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Do papel ao código: o futuro da tokenização com Carlos Domingo

Carlos Domingo, da Securitize, coloca a tokenização sob escrutínio ao contrapor seus ganhos potenciais às falhas dos primeiros ciclos, destacando que escala depende de compliance programável, liquidez real e padrões interoperáveis.

Do papel ao código: o futuro da tokenização com Carlos Domingo

Cofundador e CEO da Securitize, Carlos Domingo examina as nuances da tokenização, dos benefícios potenciais aos experimentos fracassados do setor.

Carlos Domingo, cofundador e CEO da Securitize, aprofunda as nuances da tokenização, indo dos benefícios potenciais aos experimentos fracassados que marcaram o setor. Em um momento em que ativos do mundo real voltam ao centro do debate, a discussão deixa de ser apenas tecnológica e passa a ser essencialmente de mercado: liquidez, governança e compliance. A promessa é simples no papel — mais acesso, custos menores e liquidação ágil —, mas a execução no código expõe fricções que a indústria ainda precisa resolver.

O que muda com a tokenização

Tokenizar é converter a representação de um ativo físico ou digital em um token registrado em blockchain, com regras de propriedade e transferência embutidas. Na prática, isso permite fracionar participações, ampliar o horário de negociação (24/7) e reduzir etapas operacionais por meio de liquidação quase instantânea e reconciliação automática. Além disso, a lógica de “compliance programável” viabiliza restrições de quem pode comprar, quando pode transferir e sob quais condições (por exemplo, KYC/AML verificado), aproximando o desenho do ativo das exigências regulatórias. O ganho potencial está na escala e na eficiência; o risco, na coordenação entre tecnologia, regulação e demanda real por negociação secundária.

Lições dos fracassos iniciais

Os primeiros ciclos deixaram cicatrizes. A onda de emissões sem lastro na era das ICOs confundiu inovação com atalho regulatório. Em seguida, as STOs prometeram liquidez que não se materializou por falta de mercados secundários profundos, custos de onboarding elevados e experiência de usuário sofrível. Em paralelo, muitos projetos apostaram em blockchains permissionadas que replicavam a infraestrutura legada, mas sem captar o benefício essencial da liquidez aberta. O resultado foi um descompasso: ativos tokenizados existiam, porém sem demanda consistente, formadores de mercado e trilhas de auditoria integradas ao restante do sistema financeiro.

O que falta para escalar

Para a tokenização deixar de ser prova de conceito e virar infraestrutura, é necessário fechar três lacunas. Primeiro, a de conformidade: regras embutidas no token, trilhas de auditoria e integração com procedimentos de transferência de titularidade e eventos corporativos. Segundo, a de mercado: custodiante qualificado, agentes de transferência, negociação em ambientes com KYC e liquidity providers comprometidos com books contínuos. Terceiro, a tecnológica: padrões interoperáveis, oráculos confiáveis e escolha de redes que conciliem segurança, custo e acessibilidade. Sem essas camadas, os ativos até existem on-chain, mas continuam economicamente offline.

O vetor mais promissor hoje combina instrumentos conhecidos com eficiência on-chain: dívidas públicas e privadas, cotas de fundos, recebíveis e participação societária com direitos codificados. A utilidade cresce quando pagamentos, distribuição de rendimentos e governança são executados por contratos inteligentes, reduzindo fricções de reconciliação e encurtando ciclos de liquidação. É esse encaixe — mercado regulado, teses de uso pragmáticas e infraestrutura interoperável — que separa a narrativa da adoção. Em outras palavras, medir sucesso pela redução do custo de capital e pelo aumento da base de investidores, não pela contagem de tokens emitidos.

Para quem deseja compreender melhor como a tokenização transforma propriedade, liquidez e compliance, o BlockTrends oferece o curso Tudo Sobre a Tokenização de Ativos, que explora fundamentos, casos de uso, riscos operacionais e os elementos regulatórios que sustentam emissões e mercados secundários.

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