Finanças

Corte do Fed em 17/9 pode agitar e impulsionar Bitcoin, ouro e ações

Mercado aguarda o Fed em 17/9 com 93% de chance de corte de 25 bps. Inflação resiliente e emprego mais fraco aumentam a incerteza. Curto prazo pode ser volátil, mas o histórico sugere ganhos em 12 meses para ações, Bitcoin e ouro.

Corte do Fed em 17/9 pode agitar e impulsionar Bitcoin, ouro e ações

Mercado precifica redução de 25 pontos-base; curto prazo pode ser volátil, mas o histórico favorece ganhos em 12 meses.

Investidores fazem a contagem regressiva para a decisão de política monetária do Federal Reserve em 17 de setembro. A expectativa dominante é por um corte de 25 pontos-base, movimento que pode amplificar a volatilidade no curto prazo, mas dar fôlego adicional a ativos de risco no horizonte mais longo.

Inflação teimosa, crescimento em desaceleração

O pano de fundo econômico exige um ajuste fino do Fed. Em agosto, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,4%, elevando a taxa anual para 2,9%, de 2,7% em julho, com moradia, alimentação e gasolina puxando os custos. O núcleo do CPI avançou 0,3%, mantendo o ritmo dos últimos meses.

Nos produtores, o quadro foi semelhante: o índice de preços ao produtor (PPI) caiu 0,1% em agosto, mas permanece 2,6% acima do nível de um ano atrás, enquanto o núcleo do PPI avançou 2,8%, a maior alta anual desde março. Em conjunto, os relatórios destacam pressões inflacionárias persistentes mesmo com a desaceleração do crescimento.

Emprego perde fôlego, salários ainda pressionam

A abertura de vagas esfriou mais um pouco. As folhas de pagamento não agrícolas aumentaram apenas 22.000 em agosto, com perdas no governo federal e no setor de energia compensando ganhos modestos em saúde. O desemprego ficou em 4,3%, e a participação na força de trabalho permaneceu em 62,3%.

Revisões mostraram que o crescimento do emprego em junho e julho foi mais fraco que o inicialmente reportado, reforçando sinais de arrefecimento. Já o ganho médio por hora avançou 3,7% na comparação anual, mantendo vivas as pressões salariais.

Juros, probabilidades e o risco do “vender no fato”

No mercado de Treasuries, o rendimento do papel de 2 anos está em 3,56%, enquanto o de 10 anos marca 4,07%, deixando a curva modestamente invertida. Operadores de futuros apontam 93% de probabilidade de um corte de 25 pontos-base. Se o Fed limitar o movimento a 25 bps, a reação pode ser do tipo “comprar no boato, vender no fato”, já que a alívio monetário foi amplamente precificado.

Ações, cripto e ouro em rali às vésperas do Fed

Os índices acionários testam máximas históricas. O S&P 500 fechou a sexta em 6.584, alta de 1,6% na semana — o melhor desempenho desde o início de agosto — e com um gráfico mensal que revela recuperação firme após a correção no fim de agosto. O Nasdaq Composite emplacou cinco recordes consecutivos, encerrando a 22.141, impulsionado por megacaps de tecnologia, enquanto o Dow cedeu abaixo de 46.000, mas ainda fechou a semana no positivo.

Cripto e commodities acompanham a alta. O Bitcoin é negociado a US$ 115.234, abaixo da máxima histórica de 14 de agosto, perto de US$ 124.000, mas ainda em forte alta em 2025; o valor de mercado global das criptos chega a US$ 4,14 trilhões. O ouro avançou para US$ 3.643 por onça, próximo de recordes, com trajetória mensal ascendente à medida que investidores precificam juros reais menores e buscam proteção contra a inflação.

O que diz o histórico e o que esperar

Um levantamento citando dados de Carson Research indica que, em 20 de 20 ocorrências desde 1980 em que o Fed cortou juros quando o S&P 500 estava a até 2% de suas máximas históricas, o índice terminou mais alto um ano depois, com ganho médio próximo de 14%.

No curto prazo, porém, o quadro é menos previsível: em 11 de 22 episódios, as ações caíram no mês seguinte ao corte. O padrão apontado para agora é semelhante — turbulência inicial seguida de ganhos mais duradouros em ativos como ações, bitcoin e ouro, conforme o alívio dos juros reforça o momentum.

A mensagem do Fed será decisiva

Cortar juros enquanto a inflação acelera na margem e as bolsas rondam recordes pode arranhar a credibilidade; ficar parado, por sua vez, pode assustar mercados que já precificaram afrouxamento. Em qualquer cenário, o tom do Fed sobre crescimento, inflação e perspectivas de política deverá moldar a trajetória dos mercados nos próximos meses.

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