Visa ativa liquidação em USDC para bancos dos EUA via Solana
Visa passa a liquidar transações em USDC para bancos dos EUA via Solana após piloto com volume anualizado de US$ 3,5 bilhões, oferecendo liquidação 24/7, menor capital ocioso e integração com a Circle; Cross River e Lead Bank estreiam o arranjo.
Após piloto com volume anualizado de US$ 3,5 bilhões, Cross River e Lead Bank passam a liquidar sete dias por semana em blockchain
Em 16 de dezembro de 2025, a Visa oficializou o uso do USDC como instrumento de liquidação para bancos nos Estados Unidos, incorporando a blockchain às operações centrais de pagamentos. A decisão encerra a fase de experimentos e coloca uma stablecoin no coração do backoffice das transações, onde o tempo e a previsibilidade custam caro. Trata-se de um passo relevante na tentativa de modernizar trilhas de compensação ainda ancoradas em janelas bancárias e processos legados.
A mudança vem na esteira de um piloto global que encerrou novembro com volume anualizado de US$ 3,5 bilhões em liquidações usando stablecoins. Com a confirmação, o USDC deixa o status de prova de conceito e passa a compor fluxos reais de settlement dentro da rede da empresa. Na prática, abre-se uma camada on-chain para reduzir fricções típicas de sistemas herdados, sem alterar a experiência do portador do cartão na ponta.
Primeiros bancos e a escolha pela Solana
Os primeiros participantes nos EUA são o Cross River Bank e o Lead Bank, que já iniciaram a liquidação de transações Visa em USDC na Solana. A escolha recaiu sobre a capacidade de throughput e custos previsíveis da rede, atributos críticos quando a prioridade é processar alto volume com baixa variância de desempenho. Segundo a empresa, a Solana mantém liquidações rápidas mesmo em momentos de tráfego elevado, preservando o nível de serviço exigido em pagamentos.
Do ponto de vista operacional, a liquidação sete dias por semana reduz capital ocioso e melhora o planejamento de caixa das instituições, ao eliminar dependências de janelas e horários de corte. A reconciliação tende a ser mais direta, com registros on-chain que encurtam ciclos de confirmação. Para bancos e adquirentes, isso significa menos fricção e maior previsibilidade de fluxo, duas variáveis centrais em um negócio de margens apertadas.
Estratégia de integração com a Circle e novas camadas
O movimento se insere numa estratégia mais ampla de conectar bancos a redes blockchain, intensificando a parceria com a Circle, emissora do USDC. Como parte do plano, a Visa atuará como parceira de design da Arc, a nova blockchain empresarial da Circle em teste público, devendo operar um validador e oferecer suporte ao USDC quando o ecossistema for lançado. A empresa afirmou ainda que ampliará a integração ao longo de 2026, adicionando mais instituições à solução doméstica.
É também uma continuidade do aprendizado iniciado em 2021, quando os primeiros testes com stablecoins foram conduzidos, e de 2023, quando as liquidações reais começaram a ganhar tração. Ao levar o modelo para a operação nos EUA, a companhia reforça a leitura de que ativos digitais podem servir como infraestrutura, e não apenas como classe de investimento. O foco, aqui, é eficiência de backoffice e liquidação programável, e não exposição direcional a criptoativos voláteis.
DeFi como laboratório de liquidez para o mundo dos pagamentos
Embora o arranjo seja corporativo e permissionado, o aprendizado técnico que viabiliza essa etapa nasceu em grande parte no ambiente DeFi, com mecanismos de formação de preços e liquidez contínua. A criação de ferramentas como as exchanges descentralizadas e os AMMs mostrou que é possível transacionar ativos on-chain sem intermediários tradicionais, com liquidação quase instantânea e regras codificadas. Nesse sentido, a ponte entre stablecoins, trilhas de pagamentos e redes públicas é menos uma ruptura e mais uma convergência de maturidades.
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