WLFI congela 272 carteiras, incluindo a de Justin Sun, e acende alerta
WLFI congelou 272 carteiras — inclusive a de Justin Sun — alegando proteger usuários de phishing. Dados on-chain indicam que a queda do token veio de shorts e dumps por market makers, não das transferências de Sun. O episódio elevou o temor de bloqueios unilaterais.
Projeto afirma que os bloqueios visaram proteger usuários de phishing; mercado vê risco de decisões unilaterais.
World Liberty Financial (WLFI) defendeu a decisão de congelar centenas de carteiras — incluindo a do investidor e fundador da Tron, Justin Sun — afirmando que a medida buscou proteger usuários contra comprometimentos ligados a phishing, e não silenciar a negociação normal. “A WLFI só intervém para proteger usuários, nunca para silenciar a atividade normal”, escreveu o projeto no X.
Por que as carteiras foram bloqueadas
Segundo a WLFI, 272 carteiras foram colocadas em blacklist. Aproximadamente 215 estariam vinculadas a um ataque de phishing e 150 teriam sido comprometidas por meio de canais de suporte. O congelamento da carteira de Sun ocorreu na sexta-feira, depois de pequenas transferências de “teste de dispersão” entre suas próprias carteiras, realizadas após a reivindicação de tokens destravados no lançamento — nenhuma delas caracterizada como venda.
O que mostram os dados on-chain
As transferências a partir de carteiras ligadas a Sun levaram parte do mercado a supor que o investidor estaria vendendo, mas dados on-chain contam outra história. Em uma publicação no X, o fundador da Nansen, Alex Svanevik, destacou que o cronograma das movimentações de Sun não combina com a queda do token.
Dados da Nansen indicam que Justin Sun transferiu 50 milhões de WLFI (cerca de US$ 9,2 milhões) em 4 de setembro, às 09:18 UTC — três a cinco horas depois do período de maior desvalorização do token —, sugerindo que a transação seguiu o tombo, e não o causou.
Market makers e a pressão vendedora
Registros on-chain também mostram uma transferência de US$ 12 milhões em WLFI da HTX para a Binance por um market maker terceirizado. Os tokens teriam sido tomados emprestados usando capital próprio da HTX como parte de um rebalanceamento rotineiro. A movimentação ocorreu após as quedas mais acentuadas e, diante do volume diário acima de US$ 700 milhões, seria pequena demais para mover o mercado. Depois do depósito na Binance, não é possível determinar se os tokens foram vendidos ou mantidos.
Participantes do mercado apontam, em vez disso, para uma onda de shorts e despejos (dumping) de WLFI por market makers e mesas de trading em várias corretoras como o verdadeiro motor da queda. Registros on-chain reforçam essa leitura: uma transferência da BitGo para a Flowdesk, sinalizada pela Nansen, coincidiu com o início do movimento de baixa e se tornou um dado-chave para explicar o sell-off.
Clima de incerteza e preço
A decisão da WLFI de congelar fundos ligados ao episódio acendeu conversas tensas entre baleias, market makers e mesas de negociação sobre o risco de verem seus tokens bloqueados por decisão unilateral. “Se podem fazer isso com Sun, quem é o próximo?”, resumiu uma pessoa familiarizada com as conversas entre grandes participantes do mercado.
No momento, WLFI é negociado a US$ 0,18, uma queda de 40% desde a listagem, segundo preços de mercado.