cripto em 2025, estima Chainalysis

Relatório da Chainalysis estima US$ 17 bilhões roubados em cripto em 2025, com explosão de golpes por personificação e uso de IA, enquanto megaconfiscos de Bitcoin evidenciam reação global das autoridades.

Golpistas roubaram US$ 17 bilhões em cripto em 2025, estima Chainalysis

Relatório aponta explosão de golpes por personificação e avanço do uso de IA, enquanto megaconfiscos de Bitcoin evidenciam reação das autoridades

Um relatório divulgado nesta terça-feira (13) pela Chainalysis estima que golpistas roubaram US$ 17 bilhões em criptoativos ao longo de 2025. O número, ainda que alinhado à média recente, escancara a industrialização das fraudes, sustentada por infraestrutura de phishing-as-a-service, redes de lavagem de dinheiro mais complexas e o uso crescente de deepfakes gerados por Inteligência Artificial. O destaque negativo fica para golpes de personificação, em que criminosos se passam por empresas ou figuras confiáveis para induzir vítimas ao erro.

O que os dados mostram

Segundo a Chainalysis, a lucratividade por golpe disparou: a renda média por incidente saltou de US$ 782 em 2024 para US$ 2.764 em 2025, um avanço de 253% em um ano. Os golpes de personificação foram os que mais cresceram, com alta de 1.400% na comparação anual. Embora esquemas de alto rendimento e fraudes do tipo pig butchering sigam relevantes em volume, a fronteira entre categorias está cada vez menos nítida à medida que golpistas combinam engenharia social, falsidade ideológica e elementos técnicos para ampliar conversão e recorrência.

No campo prático, a personificação explora canais familiares para a vítima. Casos envolvendo a E-ZPass e a corretora Coinbase ilustram como mensagens e sites falsos, aliados a SMS com spoofing, redirecionam usuários para capturar chaves, senhas e aprovações de transações. Na etapa seguinte, os criminosos aceleram a dispersão dos valores por meio de bridges e corretoras descentralizadas, ampliando a fricção investigativa e diluindo rastros em múltiplas redes.

IA e a industrialização da fraude

A Chainalysis aponta que 76% dos golpes com uso de IA se concentram no quadrante de alto valor e alto volume ponderado pelo tempo, um indício de escala e eficiência operacional. Golpistas que empregam IA foram 4,5 vezes mais lucrativos, com ganhos médios saltando de US$ 518 para US$ 4.838 por operação. O número de transações também se multiplicou, de 3,89 para 35,1, sinalizando capacidade de gerenciar simultaneamente mais alvos, enquanto deepfakes e textos sintéticos elevam a taxa de persuasão. É a fraude tratada como “linha de produção”, onde conteúdo, captação e cobrança são automatizados.

A resposta das autoridades

Do outro lado, o ano registrou alguns dos maiores confiscos da história das criptomoedas. No Reino Unido, o caso envolvendo Jian Wen e Zhimin Qian levou à apreensão de 61.000 bitcoins e à condenação de Qian a 11 anos de prisão, atrelada a um golpe com mais de 100 mil vítimas na China. Nos EUA, autoridades confiscaram 127.000 bitcoins vinculados a Chen Zhi, no maior sequestro de BTC já registrado, parte de um pacote que soma aproximadamente US$ 15 bilhões em apreensões relacionadas ao mesmo grupo. Zhi foi preso no Camboja e deportado para a China, reforçando que operações transnacionais exigem coordenação jurídica complexa e persistente.

Implicações para usuários e mercado

O relatório reforça um ponto central: o problema não é o ativo em si, mas o vetor de fraude que se cola a ele, explorando lacunas de educação financeira e tecnológica. Em um mercado que movimenta trilhões, promessas de alto rendimento, urgência artificial e contatos frios são sinais clássicos de alerta, enquanto checagem de domínios, autenticação em duas etapas e cautela com aprovações em carteiras reduzem a superfície de ataque. Prevenção, nesse contexto, custa menos que remediação e depende tanto de práticas individuais quanto de colaboração entre plataformas, autoridades e provedores de infraestrutura. Para quem deseja compreender melhor as táticas atuais de engenharia social, a dinâmica de personificação e as melhores práticas de proteção, o BlockTrends oferece o curso Como se Proteger de Fraudes e Golpes, que explora cenários reais e medidas objetivas para reduzir riscos.

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