Criptomoedas

Gestora ícone da Faria Lima liquida investimentos em criptomoedas após queda de 30% do Bitcoin

A Verde Asset, liderada por Luis Stuhlberger, liquidou sua exposição em cripto após o Bitcoin fechar o ano em queda de cerca de 30%, reacendendo o debate sobre volatilidade, mandatos institucionais e o papel de ativos digitais na diversificação de portfólios.

Gestora ícone da Faria Lima liquida investimentos em criptomoedas após queda de 30% do Bitcoin

Decisão da Verde Asset, comandada por Luis Stuhlberger, reacende debate sobre volatilidade, mandatos institucionais e o papel de cripto em portfólios locais

Comandada por Luis Stuhlberger, a Verde Asset liquidou sua exposição em ativos digitais e abandonou a tese de investimento após o Bitcoin encerrar o ano em queda próxima de 30%, a primeira performance negativa anual desde 2022. O movimento, vindo de uma casa vista como referência na Faria Lima, funciona como termômetro do humor institucional com a classe de ativos e pressiona um debate incômodo: até que ponto a volatilidade de cripto é compatível com mandatos tradicionais de gestão?

O pano de fundo é conhecido. Em ciclos de aperto financeiro e reprecificação de risco, a correlação de ativos tende a subir, e ativos mais voláteis sofrem antes e com maior intensidade. Em casas com metas de volatilidade, controle de drawdown e comparação constante com benchmarks de renda fixa, a persistência de movimentos de dois dígitos contra a posição comprada encurta a janela de tolerância. Na prática, “carregar a convexidade” exige tempo e governança para sustentar períodos adversos – exatamente o que muitas estruturas institucionais não têm de sobra.

O que muda para o mercado

A saída de uma gestora relevante não altera a tese tecnológica ou a escassez programada do Bitcoin, mas mexe no sentimento de curto prazo e na narrativa local. Ordens de desinvestimento tendem a ser absorvidas pela liquidez global do mercado, porém a sinalização de desalocação institucional pesa na precificação ao deslocar expectativas de fluxo, especialmente entre investidores que seguiam o movimento como validação.

Há ainda o vetor de risco de carreira e de governança. Gestores com mandatos macro, mesmo quando enxergam valor de longo prazo, precisam calibrar tracking error e explicar a clientes por que carregar um ativo cujo drawdown recente supera, com folga, a oscilação média do portfólio. Quando a descorrelação não aparece nos momentos de estresse, a hipótese de diversificação é reavaliada, e o corte de posição vira uma resposta quase mecânica.

Por que abandonar a tese agora

Entre os argumentos usuais para alocar em cripto estão a opcionalidade tecnológica, a proteção contra diluição monetária e a diversificação estrutural. A decisão de encerrar a tese após um ano negativo, entretanto, expõe a fricção entre horizonte teórico (médio e longo prazos) e janelas de avaliação prática (trimestres e anos-calendário). Nessa equação, a sequência de resultados e a necessidade de reconstruir confiança com cotistas falam mais alto do que convicções conceituais.

Para o investidor pessoa física, o episódio serve de lembrete sobre dimensionamento de risco, rebalanceamento periódico e escolha de instrumentos. Custódia, liquidez de entrada e saída, e clareza sobre objetivos – proteção cambial, diversificação ou aposta direcional – importam mais do que o rótulo “inovação”. Em última instância, o tamanho da posição precisa refletir a capacidade de atravessar ciclos sem comprometer o portfólio como um todo.

Dólar, IOF e alternativas de proteção

Em momentos de aversão a risco, cresce a busca por proteções clássicas, como dólar e ouro, além de soluções digitais tokenizadas. No Brasil, contudo, o custo tributário e cambial – com destaque para o IOF em determinadas operações – pode erodir parte do benefício. Entender as rotas de dolarização, os diferentes instrumentos disponíveis e como cada estrutura impacta o custo total é tão relevante quanto a escolha do ativo em si.

Para quem deseja compreender melhor as alternativas de proteção cambial, as estruturas legais vigentes e o impacto do IOF nas diferentes rotas de internacionalização de patrimônio, o BlockTrends oferece o curso Como Dolarizar Sem Pagar IOF, que explora mecanismos práticos, custos e trade-offs de cada opção. Em um ambiente de reprecificação de risco e maior seletividade, informação e processo continuam sendo os melhores amortecedores de volatilidade.

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