Banco Central da Rússia libera bancos para operar com cripto, sob regras rígidas
Autoridade monetária russa abrirá o mercado cripto aos bancos, com limites de capital, reservas e exigências rígidas de AML/CTF, além de critérios de elegibilidade de clientes.
Limites de capital, reservas e exigências de AML/CTF vão conter a exposição; instituições decidirão quais clientes terão acesso
O Banco Central da Rússia vai permitir que bancos operem com Bitcoin e outras criptomoedas, mas sob um arcabouço conservador para evitar que a atividade se torne central nos balanços. Segundo o vice-presidente Vladimir Chistyukhin, a autoridade optou por não excluir as instituições desse mercado, mas manterá a exposição sob controle.
As regras incluem limites de capital e de reservas, além da aplicação integral de normas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Os bancos também deverão definir quem poderá acessar esses ativos, com avaliação de perfil, identificação completa dos investidores e verificação da origem dos recursos.
Chistyukhin destacou que os criptoativos apresentam risco elevado para fins de AML/CTF e que os mecanismos de combate à lavagem precisam ser replicados no mercado digital, com transparência e rastreabilidade como requisitos mínimos.
O movimento ocorre em meio ao interesse do país em expandir sua infraestrutura cripto, incluindo planos para lançar duas plataformas de negociação sob supervisão estatal e uma stablecoin referenciada a uma cesta de moedas do BRICS. Em paralelo, a autoridade já vinha sinalizando que transações com cripto poderiam mitigar efeitos de restrições internacionais, ainda que a proteção ao rublo continue como prioridade.
A Rússia figura entre os mercados com maior uso de criptoativos, e estimativas locais citadas por Chistyukhin apontam até 20 milhões de usuários — cerca de 14% da população. Ainda assim, o regulador quer calibrar o avanço com limites prudenciais e reforço de compliance para preservar a estabilidade financeira.
Na prática, o setor bancário ganha um canal regulado para intermediar cripto, o que tende a ampliar liquidez formal e a participação institucional. O ritmo de adoção, porém, dependerá do detalhamento técnico das normas, dos custos de conformidade e da definição dos tetos de exposição.